sábado, julho 30, 2005

Ruminação matinal

Vinha eu com o café tomado e de braço dado à jornalada "fim-de-semanal" quando dou por mim a ruminar sobre Portugal, as nossas gentes, as nossas motivações ... e o porquê de sermos como somos.

Num ápice exercício de flashback mental chego à costumeira conclusão de que nos estamos a tornar numa sociedade cada vez mais egoísta e individualista, deslumbrada pela (fácil) cultura do sucesso, da imagem e da aparência. Um autêntico jogo de "soma nula", onde cada cão tenta morder o outro para chegar primeiro à casota. Igualmente também encontramos situações de "soma positiva" onde figuras semi-públicas emergentes jogam com a mesma comunicação social que as fabricou, num desesperado acto de ver quem precisa de quem, quem vai deixar cair quem primeiro.

Qual prostituição mediática qual quê? O importante mesmo é o dinheirito cada mês que nos compra status, prestígio e identidade traduzidos nos jantares, roupas, carros, férias ... o típico conforto material das nossas sociedades modernas e desenvolvidas. Haverá mais para além disto, nas nossas vidas?

quinta-feira, julho 28, 2005

Volto já

Vou nadar.Sempre me fez bem ao corpo e ao espírito.

A Esquerda em geral

Leio sempre com a maior atenção o Portugal dos Pequeninos de João Gonçalves.É um dos meus blogues preferidos,e ainda há dias deliciei-me com a transcrição soberba que fez do diálogo sobre Hérodoto do Paciente Inglês.Sou partidário de blogues para além da política.

Exactamente em termos políticos venho esclarecer JG que o uso da expressão «esquerda em geral» ,que tanto o incomodou no meu post anterior,vai muito para além do conceito orgânico de partidos que se reclamam desse sector.Considero,de facto,que o barco Portugal anda mal estivado e desequilibrado para estibordo,ou seja quase a adornar com o peso dos interesses conservadores.

Continuo Reformador,caro JG. Mas só vi a direita aceitar reformas quando não tinha muita força para se opôr às propostas de renovação..É quase a história do regime democrático...

Aliás, desconfio que o Prof Cavaco Silva sabe disso mas apoia-se no lado errado do barco e pode ajudar a adorná-lo se ficar ao leme da República. Mantenha o espírito livre e não guarde a sensibilidade só para as questões artísticas. No fundo, a Política é uma arte, não é assim?


Fora de agenda

Com a polémica gerada em torno das candidaturas à Presidência da República,o momento é dominado pela discussão política e por algum folclore já esperado,como a especulação acerca da capacidade de aceder ao poder de indivíduos que já cá andam há muitos anos. Não me ocorreu que pudessem estar fora do prazo figuras com a vitalidade, a lucidez e a capacidade de pensar a actualidade que Soares demonstra. Apesar da minha simpatia e afinidade com aquele a quem chamaram D. Quixote, por ser poeta e em simultâneo se manifestar disponível para o combate político, espero sinceramente que Soares dê provas de não ter passado do prazo,já que a jovialidade e a possibilidade de mudança resultam da capacidade de pensar , e essa não é proporcional à idade cronológica.
Contudo, em férias e afastada da net por uns tempos,tenho também dado atenção a outras notícias. Não ocupam as primeiras páginas, mas não posso deixar de ficar feliz com elas. Antóno Ramos Rosa ganhou o Prémio Sophia de Mello Breyner, estando portanto ao lado de Soares no rol dos nossos ilustres "porta aviões" ( não submarinos!), desta feita da cultura portuguesa.
Serralves recebeu alguns trabalhos de Thomas Schutte ( maquetes, desenhos, esculturas, fotografia) completamente desarmantes, plenos de força e de possibilidades interpretativas. Estas obras dão conta de marcos da realidade sociopolítica das últimas décadas e são formalmente vanguardistas e inquietantes. Schutte recebeu o Leão de Ouro em Veneza em 2005. A exposição vale a pena pela sua beleza e por permitir pensar os factos de múltiplos prismas. É uma experiência e, como tal, aprendizagem.
Clarice Lispactor, uma das minhas escritoras predilectas, " foi a escritora homenageada na Festa Literária Internacional de Parati" (JL). E neste festival também participaram escritores portugueses, como o Gonçalo M. Tavares, que estará em Aveiro no dia 31 para participar na Comunidade de Leitores que a Livraria O Navio de Espelhos dinamiza.
É comum dizer-se que em período de férias não há notícias que mereçam as letras gordas dos jornais. Pelos vistos, este ano não faltarão motes. Não há fome que não dê em fartura. Soares, Alegre e Cavaco concorrem em alto estilo com a desgraça dos incêndios florestais e com as investidas terroristas, que emergem de tempos a tempos,deixando latente uma nebulosa a que nos vamos habituando.
Perante tudo isto, os meus interesses comezinhos de turista em terra própria caem um pouco fora da agenda geral. Mas teimo em pensar que u~m serão a conversar com o Gonçalo Tavares , uma tarde bem passada em Serralves ou uma releitura de "Perto do coração Selvagem" me saberão muito melhor do que uma discussão descabida sobre a idade de Soares ou a incompatibilidade visceral entre intervir pooliticamente e ser poeta.

quarta-feira, julho 27, 2005

A onda gigante das presidenciais,porta-aviões e patrulhas

Estive ocupado nos últimos dias com a questão das presidenciais,pois os jornais, as televisões,as rádios,solicitaram-me declarações sobre a candidatura de Mário Soares a PR.

Compreendo:há cerca de 2 anos que defendo o regresso do velho senhor à presidência,independentemente de outros candidatos no terreno.Falava-se então do combate entre Guterres e Santana Lopes...

Essa opção estratégica tem a ver com o estado de desorientação das elites de imitação sobre o futuro de Portugal.Como é publico tive fortes divergências com Mário Soares durante a década da consolidação precária do regime,entre 1978 e 1986.Defendi então um reforço do edíficio democrático,depois de ter forçado o pedido de adesão à então CEE, com recurso ao

referendo e a uma maior intervenção do PR.Tudo escrito com a devida antecedência e seguido da acção política possível.

O meu apoio a Mário Soares não é um apoio de circunstância e nada tem a ver com outros candidatos.É minha firme convicção que ele trará força,determinação e ideias de futuro para Portugal e para a esquerda em geral.Estou tão certo disso como da bondade da entrada de Portugal na Comunidade Europeia que protoganizámos juntos em 1977.

Chamaram velho porta-aviôes a Mário Soares.Foi Marcelo Rebelo de Sousa na sua conversa com Ana Dias.É triste ver um patrulha em fabricos desmerecer da capacidade de manobra naval de um porta-avióes!

Marcelo que nem sequer ousa declarar a sua disponibilidade para ser candidato pelo PSD!

Avance contra o velho porta-aviões,Homem!


terça-feira, julho 26, 2005

Um teste ao Bloco

O anúncio da candidatura presidencial de Mário Soares - parabéns profeta José Medeiros Ferreira - vai ser a primeira prova de fogo da proclamada coerência político-estratégica do Bloco de Esquerda. Veremos se as tão repetidas intenções de luta por uma unidade eficaz da esquerda prevalecerá sobre orgulhos próprios e fragmentações adivinhadas.
Cá te esperamos, Bloco...

Os muçulmanos na Bretanha

Dois terços dos muçulmanos (em 1,6 milhões) consideram deixar o Reino Unido, na sequência dos ataques a Londres. Este número mostra bem como está arreigado o medo de que existam represálias sobre a comunidade muçulmana.
A sondagem também mostra como este grupo tem, efectivamente, sofrido consequências desde o 7 de Julho, com um em cada 5 a afirmar que experimentou hostilidade ou abusos desde essa data. Os registos da polícia indicam 1200 incidentes islamofóbicos nas últimas semanas, se bem que se considerem este número subestimado.
9 em cada 10 recusa completamente a violência e defende a ajuda da sua própria comunidade na identificação de radicais.

segunda-feira, julho 25, 2005

Os Idiotas úteis

Ageism

Parece que o grande argumento contra a candidatura de Soares é a sua idade. Mesmo que quem profira esse motivo o louve em relação a Churchill, que foi eleito Primeiro Ministro aos 77 anos, o tenha apreciado em relação a João Paulo II ou prezado com a eleição do novo Papa, com 78 anos. Enfim, os exemplos são muitos e o argumento pobre. Da direita não me espanta. Já lhes conhecemos outras limitações semelhantes.

Capital uno e global

Sobre o financeiro Pais do Amaral e a (eventual) venda da Media Capital à "hermana" Prisa, eis alguns comentários:

"O engenheiro Miguel Pais do Amaral é essencialmente um financeiro. Não é o conteúdo da programação dos seus orgãos de informação que lhe interessa particularmente (...) Enveredou para aqui, mas não tem nenhuma vinculação política nem de lobby em termos do conteúdo da comunicação (...) no dia em que tiver uma boa proposta parte para outra indústria, outra empresa (...) o intuito dele é valorizar o produto para um dia vender."
- Fernando Magalhães Crespo à Meios & Publicidade, 22 de Julho 2005.

"Paes do Amaral confirma-se como um mero investidor financeiro apátrida no sector dos «media». Bem pode mudar o seu título para Conde de Anadia ... e Vasconcelos."
- Nicolau Santos in "Cem por Cento", Expresso, 23 de Julho 2005.´

"Já que é Conde, foi coerente ao transferir para Espanha, que é uma monarquia, o controlo da TVI. Agora que aderiu ao clube, presidido por Diogo Vaz Guedes, dos portugueses que venderam os activos a Castela, vai com certeza ficar com mais tempo livre para se dedicar às corridas de automóveis. Por supuesto!"
- Jorge Fiel in "Em Alta", Expresso, 23 de Julho 2005.

quinta-feira, julho 21, 2005

Três Anos Sem Campos e Cunha

A demissão de Campos e Cunha ainda vai no adro.Sempre pensei que o ex-administrador do BP faria o Orçamento de Estado para 2006 e essa deve ter sido a intenção do artigo no Público sobre o bom eo mau investimento,numa repetição metodológica do anúncio unilateral do aumento dos impostos mal foi nomeado ministro das Finanças.

Acontece que José Socrates cultiva a imagem de autoridade como uma mais valia da sua presidência do governo e antevíu os ministros mais atentos ao assentimento do ministro do que à sua decisão na elaboração do próximo O.E.

Ainda por cima a Comissão Europeia,sensatamente,alongou para mais 3 anos o período do ajustamento do défice português o que retira dramatismo tecnocrático às medidas de austeridade.Três anos sem Campos e Cunha é um alívio para José Sócrates.

Porque será que tenho a estranha sensação de que Jorge Sampaio e Vítor Constâncio não ficaram contentes?

José Magalhães e o Open File

Não há uma grande tradição do open file na admistração pública portuguesa. Mais um motivo para louvar a atitude de José Magalhães na AR ao distribuir um relatório da Direcção Nacional da PSP datado de 12 de Julho sobre os acontecimentos da praia de Carcavelos. Nesse relatório anula-se a tese do arrastão com um apurado sentido da responsabilidade por parte daquela Polícia.

Pois que defendi neste blogue que o governo deveria esclarecer o que sabia sobre o caso,venho sublinhar o serviço que todos estes intervenientes prestaram à confiança que deve existir entre governantes e cidadãos.

Estamos assim todos mais seguros.Só se deve gritar ao lobo com razão.


quarta-feira, julho 20, 2005

socialista partido

Na entrevista ao DN, Freitas do Amaral não exclui a hipótese de se candidatar à Presidência da República. E recusa-se liminarmente a dizer se apoiaria Manuel Alegre- há muitas possibilidades de candidatos e o voto é secreto…

Mas quando se comparam as medidas deste governo com as medidas de Salazar para justificar que o actual executivo é sensato e democrata, onde é que já chegamos? À Madeira?

"Repare o que é que fez Salazar quando chegou ao Governo, perante uma situação financeira caótica? Para equilibrar o orçamento, Salazar diminuiu em 15% os vencimentos de todos os funcionários públicos, aumentou em 15%, 20% todos os impostos - todos, e não apenas um, e não foi em 2%, foi em 15% -, cortou cerca de 10% em todas as pensões de reforma dos trabalhadores, quer do sector público, quer do privado, que já estivessem reformados. E extinguiu centenas de organismos, despediu pessoal aos milhares, e com isso chegou ao fim do ano e tinha o orçamento equilibrado. É claro que isto não foi nem justo nem democrático. Numa democracia que respeita os direitos adquiridos e a justiça, não se pode fazer isto. E não se fez. (…) Foi tudo feito com muita ponderação, conta, peso e medida, anulando apenas alguns privilégios (…)."
Nunca digas nunca é a frase destacada pelo DN. Como se vindo de Freitas já não soubéssemos.

terça-feira, julho 19, 2005

Loja de Ideias

Apareceu um novo movimento cívico chamado Loja de Ideias,cuja apresentação decorreu a 6 de Julho na Biblioteca República e Resistência..O grupo formado por gente nova apresentou uma Carta de intenções em que se afirma«como plataforma de discussão, independente da iniciativa partidária e dos circulos institucionais».

Vêm para renovar o debate numa perspectiva inter-geracional. Pretendem «repensar a intervenção na cidade»Alguns nomes:Reis dos Santos,Ricardo Revez,Rita Castelo Branco,Sandra Falcão,Diogo Moreno.

Mãos à obra e boa-sorte!

O Governo do Silêncio

Como já muitos sabem, Campos e Cunha publicou um artigo no Público onde basicamente lançou suspeitas sobre o investimento público anunciado com pompa e circunstância pelo Governo, defendendo novas medidas de “contenção”. Tudo numa expressão mais ou menos vaga. As bases do PS contestam, Marques Mendes adivinha cisão. Das duas uma. Ou há realmente um desacerto interno, como já houve em outras situações, o que não abona nada a favor do Governo do Silêncio (e pode ter vários desfechos); ou Campos e Cunha faz o papel do Velho do Restelo, como aliás já fez quando anunciou o aumento dos impostos e enquanto Sócrates ainda queria manter a imagem da bonomia. Assim sendo, para depois das autárquicas, e para que a festa já magra não seja funeral, preparar-se-á nova onda de austeridade, provavelmente mais um maremoto. Não vejo como a economia e os portugueses resistirão a ele.
Para além disto e qualquer que seja a hipótese correcta, tratam-se de sinais muito claros que a comunicação deste Governo vai de mal a pior. Curioso que, numa entrevista que sairá no DN de quarta-feira, Freitas do Amaral venha reconhecer erros de comunicação do seu executivo: " houve falhas na forma com o Governo apresentou e explicou aos portugueses as medidas de austeridade para equilibrar as contas públicas". Pena é que seja retroactivo e não preventivo.

Bombardear Meca? Iá.

Um congressista republicano, Tom Tancredo, diz que os EUA poderiam fechar sites religiosos islâmicos se o país fosse alvo de novo atentado terrorista. Quando lhe perguntam se isso não é como se Meca fosse bombardeada, o senhor responde: Iá.

"You're talking about bombing Mecca," Campbell said.
"Yeah," Tancredo responded.

Marcelo candidata-se contra Soares?

Marcelo adiantou a evidência de que Mário Soares é o melhor candidato `da esquerda à presidencia da República e que este poderia ganhar a Cavaco Silva,no que concordo com ele.Mas ficou a impressão que, caso o ex-primeiro ministro não se queira sujeitar a segunda derrota nas presidenciais,o próprio Rebelo de Sousa não se eximirá a ser candidato à sua primeira derrota no torneio.Perder contra Mário Soares não é uma boa estratégia para 2006?


O Benfica já recebeu a Taça

Confesso que desta vez não me desloquei à Luz e vi o jogo com o Chelsea pela tv.Do que mais gostei foi do relato elucidadivo do José Augusto Marques, um profissional que respeito desde que fiz com ele .e com o malogrado João Amaral,um directo de um Benfica-Porto.

.De resto o jogo foi um pouco menos do que se poderia esperar.

Não me parece saudável resumir à falta de um «matador» os problemas de finalização da equipa do SLB.Um ponta de lança,sobretudo se for só um,precisa de ser criteriosamente municiado.e não há municiadores no Benfica ,há pelo menos duas épocas.De certa maneira esta equipa de pre-época reforça o «cluster»dos médios defensivos sem lhe acrescentar inteligência de movimentos mais para a frente.Só um exemplo:Simão Sabrosa ainda é um extremo ou está mais próximo de ser um Assis melhorado?

Temo que a questão do ponta de lança funcione negativamente para o SLB como a questão do defice para a economia nacional.


segunda-feira, julho 18, 2005

Depois da retracção da Newsweek e da prisão da jornalista do NY Times

tenho a impressão que a New Yorker vai fechar as portas.
Segundo a revista, a administração Bush quis influenciar as eleições de Janeiro no Iraque, recorrendo a operações clandestinas para impedir uma vitória esmagadora dos xiitas próximos do Irão.
A administração Bush estudou a possibilidade de conceder uma ajuda directa a Iyad Allaoui, um xiita apoiado pelos dirigentes norte- americanos que era então o primeiro-ministro interino do Iraque, e a outros responsáveis iraquianos considerados próximos dos Estados Unidos, diz a revista semanal norte-americana.
Contudo, organizações não-governamentais que deram assistência à organização das eleições mostraram-se contra a pretensão dos Estados Unidos, que foi então afastada pelo secretário de Estado adjunto, Richard Armitage.
Nessa altura, a Casa Branca promulgou um documento presidencial ultra-secreto «autorizando a CIA a fornecer clandestinamente verbas e outras formas de apoio aos candidatos de alguns países que, aos olhos do Governo norte-americano, procuram estabelecer a democracia», acrescenta a publicação, citando altos responsáveis do exército e dos serviços de informação
.

Andam todos malucos.

domingo, julho 17, 2005

Bomba em Self-Service

Depois da nomeação do grande especialista Fernando Gomes, o Expresso noticiava ontem os “Gastos Milionários na Galp”, privilégios consistindo em coisinhas como um quadro superior ter recebido uma indemnização de 290 mil euros ao sair da empresa, apenas 2 anos depois de ter entrado e para passar imediatamente depois para a Refer, tutelada por António Mexia. Um cunhado de Morais Sarmento entrou para a Galp, quando este era ministro, negociando uma antiguidade de 17 anos, um ordenado de 17.400 euros e, pelo menos, um seguro de vida equivalente a 70 meses de ordenado! Ferreira do Amaral enquanto presidente do Conselho de Administração era remunerado, por presenças, com 15 mil euros por mês, valor agora auferido por Murteira Nabo no mesmo cargo. Também há outros casos interessantes como: “o engenheiro agrónomo que foi trabalhar para a área financeira a 10 mil euros mensais; a especialista em Finanças que foi para o departamento de marketing por 9800 euros e até a admissão de um administrador para uma empresa do grupo, com um único trabalhador efectivo.”
Entretanto e previsivelmente, o Governo já declarou ao DN que nada fará para mexer nestes regimes de regalias.

Noves fora nada

Hoje, o Bartoon do Público brinca com as notas dos exames de Matemática, dizendo que se a média foi de 8,1, descendo para 6,9 quando são incluidos os alunos externos, a grande vantagem é que “se a capacidade para a matemática continuar a descer, daqui a uns anos, já ninguém consegue fazer as contas para dar uma notícia dessas…”.
Pois é. Mas como a realidade é sempre mais fantasiosa do que a ficção, o exame de Matemática do 12º ano tinha um erro. O Expresso explica que a questão em causa vale 0,9 numa escala de 20 o que, evidentemente, pode excluir alunos, já que as entradas para a Universidade se disputam por décimas, ou mesmo barrar a entrada no Ensino Superior, onde o mínimo é 9,5.
E ainda há quem se admire com as contas erradas do défice?

Q.B.




Este site publica fotos de pessoas, animais, coisas, com o lema de “Nós não temos Medo”. Construído depois dos atentados em Londres, é já extremamente popular e notícia na CNN. Não podemos ficar paralisados com o terrorismo nem deixarmo-nos consumir pelo Medo.
Mas o Medo não é mau: é útil e protector. Se perante um Leão não sentirmos medo, e deixarmo-nos ficar, não sobreviveremos
E claro, nós temos medo. Medo da morte, medo da solidão. O Medo é, aliás, uma das coisas que nos distingue de um psicopata. Que nos diferencia de um bombista suicida. O estoicismo de Londres levado à caricatura, é uma aberrante negação do medo que temos do terrorismo. .
A invencibilidade não pode ser um mito reescrito à conta de extremistas.

sábado, julho 16, 2005

BOMBA NO PÉ

A ABC e outros media estão a divulgar que os ataques a Londres fazem parte de uma operação planeada pela Al-Qaeda desde há dois anos, no Paquistão.
No âmbito do desmantelamento dessa mesma operação, a 13 de Julho de 2004, as autoridades paquistanesas capturaram um líder da Al-Qaeda, Mohammed Naeem Noor Khan, tendo encontrado no seu computador planos para atacar o metro de Londres. Depois de ter sido detido, Khan passou a ser um importante espião no contra-terrorismo, levando à prisão de vários membros da Al-Qaeda baseados em Luton, uma cidade inglesa particularmente complicada neste aspecto e donde eram provenientes os terroristas responsáveis pelas bombas da passada semana.
Outros membros da Al-Qaeda desconheceriam a sua detenção e Khan comunicava com eles por e-mail, recebendo importantíssimas informações que, naturalmente, eram usadas pelos serviços secretos paquistaneses, ingleses e norte-americanos.
Contudo, na Convenção Democrata do ano passado, a administração Bush decidiu elevar o nível de alerta, porque haveriam planos de ataques a alvos americanos. Se pretendia ter uma justificação para tal, ou apenas queria alertar as pessoas, a verdade é que essa subida do nível de alerta levou à fuga de informação do nome de Khan. Os media divulgaram a história, os pormenores do computador e da sua detenção. Evidentemente que, nesta altura, os extremistas traídos por Khan souberam que ele era um espião. Khan, extremamente útil até então, deixou de o ser.
A polícia inglesa tentou então capturar rapidamente os suspeitos receando que, contudo, alguns (sabendo da duplicidade de Khan) já tivessem fugido, mudando subitamente de esconderijo e de planos. Sabia-se que esta célula planeava o ataque ao metro de Londres, e a esperança era de que, não obstante a desmazelada fuga de informação, que este tivesse sido evitado.
Na altura, a negligência enfureceu os serviços secretos paquistaneses e britânicos, ambos apontando para a responsabilidade americana, como aliás, inicialmente C. Rice admitiu sem reservas.
“Now British and Pakistani intelligence officials are furious with the Americans for unmasking their super spy - apparently to justify the orange alert - and for naming the other captured terrorist suspects.”
As críticas a esta fuga de informação também tiveram voz nos EUA.

Quer isto dizer que é possível que, se não tivesse havido esta imprudência de Bush, os ataques a Londres poderiam ter sido evitados;
Que outros importantes líderes da Al-Qaeda poderiam ter sido capturados;
Resta saber se esta importante fonte, foi destruída por Bush, por puro desleixo ou intencionalmente, por ganhos políticos.

Antes de deixarem comentários, sugiro que leiam os links. Para não ser uma discussão de factos, mas sim de opiniões.

Bolonha na Avenida de Berna

Passei ontem o dia em reuniões na Fac a discutir o chamado processo de Bolonha e a sua aplicação em terras portuguesas.

Embora consciente de que as Universidades portuguesas terão de acompanhar o espírito da declaração de 1999,temo ao mesmo tempo a tendência para a uniformização que começa a fazer escola entre nós.Temo sobretudo que os professores deixem de ter tempo para investigar e publicar livros e que se remetam para o catálogo dos artigos em revistas especializadas que os alunos lerão à média já estimada de 5-6páginas por hora!

Sobre o processo de Bolonha ,como sobre outros temas do ensino superior, sugiro a leitura do blogue deJoão Vasconcelos Costa-reforma do ensino superior-

Trata-se ,aliás ,de um entusiasta,o que não é bem o meu caso.


sexta-feira, julho 15, 2005

No Index da Harper's

de Julho:
Percentagem da população do Reino Unido que os britânicos pensam ser imigrantes: 21%
Percentagem real: 8 %
E agora, qual a discrepância?

Contagem crescente

Estima-se que, desde que começou a guerra no Iraque, morreram 39 mil iraquianos. Mais informação aqui e aqui.

Ex Plures Adveho Unus



Clay Bavor e Jesse Levinson (“Out of Many Comes One”)

The top three faces are the average Princeton male student, average Princeton student, and average Princeton female student. The bottom five images are processed representations of differences between faces which are used in algorithms for identifying facial features. We created these composite images by combining photos of 150 Princeton students with a piece of software we wrote as part of our thesis.

quinta-feira, julho 14, 2005

A idade do fogo

Os incêndios continuam a devastar o país. É a pior situação nos últimos cinco anos. 30 mil hectares ardidos desde o início do ano, 3 mil incêndios. Onde está o Ministro? Onde estão os meios?
O Estrago da Nação tem comentários pertinentes:
"Ferreira do Amaral, presidente da Autoridade Nacional para os Incêndios Florestais (...) Em relação aos métodos de combate dos incêndios e aos número de bombeiros mortos e feridos, diz que se deveu à «abnegação» no combate, elogiando, mais uma vez, o voluntarismo. Enquanto continuarmos a tapar o sol com a peneira não vamos lá. As imagens que as televisões mostram é bombeiros a atacarem frentes de fogo demasiado forte sem que qualquer efeito tenham os esguichos de água; grupos de bombeiros a aguardarem que a frente de fogo chegue às estradas sem, por exemplo, fazerem cortes de vegetação para criarem um «corta-fogo» - nunca vi moto-serras e outros materiais em função como vi no ano passado na Andaluzia -; e bombeiros a serem surpreendidos pelo chamado «efeito de chaminé» e a colocarem em risco a sua vida (confunde-se abnegação com negligência e impreparação)."
E também:
"«Não há falta de meios, nem sequer de meios aéreos, o problema é o vento». Esta é a frase do comandante operacional distrital dos bombeiros e da Protecção Civil, Moreira Vicente, para justificar o fogo incontrolável em Mafra que já chegou à Tapada e obrigou ao encerramento da Auto-Estrada A8.Estas ridículas justificações - já só me falta ouvir que «o problema é o fogo» - mostram bem como os responsáveis pela prevenção e combate aos fogos florestais tentam tirar a água do capote. A culpa não é da floresta mal gerida, não é dos comportamentos de alto risco em tempo quente, não é da deficiente vigilância, não é da inexistência de brigadas de intervenção rápida, não é, enfim, do modo como olhamos para este património económico e ambiental. A culpa essa é sempre do tempo quente... do vento... da falta de chuva... em suma, de Deus que criou os fogos".

O Que Sabe Jorge Sampaio do Arrastão?

Pasmo com a inércia dos orgãos de soberania quanto ao apuramento do que se passou na praia de Carcavelos no último dia 10 deJunho.Ninguém pretende saber como se originou uma notícia medonha num dia carregado de simbolismos vários como aquele.
Ainda me lembro do choque de Jorge Sampaio quando a TVI tocou em Marcelo Rebelo de Sousa ,tendo inclusivamente chamado a vítima a Belém .Pois agora que Diana Andringa revela tanta coisa inquietante sobre a criação de um clima racista em Portugal nos meados de Junho não seria conveniente ouvi-la na presidência da República?E o Governo já tem algum relatório do SIS sobre a criação desse clima uma semana antes da convocação da manisfestação do Rossio?E a Assembleia da RepúblicaNão pretende fazer uma audição sobre a matéria ,ou vai deixar a Alta Autoridade para a Comunicação Social sozinha a debater mais uma vez o codigo deontológico dos jornalistas que apuram a verdade misturados com os que dão notícias sem as verificarem?
Nada disto é preocupante?

Guerra Civil

Sabe-se agora que os bombistas suicidas que atacaram Londres eram britânicos. 2ª geração de imigrantes do Paquistão, como muitos gostam de dizer. 1ª geração de britânicos, como prefiro designar. O que se sabe sobre eles até agora (embora seguramente, com a intensa busca nas casas e investigação, mais informação irá surgir) é que nasceram no Reino Unido, tinham idades compreendidas entre os 19 e os 30 anos, eram desportistas, universitários, tinham família. Ninguém- a começar por pais e outros parentes próximos- conhecia qualquer “tendência” religiosa radical.
Estes dados são as informações que confirmam o pior. Os terroristas não vieram de países considerados “de terroristas”. Eram britânicos. Eram europeus. No máximo- e para os adeptos da expressão 2ª geração de imigrantes- as suas origens eram de um país aliado dos EUA. Portanto, e como diria Steiner, a derrocada veio de dentro. A “guerra contra o terrorismo”, baseada na ideia do ataque aos países supostamente albergue de terroristas, cai por terra. A flypaper theory de Bush que, como já aqui mencionei, tem por pilar a ideia que se combatem os terroristas “lá fora” para não termos que os combater “cá dentro”, uma vez mais, revela-se um engodo extremamente perigoso.
Não apenas os ataques terroristas aumentaram exponencialmente desde a invasão do Iraque; não apenas os ataques terroristas são maioritariamente perpetrados por indivíduos originários de países ocupados pelos EUA e pela Europa; não apenas a Al-Qaeda se internacionalizou; não apenas escolhem as nacionalidades das vítimas; não apenas continuam a conseguir executar estes ataques. Agora são europeus que os executam. É um pesadelo. Mas também pode ser uma oportunidade importante para repensar este tremendo falhanço da estratégia contra o terrorismo.
Se estas notícias colocam desde logo uma interrogação dramática sobre as formas de lidar com o terrorismo, levantam também a questão da integração das 1ªs gerações de "ocidentais". Por outro lado, parte da panóplia das medidas securitárias, como fechar ou endurecer fronteiras, perde sentido. Se são britânicos, espanhóis, portugueses ou italianos que estão dispostos a serem bombistas suicidas, muitas dessas medidas não têm qualquer utilidade.
Por fim, se os muçulmanos, desde o dia 7, estavam a ser alvo de ataques xenófobos, agora a situação vai piorar. Ou se tomam medidas urgentes para conter esta escalada ou, efectivamente, recrutar bombistas suicidas em solo “ocidental” vai ser cada vez mais fácil. E cada vez mais difícil de prever, controlar e evitar.
E uma palavrinha para o senhor Bush. Pena é que, no final da reunião do G8, não tenha ido para Londres. Nenhuma agenda complicada justifica tamanha falta. Estava tão perto. Eram os seus aliados.

O Pecado mora ao lado

A Europa pensa que é com o reforço do controlo dos cidadãos que vai resolver o terrorismo, querendo acelerar as medidas que têm a vindo a ser esboçadas desde o ataque a Madrid. O que acontecerá é uma machadada brutal nas nossas liberdades, direitos e garantias. Pretendem que seja criada uma base de dados biométrica. Isto é, todos os cidadãos europeus irão ter registo da sua impressão digital: esta e outras informações serão armazenadas numa base de dados. Os registos de telefone, e-mails e Internet vão ser arquivados durante pelo menos um ano. Para além destas medidas serem de legalidade duvidosa e extremamente dispendiosas (todo o dinheiro seria pouco, contudo, se as medidas fossem legítimas e, sobretudo, exitosas) são de utilidade limitada. Como mostra Simon Davies no Guardian de ontem, quando informações sobre as comunicações de um suspeito são necessárias, as contas e as facturas das empresas de telefone ou net são mais do que suficientes para proceder a análise e produção de prova. Além do mais, qualquer um pode utilizar telefones públicos, cartões pré-pagos, internet cafes, etc.. Agora querem que este controlo recaia sobre todos os cidadãos. Suspeitos ou não.
Por fim, onde estão as garantias de protecção dos dados?
Da mesma foram que o ataque generalizado às comunidades islâmicas europeias ou americanas servirá de bandeja os sonhos mais maquiavélicos de Bin Laden, criar uma sociedade com este grau de controlo dos cidadãos com certeza que o alegra.
Paradoxalmente, Blair dizia que nenhuma vigilância poderia ter prevenido este ataque.
Que se dirá numa próxima vez?

quarta-feira, julho 13, 2005

Piadético

O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Sócrates, quando inquirido sobre a possibilidade de Portugal ser alvo de atentados terroristas, diz que não faz sentido porque os terroristas não usam o critério fotográfico para perpetrar os seus atentados, referindo-se à Cimeira das Lages. Compreendo que Freitas não queira entrar em discursos histriónicos e alarmistas. Mas a sua resposta é despropositada, e se pretendia ser humorística falhou o alvo. Os terroristas têm tido um critério, que aliás expressam claramente nos vários comunicados onde reivindicam os ataques: aterrorizar os países que alinharam com a ocupação do Iraque, é um deles. No comunicado sobre Londres afirmavam que Itália e a Dinamarca seriam os próximos alvos. Evidente que não se pode ter a certeza e que se espera que assim não seja, embora o padrão e as declarações feitas pela Al-Qaeda e afins assim indique. Mas zombar do nosso alinhamento na Guerra do Iraque, dizendo que os terroristas não vão ao arquivo fotográfico é superficial e de mau-gosto. Especialmente para quem se opôs veementemente contra as posições bélicas da administração Bush.

Esfriamento global

Uma das questões principais na agenda da reunião do G8 era o aquecimento global. Bush não mudou a sua posição sobre esta matéria. Continua a reconhecer que o problema existe e é grave, mas não toma nenhuma acção concreta sobre o mesmo. O comunicado de Glenealges é vago quanto as seus objectivos e omisso relativamente a tempos, mencionando uma vez apenas o Protocolo de Quioto. Quer isto dizer que, não obstante o facto das posições dos outros países, nomeadamente do Reino Unido, serem inicialmente diversas das dos EUA, no final, e neste documento, acabam por aproximar-se das posições de Bush. Nada mudou desde as intenções expressas em 1992. Há 13 anos atrás.

Quimera


Experiências para criar macacos com cérebro humano.

Sociedade Aberta

Gosto cada vez mais do programa de António José Teixeira SOCIEDADE ABERTA na SIC-Notícias.É um prazer ver Mário Soares em forma ainda com vontade de encontrar novos caminhos para a esquerda e para Portugal.Posso não estar sempre de acordo com ele mas reconheço nele um homem com ideias sobre o futuro e que as anuncia com liberdade e coragem.Não se abriga no consenso histórico feito à sua volta.

terça-feira, julho 12, 2005

Contra a execução

do Ballet Gulbenkian, petição aqui.

Causas exógenas

Embora ainda não confirmado, há agora uma forte suspeita que os ataques em Londres foram levados a cabo por bombistas suicidas.
Já uma vez aqui me referi à investigação de Robert Pape, professor da Universidade de Chicago, sobre os bombistas suicidas e o perfil dos terroristas, tendo reunido a maior base de dados do mundo sobre esta matéria. O seu mais recente livro foi bem acolhido, mas desde o ataque a Londres, tem recebido particular atenção.
No passado domingo, o autor publicou um artigo no NY Times, em que mostrava como o terrorismo islâmico é, sobretudo, uma resposta à ocupação dos países por americanos e europeus- desmontando sistematicamente a tese da sua ligação a motivações religiosas- e como o recrutamento de terroristas é sobretudo feito aí e em países aliados dos EUA e não dos habitualmente tidos como tal (Irão, Líbia, Iraque):
"the overwhelming majority of attackers are citizens of Saudi Arabia and other Persian Gulf countries in which the United States has stationed combat troops since 1990. Of the other suicide terrorists, most came from America's closest allies in the Muslim world - Turkey, Egypt, Pakistan, Indonesia and Morocco - rather than from those the State Department considers "state sponsors of terrorism" like Iran, Libya, Sudan and Iraq."
Nos gráficos mostra-se isso mesmo, tanto quanto o deliberado planeamento dos ataques relativamente à nacionalidade das vítimas:
"what is common among the attacks is not their location but the identity of the victims killed. Since 2002, the group has killed citizens from 18 of the 20 countries that Osama bin Laden has cited as supporting the American invasions of Afghanistan and Iraq."
TAC: So if Islamic fundamentalism is not necessarily a key variable behind these groups, what is?
RP: The central fact is that overwhelmingly suicide-terrorist attacks are not driven by religion as much as they are by a clear strategic objective: to compel modern democracies to withdraw military forces from the territory that the terrorists view as their homeland. From Lebanon to Sri Lanka to Chechnya to Kashmir to the West Bank, every major suicide-terrorist campaign—over 95 percent of all the incidents—has had as its central objective to compel a democratic state to withdraw.(...)
The evidence shows that the presence of American troops is clearly the pivotal factor driving suicide terrorism.
Podem fazer o download de um dos seus artigos aqui. (PDF)

À Mesa com Miguel

Sigo,divertido,o episódio da saída de Miguel do Benfica.
Parece que o grande problema é sentar Miguel,uma dificuldade que Marçal Grilo já tinha sentido em relação a todo o mundo em idade escolar.O paternalismo alverquiano de Filipe Vieira só revela que o presidente do SLB não deve ter visto jogar o ex-extremo direito na época finda.
Miguel jogou toda a época ,quando não estava em prolongado lesionamento,como se já estivesse sentado à mesa das negociações.Passou de lesionado crónico a jogador displicente e individualista.Criava alguns desequilibrios ao correr rapidamente 20-30 metros,mas raramente passava a bola em condições na zona da grande àrea ..Quando rematava,para as estatísticas,o guarda redes adversário ficava normalmente aliviado.
Miguel passou a época à espera que fossem ter com ele à mesa das negociaçóes.No campo só Scolari o pode ter apreciado.Eu não.Há um ano que é claro que Miguel não quer continuar no Glorioso.Viva o Alex!

Aviso por causa da moral

Juval Aviv, perito em contra-terrorismo afirma que os EUA irão sofrer novo atentado no máximo daqui a 90 dias.

O choque da vigília

Manifestações anti-terrorismo e de solidariedade com Londres. Na Jordânia e no Bahrein.

segunda-feira, julho 11, 2005

Começar de novo

"Na verdade, a Fenda é uma ideia em construção porque andamos sempre em círculos à procura da editora ideal, embora recuemos, também sempre, para este ponto absolutamente incontornável e cada vez menos encurralado no subconsciente que é o de concluír que o que verdadeiramente gostávamos era de não precisar de vender os livros que fazemos", diz Vasco Santos em entrevista para o Milfolhas, a propósito do regresso da editora Fenda, nascida em Coimbra nos finais desencantados dos anos setenta.
Com Biker, retoma o projecto afortunadamente inacabado, em crescimento, nascido ao que parece a partir de fortes fundações. " É um espaço de liberdade e o único sítio onde faço o que verdadeiramente quero,sem preocupações competitivas.",diz Biker.
"É o regresso à dimensão artesanal, à filigrana, ao prazer de fazer livros que queremos ler eternamente."(Vasco Santos)
Os títulos anunciados prometem.
Mais importante que isso, a Fenda continua em construção," a atacar as grandes certezas com as grandes dúvidas"(V. Santos),num continuado exercício de liberdade.

António Poppe ou o poema contínuo

Aos poucos, não sem espanto, vai-se fazendo silêncio na sala. É o tempo do poema. Herberto Helder, Ramos Rosa, Eugénio de Andrade, o próprio Poppe e muitos outros num corpo apenas. Poema fluindo. Um momento breve basta para deixar a tentação de reconhecer o autor, o lugar, a idade do poema. Porque o poema de Poppe é uma água contínua,e é um fogo. Um ostinatto que permite a dança entre o tempo interior e os outros tempos- o de quem ouve, o do mundo sendo, o tempo próprio do poema.
Vale a pena entrar neste limbo, conduzidos pela fragilidade, pela beleza e pelo ímpeto, sem nenhuma linha a indicar caminho que não seja a coragem da eterna deambulação.

Era uma vez um arrastão

Já referida neste blog, a investigação de Diana Andringa desvela o que ficou encoberto no que diz respeito ao tão publicitado "arrastão de Carcavelos", mostrando que (infelizmente) é preciso uma boa dose de voluntarismo e militância para tornar públicos os enviesamentos com que muitas vezes se tratam os factos. Esta versão dos acontecimentos é absolutamente nova, e vale a pena gastar uns minutos com ela para podermos pensar em como montanhas podem parir ratos, e sobretudo em como se havia transformado tão gratuitamente um rato numa montanha.
Emprenhar pelos olhos e pelos ouvidos pode acontecer, quando as manchetes dos jornais e as notícias televisivas de primeira linha despertam insegurança e medo. Fantasiar acerca do sucedido é comum, para aqueles que, como eu, são espectadores e cidadãos comuns.
Agora, que os jornalistas envolvidos não se retratem, num pedido de desculpas público sem equívocos, não é aceitável. Na minha opinião, claro.

A não perder:

www.eraumavezumarrastao.net

Somos todos "Neo-Keynesianos"

Cliping do dia:

"Esta gente é perigosa. Talvez bem intencionada, mas imprudente. Sem medir as consequências, nem tomar precauções. Foram eles que nos envolveram no Euro 2004. E que têm a responsabilidade do desperdício que representou a construção daqueles estádios. Não parece que tenham percebido o mal que fizeram."
- António Amaro de Matos in Diário Económico

"As grandes obras públicas são um novo-riquismo provinciano."
- João Salgueiro in Diário Económico

No Reino Do Luxemburgo

Temo que o resultado favorável ao SIM ao Tratado Constitucional no GRÃO-DUCADO do Luxemburgo dê a volta a muita cabecinha euro-tonta.A JAD já assinalou aqui esse perigo nacional e internacional.

A minha preocupação é mais de natureza nacional.O Presidente da República recebe esta semana um ramo de pensadores europeístas muito inclinados para o lado barroco da construção europeia,e ,depois, reúne o Conselho de Estado para analisar o momento político da União Europeia,o que é louvável e necessário.Porém não voltaremos à euro-euforia dos que continuam a ser bons alunos de maus mestres?


A OMS e os EUA

A pílula abortiva foi incluída pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na sua lista de medicamentos essenciais, fármacos considerados "seguros" e "eficazes" na melhoria das condições de saúde"; "medicamentos essenciais para patologias prioritárias para as quais são necessários diagnósticos e / ou cuidados médicos especializados e/ou treino específico".

London calling

Aceitar uma morte inesperada ou súbita é sempre mais complicado do que fazer o luto por uma morte esperada, mesmo que perda dolorosa. A morte de uma criança, porque contra ciclo vital, é de integração penosa. Atribuir sentido, dar significado, ao contrário de uma morte no final da vida, é mais complexo, mesmo que o enlutado seja dotado de interpretações transcendentais ou religiosas. Contudo, a perda ambígua, como aquela pela qual passam agora os londrinos que procuram os seus familiares, ou como a que suportaram muitos dos sobreviventes ao tsunami, ou ainda como aquela que arcam os familiares dos desaparecidos em combate, não é menos dramática. Difícil fazer o luto porque significa desistir da esperança, mesmo que magra. Difícil suster o alento: cada dia é racionalmente mais fatídico. Difícil exigir uma resposta, pois a sua suspensão é tantas vezes a única forma de acreditar no impossível. Negada a oportunidade "atempada" de ritualizar a perda, "enterrar os mortos". Duas ou três semanas mais de espera, dizem as autoridades britânicas. Uma eternidade para quem vive nesse limbo.

Sem esperanto

Os eurocratas não aprenderam rigorosamente nada com o Nee e o Non. Ousam falar de ressuscitar a Constituição depois da sua ratificação pelo Luxemburgo. Que parte do Não é que eles não perceberam?

Os Toranja

A saga Jardim continua. Depois de ter proferido declarações xenófobas, repetiu. Depois de ter hostilizado Marques Mendes, repete a dose. E o PSD que fará? Os criadores do mostro fazem o quê ao dito, quando ele se insurge? Parece que esta recuperação da direita encalhou algures no oceano Atlântico.

domingo, julho 10, 2005

Prós e Contras Chicago vs Lx IX- Adagietto


Prós IX
Rough-and-tumble-business Chicago after the fire was a regional capital, and in many ways, because of its innovation in industrial method and in architecture, because of its mixture of brutal wickedness and revolution newness, the blood of the yards, the showpiece gems of the lakefront, the seething of immigrant slums, because of its violence, and creative energy, it was also a world city.
Saul Bellow

(Cartaz de The Poetry Center of Chicago, divulgando conferência de Bellow )


Contras IX

Lisboa com suas casas

De várias cores,

Lisboa com suas casas

De várias cores,

Lisboa com suas casas

De várias cores ...

À força de diferente, isto é monótono.

Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,

Na lucidez inútil de não poder dormir,

Quero imaginar qualquer coisa

E surge sempre outra (porque há sono,

E, porque há sono, um bocado de sonho),

Quero alongar a vista com que imagino

Por grandes palmares fantásticos,

Mas não vejo mais,

Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,

Que Lisboa com suas casas

De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.

A força de monótono, é diferente.

E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,

Lisboa com suas casas

De várias cores.

(Lisboa, Álvaro de Campos)

Prós e Contras Chicago vs Lx VIII- Andantino


Prós VIII

There was no colour in the street and no beauty- only a maze of wire ropes overhead and dirty flagging stone under foot. Having seen it, I urgently desire never to see it again. It is inhabited by savages.
Rudyard Kipling.
(The Book of Chicago by Robert Shackleton,1920).
Contras VIII
I shall always be glad to have seen it—for the same reason Papa gave for being glad to have seen Lisbon—namely, “that it will be unnecessary ever to see it again.
Winston Churchill (On Calcutta, 1896- letter to his mother- in John Colville 1985, The Fringes of Power, Norton.)

Ainda assim, 50% recenseiam-se…

O Expresso, sob um título pouco correcto de “50% dos jovens não querem votar”, explica que metade dos jovens que atingiram a maioridade nos últimos quatro anos não estão recenseados. Não quer dizer que não queiram votar. A questão é mais complexa e diz respeito ao fosso que se tem vindo a agravar entre cidadãos e os sistemas burocráticos e políticos. Na campanha das legislativas em Fevereiro, um amigo sugeria que fosse lançada uma campanha nacional pelo recenseamento de jovens. Uma campanha bem feita, que dispense as habituais parvoeiras das campanhas dirigidas aos jovens- para mim é inesquecível aquela campanha antitabagista que dizia Maria: 15 anos, joga ténis, gosta de música, vai ao cinema e não fuma; João: 16 anos, surfista, toca guitarra, curte a neve, não fuma. Como dizia um outro amigo meu, dava vontade de responder: Natacha, 17 anos, pais alcoólicos, mora desde sempre num bairro de lata, prostitui-se, tem SIDA, droga-se e fuma.
Mas voltando à questão do recenseamento, uma campanha com genica era fundamental. Se calhar mostrava mais o interesse genuíno pela participação cidadã do que muitos discursos pungentes sobre a abstenção e afins.

ART&rial VI

ART&rial I, ART&rial II, ART&rial III, ART&rial IV, ART&rial V


O quadro de El Greco, de que falei no ART&rial IV, é um resgate. No final do séc. XIX, Mary Casset, uma pintora impressionista americana estabelecida em Paris, tropeçou nele. À época as mulheres pintoras existiam atrás do cortina…e El Greco não era estimado como hoje. Casset, audaz e intuitiva, pretendeu passar o quadro das mãos de um negociante de arte para o Art Institute of Chicago, que acabou por o comprar por uma ninharia.
A Virgem de Corregio, a que me referi no ART&rial III, foi roubada no ano em que o AI a comprou.
A Salomé de Guido Reni já valeu muito mais do que hoje oferecem por ela. É uma das pinturas do AI que me fez cativa. O pintor de Bolonha, discípulo de Caracci, era altamente considerado antes de, no séc. XIX Rosqui, um proeminente crítico de arte, ter opinado desdenhosamente sobre ele.
Num dos episódios bíblicos mais violentos, Salomé, ao ver a cabeça de João Baptista na bandeja, demonstra tal sobranceria, tal frieza e impenetrabilidade. O Santo vai sereno e ninguém desarma a não ser o inoportuno do fundo, que se permite à surpresa.
Grande discussão gerou este quadro sobre se estaria ou não terminado, já que a parte debaixo não evidencia a precisão e o cuidado do resto da obra. Nem noutros quadros seus, como os vários que estão expostos no Louvre, exibem tal opção. Teria o pintor morrido antes de terminar a obra? Morreria com o pincel na mão? Não lhe terá valido o golpe, porque passou a valer incomensuravelmente menos? Guido foi sempre a cobiça dos seus pares e enriqueceu com o seu talento. Em pouco tempo deitou tudo no jogo, acabando por falecer na ruína…a sua Salomé persiste impávida.
Um quadro pode valer uma fortuna ou ter mudado a história da arte. Pode comover como o choro de uma criança ou atordoar-nos com a sua presença. Olhamos para um quadro e vemos a cor, as formas, a disposição, a luz. Identificamos o autor, situamo-lo no carril do tempo. Mas um quadro também tem a sua própria história. A que não consta das placas que o acompanham nos museus e galerias. Que não vive nos panfletos para turistas nem subsiste na conversa do café onde se vendem postais de impressionistas, cartas de jogar com os girassóis de van Gogh, chapéus-de-chuva com as nuvens de Magritte, posters para todos os gostos e T-shirts que, falhado a impressão da memória, servirão de recordação.
Quando olhamos para a tela, ali aniquilando a neutralidade da parede, podemos esquecer que apenas está suspensa num momento do seu trajecto. Foi encomendada ou fruto do puro prazer de pintar. O seu criador dependia dela para comer ou para se galantear. Foi vendida ou abandonada. Já valeu muito, já valeu pouco. Teve vários donos, foi roubada ou recuperada da agonia de uma cave, oferecida ou leiloada, doada ou emprestada.
Depois, a proveniência da obra tem outras coisas…a história da sua posse ajuda a determinar a sua autoria e legitimidade, as suas costas têm selos e carimbos de exposições e galerias- das várias casas que enfeitiçou. Um quadro pode valer porque pertenceu a alguém. Pode valer porque esteve exposto em certo museu. Pode valer por causa da moldura.
Quem era a rapariga eternizada num quadro de Van Eyck? Porque se debruçava aquele homem? E de quem eram aqueles braços que parecem capazes do mundo?
Conhecer a história de um quadro, é também gratificarmo-nos com a sua sobrevivência. Porque interessa conhecer biografias de admiráveis? Pelo mesmo motivo que interessa saber a história de um quadro. É isso mesmo, um quadro tem uma vida própria. É um ser.

Blogues inter-geracionais

O meu amigo do tempo do liceu Antero de Quental,Cristovão de Aguiar,autor do mais portentoso título da actual literatura portuguesa-RAÍZ COMOVIDA-partilha um blogue com o seu filho Aguiar-Conraria que se tem notabilizado pelas observações construtivas ao novo mundo da blogosfera.Gosto dessas alianças inter-geracionais.Afinal eu tenho idade para ser pai da Joana Vicente Dias!

O blogue chama-se A DESTREZA DAS DÚVIDAS.

Aqui ao lado.


Diana Andringa investiga de graça

O resultado do breve inquérito de Diana Andringa aos acontecimentos do dia 10 de Junho na praia de Carcavelos é um atestado de negligência a todos os serviços de Estado que se deixaram paralizar pelo ruído da contra-informação organizada de maneira profissional ou amadora.Num post anterior dizia achar mais grave a falta de apuramento desses acontecimentos,entretanto desmentidos por reportagem no jornal A CAPITAL,do que as afirmações lamentáveis de Alberto João Jardim sobre os asiáticos na Madeira.

Infelizmente há muito democrata continental que só repara nas sombras madeirenses e não enxerga o ovo da serpente bem perto da porta.

Espera-se que ,pelo menos a Assembleia da República ,queira saber o que se passou.E na comunicação social ninguém investiga as responsabilidades editoriais ?


sábado, julho 09, 2005

Capricho de menino


Em Portugal o cargo de deputado é desconsiderado. Muitas vezes visto apenas como ponto de passagem ou campo de treino para os governos. É realmente lamentável que assim seja, porque uma Assembleia da República é o pulsar da democracia. O cargo de deputado não apenas tem sido desconsiderado na corrente geral do desprezo pelos políticos, como é desdenhado pela maioria dos próprios políticos. Vem isto a propósito das declarações de Santana Lopes (Expresso) que admite assumir temporariamente o lugar de deputado após deixar a Câmara de Lisboa. Claro que Santana acrescenta que não tem grande gosto pela função de deputado e que, caso assuma o cargo, é porque quer “defender no Parlamento a honra dos últimos governos do PSD, incluindo do seu, que considera não estar a ser bem tratada pela actual liderança do partido”. Para além das habituais brincadeiras a que este comentário de Santana se presta, ele é revelador da depreciação que mencionava. Se Santana dissesse que não tem gosto pela função e não a assumisse era, apesar de tudo, compreensível. Se dissesse que não tem gosto, mas acredita que é um momento crucial para o país e por isso assume o cargo, também (com mais custo, e uma vez mais, brincadeiras à parte), compreensível. Contudo, não tem gosto pela função, mas considera assumi-la. Considera assumi-la para defender o seu sepultado governo. É capricho e dos rasteiros.

Boomerang

A Itália é hoje o maior apoiante da coligação Blair-Bush. Mas vai retirar as suas tropas do Iraque em Setembro. Infelizmente, quem é que está a ficar isolado? Os terroristas ou os EUA?

Ai, que liberais…

O primeiro pensamento de Brit Hume, apresentador e editor da Fox News, quando soube dos ataques em Londres, foi: “que bela oportunidade para fazer negócio”. Brian Kilmeade também da Fox, consegue descobrir ainda mais vantagens no hediondo ataque a Londres:
“I think that works to our advantage, in the Western world's advantage, for people to experience something like this together, just 500 miles from where the attacks have happened.”

Foi arrastado

Segundo o Expresso de hoje, o comandante da PSP de Lisboa, Oliveira Pereira, afirma ter sido «pressionado» para dizer que os incidentes de 10 de Junho em Carcavelos foram um «arrastão» e envolveram 400 pessoas, conforme referiu um comunicado da Polícia.

sexta-feira, julho 08, 2005

DE NOVO AS IDEOLOGIAS?

De ontem para hoje muitos foram os comentadores que falaram de uma guerra ideológica a propósito do ataque vândalo a Londres.Ainda há pouco tempo muitos deles tinham decretado a morte das ideologias,e eis que as ressuscitam antes do terceiro dia.

É indiscutível que há um forte elemento religioso-ideológico na actividade terrorista ligada ao fundamentalismo islâmico.Mas não se deve confundir o aumento da capacidade de violência terrorista com o crescimento desse factor ideológico.

Curiosamente,esse elemento religioso-ideológico foi muito maior na fase inicial ,e interna,quando os actos terroristas tiveram por alvo políticos laicos em países de forte componente muçulmana como a Argélia.A pueril indiferença com que esses ataques foram apreciados então entre nós diz muito sobre a capacidade de anãlise autónoma de muitos responsáveis ocidentais.Por um momento quase nos convenciam que,na Argélia,os terroristas ligados ao fundamentalismo islâmico,lutavam por uma sociedade pluralista num Estado monolítico saído dos subterrâneos da luta pela descolonizaçâo da Argélia.Estive lá na altura e vi como se sentiam isolados os defensores da separação do Corão e do Estado.

Pois agora que os actos terroristas dessa proveniência têm,apesar de tudo ,uma lógica estratégica que permite perceber o que pretendem,voltamos à guerra ideológica?


Mind the Gap

A posição de Bush. O Erro:

We are fighting these terrorists with our military in Afghanistan and Iraq and beyond so we do not have to face them in the streets of our own cities.

É a estratégia conhecida como flypaper theory. Para além de no Iraque não existirem ADM, o Iraque tornou-se num covil de terrorismo e recrutamento de terroristas. O número diário de ataques por insurgentes em Fevereiro deste ano era 70. No mesmo mês de 2004 eram 14.
E a guerra não tem tornado o mundo ocidental mais seguro, antes pelo contrário. Este inominável ataque a Londres desmente totalmente a ideia de que a Al-Qaeda já não está apta a montar um ataque coordenado e de grandes dimensões. É evidente que o terrorismo não foi criado pela guerra no Iraque. Aliás, se há países europeus que conhecem outros terrorismos é o Reino Unido e a Espanha. O terrorismo islâmico não foi criado pela guerra no Iraque mas foi, indubitavelmente, alimentado por ela. Este gráfico da BTC news, permite a constatação.
Os ataques terroristas tiveram o seu ponto mais baixo em 2000.
Os ataques terroristas triplicaram em 2004. Em 2005 esse número aumentou ainda mais.

No Público de hoje pode também ler-se: “A 31 de Maio, o juiz francês Jean Louis Bruguière, especializado em terrorismo, declarava à BBC que “a actual Al-Qaeda fragmentada” é uma ameaça maior do que antes. Está a recrutar jovens muçulmanos radicalizados pela guerra
do Iraque (…) O MI5 — responsável pelo contraterrorismo — tem manifestado preocupação pela radicalização de jovens muçulmanos e pela partida de muitos para o Iraque onde se vão integrar na guerrilha, escreve o analista militar do Guardian, Richard Norton-Taylor. (…) Um relatório de Departamento de Estado americano, de fins de Fevereiro, traça um panorama pessimista. O número de atentados terroristas passou de 175 em 2003 para 655 em 2004. “O ano de 2003 foi mau e 2004 é pior”, escreveu Larry Johnson, antigo responsável do combate ao terrorismo. “Ao contrário do que a Administração [Bush] dá entender, estes números têm uma importância considerável. Mostram que a jiahd não está em recuo, mesmo se a Al-Qaeda está
enfraquecida.” É preocupante a “difusão da sua ideologia”. A ocupação do Iraque e a opção americana pela linha militar no combate ao terrorismo terão um papel importante nesta deterioração. “
Na verdade, ontem perdemos mais um bocadinho de liberdade. A Economist chamava-lhe o dilema entra a segurança e a liberdade. Mas não há dilema nenhum, apenas uma escalada lenta e progressiva. As leis anti-terrotistas, o Patriot Act, os Bilhetes de Identidade Compulsivos, as largas margens de actuação concedidas ao FBI, Guantánamo, são sintomas. Não há dilema. Houve uma escolha e a foi errada. Para além do mais, a tensão entre muçulmanos não radicais e europeus/americanos, vai num crescendo. Cada vez mais, e não obstante o facto destes muçulmanos serem um alvo tanto como os londrinos ou os nova-iorquinos*, há uma suspeita. Cada muçulmano torna-se num suspeito e é olhado com desconfiança.
Das muitas conversas que tenho tido com muçulmanos nos EUA, uma coisa ressalta: ou já cá nasceram ou vivem aqui há 10, 20, 30 anos, mas nunca se sentiram tão mal. Os seus filhos nasceram aqui. Sempre se sentiram razoavelmente bem recebidos e integrados. Trabalham e pagam impostos. Depois do 11 de Setembro, passaram a ser “especialmente” revistados nos aeroportos, sujeitos a interrogatórios policiais sem motivo que tivesse sido apresentado. Os seus filhos começaram a ter tratamento diferente nas escolas. Por outras crianças. Muitos não sonham em regressar aos seus países. A sua pátria é aqui. Mas custa. Numa conversa que tive com um árabe, com cidadania americana, residente em Chicago há 32 anos, ele dizia qualquer coisa deste género: “Você é mulher e branca. É europeia. Eu sou homem e muçulmano. Deixei o país onde nasci há mais de 30 anos. Depois do 11 de Setembro tornei-me lixo. Você nunca compreenderá como é ser todos os dias olhado de soslaio no metro, a caminho do trabalho. Ou ser revistado numa sala especial do aeroporto, com toda a gente a olhar. Ou o seu filho chegar a casa lavado em lágrimas porque os o chamaram de assassino. Depois do 11 de Setembro deixei de ser cidadão. Os meus direitos são teóricos. Não tenho país.”
Aliás, hoje os mulçumanos londrinos já começaram a ser alvo de ataques.
É, como diz T. Friedman no NYT desta sexta-feira, o sonho de Bin Laden concretizado: a criação de uma fenda entre o mundo mulçumano e ocidental.
E é esta a Al-Qaeda que temos agora: fragmentada e espalhada, como as metástases de um cancro. A quem podemos "responder" agora? Como responder a estes ataques se não há um centro? Enfim….onde está Bin Laden? Onde estão os campos de treino dos terroristas?
Enquanto o Ocidente não perceber que só com o mundo muçulmano do seu lado poderá combater os radicais muçulmanos, estes ataques repetir-se-ão. E provavelmente com progressiva maior frequência.

Insuficiente


A alteração da Lei da Nacionalidade proposta pelo Governo faz depender a aquisição de nacionalidade portuguesa do estatuto legal dos pais. A Plataforma das Organizações de Imigrantes já reagiu, considerando “absurda” esta condição. Mamadou Ba, porta-voz, entende que a nacionalidade portuguesa deveria ser concedida a todos os filhos de imigrantes em Portugal. É evidente que esta alteração à Lei da Nacionalidade fica muito aquém de resolver os problemas das segundas gerações.
Portugal continua sem não perceber que nunca haverá integração sem nacionalidade.

Há lá melhor retrato do país?


Consta do Público de hoje (linkador-pagador)

O Tribunal Criminal do Funchal condenou ontem o advogado e articulista António Fontes a pagar uma indemnização de 2500 euros a Alberto João Jardim, por prática de um crime de difamação. Trata-se de um artigo publicado em 2001 no semanário Tribuna da Madeira, sob o título O garotinho da Quinta, que o tribunal considera “juízos de desvalor sobre a personalidade” de Jardim que “configuram um atentado à honra do cidadão e presidente do Governo Regional”. Fontes escreveu “jurista medíocre”; “cobarde por gozar da imunidade que lhe é conferida por lei”; “falho de
princípios e dos mais elementares valores éticos e morais” e fechado “na sua
concha egocêntrica de arrogância, prepotência e de completa falha de respeito pelos outros” . Muito justo, sim senhor.
CONTUDO: O tribunal reconheceu que Jardim “verbalmente, aos meios de comunicação social e em comícios, e por escrito, em especial em post-scriptum dos seus artigos de opinião publicados no Jornal da Madeira, tem apelidado, entre outros, os ambientalistas e os partidos da oposição regional e respectivos membros de ‘rascas’, ‘rafeiros’, ‘incompetentes’, ‘covardes’, ‘mafiosos’, ‘parvalhões’, ‘abutres’, ‘malandros’, ‘canalhas’, ‘vigaristas’, ‘tarados’, ‘tontos’, ‘broncos’, ‘psiquicamente doentes’ e ‘subversivos idiotas’”. As expressões “bastardos” e “filhos da puta”, com que apodou jornalistas, não constam desta relação, por terem sido proferidas por Jardim depois das audiências do julgamento.

O acossado

quinta-feira, julho 07, 2005

G8 ou GB?

Os atentados terroristas em Londres foram interpretados por Blair como dirigidos aos G8 reunidos na Escócia, o que não parece ser o caso. A Grã-bretanha não precisa de se esconder atrás de ninguém para ter a solidariedade de todos nesta hora terrível, aliás esperada.

Ver ao longe

O que se passou ontem em Londres comprova que não há relativismo cultural capaz de justificar a tolerância para com o terrorismo inspirado pelo fundamentalismo religioso. Vou mesmo mais longe: independentemente das tropelias da Administração Bush, que muitas vezes são mais parte do problema do que da solução, há que ter a coragem intelectual necessária para reconhecer que a questão de fundo está na laicização, por fazer, do Islão.
A esquerda democrática tem de reclamar como seu o combate contra os estados islâmicos confessionais, violadores dos mais básicos direitos do Homem e da Mulher, e fomentadores de uma esperança vã em sectores da juventude, a quem se promete o paraíso por falta de vontade em conceder a liberdade terrena a que têm direito.

Acutilante

Mordaz

Campos e Cunha alterou a razão para subir a taxa de IVA de 19 para 21 %. Primeiro era o discurso oficial do relatório constâncio. Agora o ministro das Finanças assestou as baterias aos custos das medidas extraordinárias lançadas pelos ex-ministros Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix.

Arguto

Judith Miller

jornalista, recusou-se a revelar as fontes e foi presa. Ficará na história da (falta de) liberdade de imprensa dos EUA.
Aconselho a leitura do Editorial do New York Times.

The War of the Worlds

por Orson Wells.

Isaltino...'tás sózinho

Segundo o JN, Oeiras é o concelho da AML onde se regista o menor índice de criminalidade.

Influenza

O DN de hoje tem um artigo sobre a gripe das aves, onde explica a gravidade do vírus ter passado para as aves migratórias.
Alguns anti-virais podem ajudar mas só quando administrados nas primeiras 24 horas. Por isso mesmo, as notícias que foram divulgadas em que se afirmava que Portugal tinha comprado 2,5 milhões de doses para combater a gripe das aves não são exactas:
Para além disto o stock do Tamiflu, o medicamento comprado por Portugal, é manifestamente insuficiente nos países mais pobres, o que, seguramente, não favorecerá o combate à doença.

quarta-feira, julho 06, 2005

Os chineses da Venezuela

Ontem um comentário anónimo insurgia-se por eu ter feito um elogio à nossa embaixadora em Varsóvia,Margarida Figueiredo,no dia de mais uma rotineira reunião do G8 e da respectiva manifestação de protesto,do vigésimo anúncio de decisões irreversíveis sobre o desconchavado TGV e sobre o errante aeroporto da Ota,para além do rectificativo anunciado desde que o PR decidiu dissolver a AR em fins de Novembro do ano passado.Confesso que não encontrei ponta para pegar nesses assuntos.

Já me penitencio por não ter reagido mais cedo ás declarações de Alberto João Jardim contra a presença de indianos e chineses na Madeira onde não seriam bem-vindos.

Como reagiria o Presidente da Região Autónoma da Madeira se o mesmo fosse dito ,por autoridades governamentais,de países como a Venezuela e a Africa do Sul,onde tantos madeirenses labutam à chinesa.?Só não saberia medir com que grau de resiliência.

Porém acho mais grave não se saber ao certo o que aconteceu realmente em Carcavelos no antigo Dia da Raça do que a oração destemperada do transparente Alberto João Jardim.


Contrição

O PSD e o PP estiveram anos na oposição antes da saída de Guterres. Depois estiveram mais 3 no Governo. Estas declarações apenas colocam a questão: se a direita não estava preparada para governar à época, quando é que vai estar? Provavelmente nunca.
Mas o auto-exame é bem vindo.

Psiu!

Os psicólogos estão a reivindicar o seu direito a dar aulas no ensino secundário. Desde sempre que a Psicologia é ensinada nos liceus por professores de Filosofia e História. Isto ainda é mais ridículo quando existem cerca de 44 mil alunos a fazerem prova específica de Psicologia para entrarem nas universidades. Como professora tenho apanhado as consequências: alunos que entram nas licenciaturas em Psicologia sem terem as mínimas bases, embora a maioria tenha tido a disciplina. Pior ainda: muitos têm noções erradas e profundamente desactualizadas. Nos primeiros anos que leccionei tinha a sensação que os alunos tinham sido ensinados há 30 anos atrás. Sabiam e muito mal Freud, Watson e Piaget. Uma história da psicologia dada a martelo, cheia de buracos e sem qualquer referência à contemporaneidade. Sistémica ou Neuropsicologia, por exemplo, são incógnitas para estes alunos. Não responsabilizo os professores de Filosofia ou de História. Não têm culpa de serem colocados a leccionarem o que não sabem. A responsabilidade é dos sucessivos governos. Esta reivindicação arrasta-se há 15 anos.

Jardineira

O Diário Digital, citando a fonte da Capital, coloca a seguinte questão:
Francamente não entendo onde está a questão. As declarações de Jardim foram:
«Está-me a fazer sinal aí porque? Que estão chineses aí, é mesmo bom que eles vejam porque não os quero aqui».
Isto refere-se à actividade?! Refere-se a pessoas que estavam no recinto. É mesmo pessoal. A única má actividade que essas pessoas tiveram foi mesmo estarem num comício do senhor.

África Ocidental

Pacheco Pereira, no seu blog Abrupto, diz sobre as manifestações em Edimburgo: " Os movimentos anti-globalização foram mais uma vez manifestar-se no sítio onde se vai realizar o G8, “contra a pobreza” gerada pelo capitalismo. Este é um dos maiores enganos que se pode alimentar: grande parte da pobreza africana não existe à míngua de ajuda humanitária, mas devido à enorme corrupção dos regimes africanos, à engenharia social, cópia mimética do marxismo europeu, que levou à destruição do pouco que os regimes coloniais tinham deixado, às guerras civis tribais e, se se quiser, nos tempos mais recentes, ao proteccionismo, principalmente europeu, que impede muitos produtos agrícolas africanos de entrarem nos mercados ricos. É mais globalização que os países pobres de África precisam e acima de tudo, intransigência contra a corrupção dos seus dirigentes."
CAA, do Blasfémias, linka o post do Pacheco Pereira, chamando-lhe imperdível, e Rodrigo Adão da Fonseca, do mesmo blog, linka também um post meu, onde eu me limitava a divulgar a notícia dos presos e feridos nas manifestações. O RAF aproveita para gozar um bocadinho, dizendo:
Mas, eles não está lá para levar pancada? (…) Não é isso que se aprende nos Campos de Férias? A causar distúrbios «mediatizáveis»? Don't worry. Bota betadine que passa. Já agora, como é que fazem? A malta por cá também quer fazer uns eventos onde as cadeiras sejam o instrumento central do debate. Podemos frequentar os cursos, a título de «observadores»?

Acho que era desnecessário dizer, mas já que há dúvidas, aproveito para esclarecer que não concordo com a agressão em manifestações e por parte dos manifestantes.
Mas passando ao que é relevante: o que Abrupto e o Blasfémias querem fazer é simplesmente anular as causas destas pessoas. Ambos decidiram desdenhar das manifestações, que lutam por uma proposta justa por parte do G8. Estes protestos são uma continuação dos motivos do Live 8. São causas nobres, relativamente a um continente completamente destruído. Querer reduzir as manifestações a gostar de levar pancada só revela quem tal pensa.
Já a questão da corrupção é mais complexa. É evidente que há corrupção e em barda. Foi injectado muito dinheiro que não deixou rasto. Angola, por exemplo, é considerado um dos países mais corruptos do mundo.
Mas o problema é mais complexo do que isso. JPP ainda refere as desvantagens óbvias que o mercado impõe ao comércio africano. Mas depois ignora tudo o resto. Em primeiro lugar JPP pura e simplesmente finge que não sabe da corrupção OCIDENTAL sobre África; que não sabe da sangria feita pela Europa, pelos EUA e agora pela China dos recursos africanos; que não sabe que a corrupção dos dirigentes africanos é muitas vezes encoberta pelos interesses do mundo ocidental. Porque não menciona o pouquíssimo controlo das transacções e negócios com África ou que à medida que foram engordando uns quantos déspotas africanos, outros europeus tornaram-se obesos? Porque não fala da hipocrisia de perdoar a dívida contraída com o Banco Mundial e deixar a descoberto o empréstimo da banca privada, o que só aumenta o serviço da dívida? "Esquece-se" de mencionar que a contrapartida do fim das dívidas tem sido abrir os países africanos a companhias transnacionais. E omite que a ajuda a África pode (e deve) ser acompanhada por medidas anti-corrupção, o que não tem sido feito até agora.
A Comissão sobre África, cujas conclusões servem de base à discussão do G8, e que produziu um relatório ironicamente designado Our Common Interest, desenhava conclusões e recomendações que estão longe de um mero despejo de dinheiro. Ainda que não possa concordar com tudo o que está expresso, na verdade reconhece que o esforço para limpar África da corrupção tem que ser bilateral.
JPP também não menciona que outra questão quente desta reunião do G8 é a recusa dos EUA em assinarem o protocolo de Quioto. E que essa é também um das razões dos manifestantes.
JPP finge que não sabe uma série de coisas e reduz a agonia de África à corrupção. O Blasfémias bate palmas.
O G8, como aliás já referi noutro post, provavelmente vai dar em coisa nenhuma.