terça-feira, maio 31, 2005

Se um Bush incomoda muita gente, três Bush incomodam muito mais

Ontem Larry King entrevistou Dick Cheney na CNN. Uma conversa patética, com dois momentos especialmente iluminados.
No primeiro, o vice-presidente disse que os abusos em Guantanamo não existem: "And what we're doing down there has, I think, been done perfectly appropriately. I think these people have been well treated, treated humanely and decently.
Occasionally there are allegations of mistreatment. But if you trace those back, in nearly every case, it turns out to come from somebody who had been inside and been released by to their home country and now are peddling lies about how they were treated"
Vídeo aqui.
Aliás, Bush considerou o Relatório da Amnistia Internacional absurdo (ver aqui). Na conferência de imprensa disse o seguinte:
"It seemed like to me they based some of their decisions on the word of -- and the allegations -- by people who were held in detention, people who hate America, people that had been trained in some instances to disassemble -- that means not tell the truth. And so it was an absurd report."

O segundo momento foi quando Cheney declarou ser uma excelente ideia Laura Bush candidatar-se como presidente, na continuação da saga "Dinastia Bush" (uma outra hipótese avançada há umas semanas seria o seu irmão, o Governador Jeb Bush) e vencendo Hillary Clinton, na outra versão da sucessão. Disse o senhor: "It's a great idea, and I think I know who would win too."
Bem lembrado ! Aliás não pode ser um cargo assim tão complicado: se George o faz, a Laura também consegue.

Mau Sinal

As primeiras reacções oficiais em Portugal ao Não em França foram decepcionantes. Tanto Jorge Sampaio como Freitas do Amaral fizeram de conta que o TRATADO CONSTITUCIONAL ainda pode entrar em vigor coisa que jamais acontecerá sem nova conferência europeia e sem modificações substantivas. Em vez de se pretender invadir Paris com mais ratificações inúteis seria melhor começar já a preparar o trabalho de casa para as próximas negociações entre os Estados -membros. Se vamos continuar a argumentar a favor do Sim como iremos depois lutar para introduzir modificações?

Bonjour Tristesse

Nos jornais de hoje, nota-se como o Não francês já começou a inquietar algumas almas lusas, que pretendem precaver "o desastre" no nosso referendo. Que jamais acontecerá, mas pelo sim, pelo não:

Vital Moreira (Público, sem link)
Mas existe também um argumento cínico contra a Constituição europeia, que é o dos que a rejeitam pretensamente “em nome da Europa” e de em nome de uma “outra Constituição”. No seu argumentário, entre nós representado pelo Bloco de Esquerda, o tratado constitucional deve ser rejeitado não por ser uma constituição mas sim por não ser uma genuína constituição aprovada em assembleia constituinte; não por trazer Europa a mais, mas sim por trazer a menos; não por ser um avanço constitucional, mas sim por ser pouco mais do que a constitucionalização do que está, incluindo o modelo económico neoliberal; não por não ser melhor do que o que está, mas sim por ser muito recuada quando comparada com o que deveria ser. (…) A rejeição da Constituição europeia não significará somente prescindir de uma UE mais forte, mais democrática, mais transparente, com instituições mais eficientes e, mesmo, mais social. Implica a abertura de uma crise de confiança e de desorientação (…).

Martins da Cruz, DN

A Europa em crise não arranja os interesses portugueses. (…) Seja como for, o Governo terá que vir explicar ao País por que razão iremos perder 20 a 30% dos fundos que Cavaco Silva, por duas vezes, e Guterres conseguiram trazer de negociações na altura difíceis. A diplomacia portuguesa tem que saber preservar o primeiro-ministro para a batalha final e o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros tem que manter capacidade de interlocução e prosseguir a defesa circular das posições portuguesas que tem vindo a fazer. O deficit pode afectar alguma da nossa credibilidade, mas uma resposta positiva no referendo poderia facilitar um resultado favorável se, como não pode excluir-se, uma decisão sobre os fundos deslizar para o final do ano.

Luís Delgado, DN
A França disse "não" à nova constituição europeia. Problema deles, desde que a maioria dos outros 24 Estados, mesmo com outros referendos negativos, mantenha o propósito e a firmeza de não optar por uma revisão do texto, o que colocaria a UE no ponto zero. Há muitos artigos que provocam profundo desacordo na Carta Constitucional, mas nenhum processo desta magnitude é perfeito e obra acabada. As constituições são textos dinâmicos, e a falta de vontade de um Estado, ou mais dois ou três, não pode invalidar ou perturbar a vontade da maioria. Há modos de contornar o problema, com um novo referendo, mais tarde, e quando todos os outros membros tiverem efectuado a sua própria consulta. O resultado foi um aviso, mas dos franceses para os franceses.
Portanto, nada como repetir os argumentos que falharam em França, mas que por cá serão à prova de bala:
Para Vital Moreira, nada de utopias e que se considere o risco e a desorientação do Não
Para Martins da Cruz há que lembrar os fundos
Para Luís Delgado, os referendos são para enfeitar, e se o voto não estiver de acordo com o esperado, repete-se ou manda-se à fava.
Medo, dinheiro e imposição. Um processo democrático, caros portugueses e portuguesas.

A nova Idade Média


Strong son of God, immortal love,
Whom we, who have not seen Thy face
By faith, and faith alone, embrace,
Believing where we cannot prove.

(Tennyson, In Memoriam)

A propósito do debate evolucionismo/creacionismo que, infelizmente, continua nos E.U.A., escrevi aqui e aqui alguns comentários.
Também referi aqui e aqui a polémica sobre as células estaminais.
Esta semana a New Yorker tem um longo e pertinente artigo sobre o Intelligent Design, de H. Allen Orr, que recomendo.
Evidentemente que estas discussões entroncam numa outra, muito antiga, mais vasta e complexa: a relação entre a Ciência e a Religião. Esta ligação jamais foi pacífica, mas principalmente desde que algumas técnicas se desenvolveram, como a procriação medicamente assisitida, ou a genética se expandiu, parece que os pobres destinos de Galileu e de Giordano Bruno se rescrevem. Sobre isto dizia Einstein:
“And so it seems to me that science not only purifies the religious impulse of the dross of its anthropomorphism but also contributes to a religious spiritualization of our understanding of life. The further the spiritual evolution of mankind advances, the more certain it seems to me that the path to genuine religiosity does not lie through the fear of life, and the fear of death, and blind faith, but through striving after rational knowledge. In this sense I believe that the priest must become a teacher if he wishes to do justice to his lofty educational mission.” (Science, Philosophy and Religion)
Ontem o Papa instigou os italianos a não votarem (ou a votarem contra) o referendo que decorrerá em Junho e que pretende a flexibilização da lei sobre reprodução medicamente assistida. A presente lei, a mais restritiva da Europa, proíbe a doação de óvulos e esperma, limita a três o número de embriões criados através das técnicas in vitro e proíbe toda a pesquisa com embriões. Os defensores da revisão da lei contendem, e eu concordo, que esta limita absurdamente a pesquisa científica tanto quanto os direitos reprodutivos da mulher, já que impossibilita o congelamento de embriões e limita a implantação a três.
A infertilidade, afecta cerca de 15% da população em idade fértil, mais ou menos 300 mil pessoas em Portugal. Mundialmente estima-se que um em cada seis casais é infértil. Para além disto, como aliás se tem verificado em muitos países, a inexistência de leis ou leis muito restritivas, tem instigado ao tráfico de material biológico.
A posição de Ratzinger, um primeiro teste à sua autoridade e liderança, está a já a ser alvo de forte contestação, mesmo entre católicos…pois nem todos eles aceitam que a sua impossibilidade de terem filhos é apenas um mistério, que “cada um tem a sua cruz”.
Aqui se conta a história, por exemplo, de um casal em que ele ficou estéril depois de um tumor. Para além de terem gasto uma fortuna a fazer os tratamentos na Grécia, escapando às restrições da actual lei, são bombardeados nas missas a que assistem, já que são católicos, com propaganda contra a alteração à lei.
Da mesma forma, Bush, desde 2001 (tendo reafirmado as suas intenções na passada semana), está determinado a sufocar a investigação sobre células estaminais nos E.U.A., baseando-se, sobretudo, nas suas convicções religiosas. O seu grande argumento é que tal levaria à destruição de embriões, mais exactamente de blastocistos, mesmo que estes sejam provenientes dos excedentes de clínicas de fertilização (cerca de 400 mil), onde acabarão por ser destruídos. Mas num espectáculo ímpar, Bush, rodeado de mulheres e crianças, declarou que “não existe tal coisa como um embrião excedentário”, advogando a ideia (lançada por grupos ultra conservadores) de que esses embriões deveriam servir para produzir crianças e não células estaminais. Mesmo que os pais biológicos permitissem essa “adopção”, não apenas o número de embriões excedentários é enorme, como, sobretudo, Bush não mencionou, no seu hino à vida, as milhões de pessoas doentes, que poderiam ser salvas através da pesquisa em células estaminais.
Recordo-me de um cartoon que dizia o seguinte:
- Então e que pensas tu da evolução da espécie humana?
- Era capaz de ser boa ideia!

Talleyrand renasce

Sou um leitor frequente do blogue Espírito-de-Xabregas que prolonga a tertúlia secular da mesa 2 do bar Procópio até aos confins do Beato onde tomou uma poliforma variável. Vejo agora que esse interesse é correspondido por alguém que usa a preceito o espírito do ex-bispo revolucionário e que se mete comigo ..à distancia de uma França ..interposée.
A UE bem precisa do renascimento da grande diplomacia!
Eu vi o futuro e ele funciona!

segunda-feira, maio 30, 2005

A Trapalhada Europeia

Qualquer coisa me diz que o NAO em França acabará por ser positivo para o triunfo de uma visão mais à esquerda da U E. e para um melhor relacionamento emtre os Estados-membros.
Desde1992 que se assiste a uma fuga para a frente sem ter em conta o estado da opinião nos diferentes países. A arrogãncia com que os convencionais sem mandato chamaram Constituição ao presente diploma acabou ontem. O povo de esquerda em França desautorizou a sua representação na convenção a começar pelo seu presidente, o tambem françês Giscard D'Estaing. Mas PR, Chirac, governo de direita e PS de François Hollande tambem sofrem na respectiva proporção. Laurent Fabius é o grande vencedor à esquerda pois teve a coragem de se desatrelar da carruagem onde viajam pela Europa fora os socialistas passivos ou pacientes.
As causas da vitória do Não em França não são só internas.Longe disso. Desde 1992 que aumentou a insegurança das populações e a desconfiança entre Estados dada a mutação permanente de objectivos e de regras na U E. O último alargamento foi conduzido sem nenhuma espécie de racionalidade.Os inimigos da U E não teriam feito melhor.
Em Portugal os reciclados de várias aventuras agarraram-se à dogmática europeia com fervor. Haverá agora mais pensamento crítico entre nós?

Memorial à razão desconhecida

Como todas as datas que mudaram o (s) mundo (s), o 11 de Setembro não tem ano. É o 11 de Setembro, 9/11, como nós poderíamos dizer o 25 de Abril ou 1 de Dezembro. Nesse dia a contagem do tempo mudou, passou a ser daí em diante e, tal como com o aniversário de qualquer um de nós, é o dia que se assinala: o ano serve apenas para lembrarmos a distância. O feriado que hoje se celebra nos E.U.A., o Memorial Day, parece desde já marcado pelo facto de estar vivo. Não se lembrarão apenas os mortos de guerras anteriores, mas também os que perderam a vida na guerra no Iraque. Contudo, este 30 de Maio de 2005, parece confuso e alienado. Se imediatamente depois do 11 de Setembro, os americanos sabiam contra quem lutavam e porquê estariam dispostos a perder a vida, agora essa definição é uma nebulosa. Ninguém parece mais saber porque há guerra no Iraque, porque lá morrem os seus filhos e familiares. Não é o memorial ao soldado desconhecido, mas à razão desconhecida. Em nome de quê morreram? Como se justificam estas perdas e se dá sentido a estas mortes? Ground Zero é o sentimento que muitos americanos têm hoje ao assinalar o Memorial Day, mesmo que nestes últimos anos, infelizmente, a data tenha renovado o seu peso.
Se o 11 de Setembro deixou de ter ano, o Memorial Day assinala-se quotidianamente, parecendo desconectado do primeiro, mas tão incompreensível quanto ele.

domingo, maio 29, 2005

A Taça a quem a trabalha

Parabens ao V SETUBAL por ter ganho a Taça.
Se é preciso ser constante para ganhar o campeonato é preciso mais nervo para ficar com a Taça. Nesta final o V SETUBAL foi sempre mais equipa do que o desgastado SLB ainda a jorrar champanhe pelas botas dos seus individualistas jogadores. A primeira tarefa do próximo treinador,seja ele quem for,será de conseguir reunir aquele amontoado de platinis defensivos e dar algum sentido colectivo a um tipo de jogo demasiado virado para a cobrança de faltas à entrada da área!
Assim o Glorioso não chegará aos oitavos de final da LIGA EUROPEIA e arrisca-se a saír chamuscado.
Gostava de referir uma conversa ocasional no principio desta época com o ex-treinador do Setúbal com JOSE COUCEIRO em que este me referíu como estava confiante com a equipa. Por isso parabens tambem ao jovem treinador .

O Monstro Vivo

Acabo de vir do Algarve pela auto-estrada que finalmente ligou aquele antigo reino ao Estado Portugues sem ser por mar ou avião como acontecia no tempo do respeito pela libra esterlina.Passei pela Ponte Vasco da Gama onde parece que a engenharia financeira foi tão decisiva quanto a civil.Contemplei a calçada à portuguesa do Parque das Nações tão encarecida em termos de auto-estima nos tempos gloriosos da EXPO 98.Que bonito monstro!

Rush Hour

Aproveitando o feriado de segunda-feira (é o Memorial Day nos E.U.A., assinalando os mortos em combate), vim passar o fim-de-semana a Nova Iorque. Este é um dos fins-de-semana mais movimentados dos E.U.A. (apenas ultrapassado pelo Thanksgiving), durante o qual se viaja para visitar familiares e campas. Chegada de Chicago, Nova Iorque pareceu mais apinhada e abespinhada do que nunca, mais suja e mais bruta. Central Park (que todos repetem ser maior do que o Mónaco, que sempre serve para estas comparações) continua surpreendente, resistindo à louca especulação imobiliária, surdo e desligado da luta inominável da ilha. Frank Lloyd Wright, no Chicago Culture, comparava as duas cidades assim: “É onde a vida é fundamental e livre que os homens desenvolvem a visão necessária para revelar a alma humana no florescimento que ela impele… Num grande workshop como Chicago este poder criativo germina, apesar da brutalidade e da preocupação egoísta que o expele para outro lugar para se alimentar. Homens deste tipo têm amado Chicago, têm trabalhado para ela e têm acreditado nela. A coisa mais difícil que têm tido que suportar é a vergonha de Chicago. Estes homens podiam viver e trabalhar aqui, enquanto viver e trabalhar em Nova Iorque estimularia o seu génio e encher-lhes-ia a bolsa…Nova Iorque ainda acredita que a arte deveria ser importada; trazida em navios; e é um mercado bastante satisfeito. Portanto, enquanto Nova Iorque tem reproduzido muito e produzido nada, as conquistas de Chicago na arquitectura têm conquistado reconhecimento mundial enquanto arquitectura distintamente americana.”

sábado, maio 28, 2005

Deja vu

" They are making such a horrible muddle of the Near East. I confidently anticipate that it will be much worse than it was before the war." A frase e de Gertrude Bell, de 1919, a proposito da ocupacao do Iraque feita pelos britanicos ate 1958. (Este computador nao tem acentos!).
Vale a pena ler este artigo na Harpers, de Karl E. Meyer, que estabelece um paralelo historico entre este periodo da historia do Iraque e a actual situacao. Termina dizendo: "The United States is not bound by destiny to fail in Iraq. But to repeat British strategies and expect better results is the essence of folly. Here is what we know: That vengeance will be the price of granting Iraq sham independence, that protracted occupation and embedded bases breed certain hatred, and that showing a decent respect for Islamic culture, and doing so conspicuously, is the vital precondition for a successful exit from the present morass. That is the promise of history."

Se calhar Cavaco tinha razao

No Index da Harper's de Junho:
Numero medio de horas que leva a ler em voz alta um Washington Post de um dia da semana: 28.

sexta-feira, maio 27, 2005

Para desenjoar do défice...António Ramos Rosa ,intemporal,em alta

Clamo dentro de um círculo
é um confuso clamor de silêncios subterrâneos
de alguém envolto numa névoa tenaz
alguém que é ninguém
e todavia é um cavalo esquartejado

Sou uma palavra anelante uma palavra suspensa
que quer ser mão estrela navio ou cometa
o volumptuoso pulso de um felino
o puro espaço de um olhar
uma varanda aberta para um silêncio azul
uma amêndoa de água lisa e musical

Busco a liberdade busco a dança
busco o diamante de água
e sinto a rosa tranquila da liberdade estática
dinâmica pura na sua inércia pura
Busco a liberdade busco a dança
no apetite inteiro da vida inteira
com a fúria de um búfalo e a delicadeza de uma gazela

Quero encontrar uma palavra que seja apenas uma palavra
como uma arma nua e transparente
quero encontrar uma palavra como uma nuca sem palavras
quero encontrar uma palavra maravilhosa como um clianto
que é uma palavra e uma flor na plena aliança da voz e da visão
quero reunir os gomos de uma laranja de silêncio
quero advinhar uma ternura trémula nas portas de lua de uns joelhos
quero e quero e cada vez mais quero as palavras vivas
tão frescas e delicadas como o púbis de uma adolescente
tão solitárias e luminosas
como os campos imóveis sob a lua
tão minuciosas e puras como a concha de oiro e trigo de um umbigo
tão movediças como a migração da areia para o mar
tão resplandescentes como as ilhas brancas do meio dia.

in Clamores, Editorial Caminho,1992

quinta-feira, maio 26, 2005

Entrar Mudo e Sair Calado

Sócrates já fez muito. Senão vejamos:
1. Saiu-lhe a sorte grande quando o PSD e o Durão Barroso decidiram pôr o ilustre Santana como primeiro ministro;
2. Conseguiu uma maioria absoluta sem fazer mais nada para além de deixar Santana e Portas serem quem são;
3. Ganhou umas eleições onde a principal bandeira era "Choque Tecnológico";
4.Conseguiu dar cabo de metade da ala esquerda do PS e domesticar a outra metade;
5. Conseguiu dividir as mulheres do partido;
6. Convenceu a opinião pública que os seus ministros são independentes;
7. Convenceu toda a gente que o seu candidato presidencial era Guterres e, não sendo, ainda se faz valer disso;
8. Com dois referendos para fazer, consegue fazer apenas meio;
9. Fez com que muito boa gente acreditasse que os impostos não iam subir;
10. Já quebrou promessas eleitorais;
11. Convenceu ainda mais gente que vale a pena tanto sacrifício por 0,5% (já que ontem disse que espera reduzir o défice deste ano para de 6,83 % para 6,2)
E tudo isto em silêncio ???!!! É obra.

Referendo em França

A mal-amada França tem os olhos de todos os europeus (e não só) fixados nela. A possibilidade do NAO triunfar fez de Paris o centro decisivo do futuro desta arquitectura europeia. Os países que já deram o SIM ficam dependentes dos humores gauleses. Uma saborosa praxe que a velha nação prega aos outros Estados. O referendo em França demonstra que há uma grande diferença entre meros Estados-membros e os Estados-membros soberanos. A vitória do SIM ainda possível, mesmo depois dos sítios do NAO terem surgido como cogumelos durante a campanha referendária, mais força dará à França na U E.

quarta-feira, maio 25, 2005

Estabilidade Política e Instabilidade Social?

Ou muito me engano ou o discurso de José Sócrates inaugura um novo período de instabilidade social em Portugal. Há demasiadas incertezas no ar sobre as carreiras da função pública e sobre as modulações da passagem à reforma. Será suficiente a persuasão?

As centésimas do défice

A actual previsão do défice para 2005 aponta para 6,83%. Fico sempre intrigado com tanta precisão prévia e com o seu desmentido posterior frequente. Agora que o fim das ideologias não permite usar palavras malditas os economistas erram com muito mais à vontade sem que ninguém responsável se escandalize.
Quando se fizer o histórico das previsões do défice desde 2001 verificar-se-á a maior disparidade entre esses exercícios econométricos. Por isso proponho que nas futuras previsões anuais se não chegue ás centésimas por indefensáveis perante as décimas e as unidades.

Bem vindo !

No início afirmámos que teríamos mais colaboradores. Hoje chegou outro Bicho Carpinteiro: Mário Bettencourt Resendes.
Fica o link para uma crónica sua, escrita em 2001 mas muito actual.

O Gulag dos nossos tempos

É a designação dada pela Amnistia Internacional a Guantanamo. O seu relatório de hoje exige o fecho desta prisão onde, há mais de três anos, estão detidos prisioneiros sem acusação. A AI acusa os EUA de redefinir o conceito de tortura, reiterando as prévias denúncias de "outsource torture" (prisioneiros enviados para países onde se pratica a tortura, com o objectivo de obter confissões). Mais imprensa aqui, aqui e aqui.

Portugal dos brandos costumes

Racismo em Portugal? Naaaa... Presos sujeitos a abusos? Isso é so no Expresso da Meia Noite. Discriminação? Disparate! Cambada de alarmistas!
O relatório da Amnistia Internacional de 2005 sobre Portugal denuncia maus-tratos pela polícia e por guardas prisionais, o elevado número de presos preventivos, racismo e discriminação, apontando a sobrelotação das cadeias, instalações completamente desadequadas e «condições equivalentes a tratamento cruel, desumano e degradante».
Quanto à Polícia, indica acção discriminatória em relação a pessoas pertencentes a minorias étnicas.
Enfim, aquilo que os que andam minimamente atentos a estas coisas sabem há muito, muito tempo, mas que se varre sempre para debaixo do tapete.
De facto, a exclusão deixou de ser marginalidade, como nos anos dourados do pós-guerra, para passar a ser o "estar fora de", estar a mais. Ser inútil e invisível.
Ainda assim, espero que o Ministério da Administração Interna e o Provedor de Justiça não assobiem para o lado e se dignem a dar esclarecimentos e respostas para o futuro.

Direito de Asilo

Eu cá também concordo com o Medeiros Ferreira quando diz que Guterres está no lugar certo. Afinal é mesmo um refugiado para os refugiados. Brincadeira. Está de Parabéns.
Como hoje é dia de défice, só para a semana é que o PS fica mais pressionado para apresentar um candidato às presidenciais (não quer dizer que o faça, claro)...e lá voltaremos a ter muita tintinha a correr sobre as projecções do costume.
A capa do DN de hoje diz: "O pior dia de Sócrates"; "O melhor dia de Guterres". Tem piada. Mas tinha mais se ambas as preposições estivessem correctas.
Explico: Para Guterres hoje é um grande dia, com certeza. Seguido de dias bem mais dificeis, não duvido. O Público diz que "herdará uma agência das Nações Unidas minada por escândalos e a lutar com falta de fundos". Hoje é o melhor dia de Guterres e que lhe faça bom proveito.
Quanto a Sócrates hoje vai ser mau, mas será apenas o princípio. O seu pior dia ainda está para chegar.

Carpinteiros por aí. Alguns mails dos leitores do DN sobre a Educação Sexual nas escolas

Li a notícia do Expresso e o editorial idiota do mesmo jornal que termina de facto dizendo: "Os comportamentos de risco têm causas sociais profundas e não decorrem de falta de informação." Como é possível um suposto jornal de referência chegar a esta conclusão absurda? (…) A transmissão de doenças sexuais, a existência de gravidezes indesejadas, e aborto clandestinos são fruto da falta de educação sexual nas escolas.
Alberto Lima
(…) (Seria também de referir) o papel dos psicólogos que estão na escolas, e que também deveriam ser aqueles que, de alguma forma, poderiam intervir mais (…). Porque na minha opinião, a orientação escolar não deve ser apenas sobre a escolha do curso que temos ou não mais aptidão para seguir, mas também o sobre o comportamento (…). É aqui também que a educação sexual deveria ser esclarecimento, mas tanto falha. Já agora... Falha o estado, falham as escolas, falha quem critica... E nós??... Não falhamos também por não estarmos a intervir, apesar de já termos passado por essa ausência de informação?
Sérgio Ivo
(…) Porque sexo não é tabu, nem sequer é assunto polémico dentro do que é uma família católica e bem formada (como quase todos os jornalistas querem fazer passar), agora é assunto para como tantos outros, para ser explicado e debatido com crianças e adolescentes de uma forma saudável e com valores. Não é porque o país está nesta vergonha que eu tenho que dizer às minhas filhas que "tenham relações à vontade, com um dois ou mais parceiros/as”.O problema é que o que ouvem e vêem é só exclusivamente ao contrário do que deveria ser. Triste não? Eu também acho, só que a droga de país é feita exactamente por esta falta total de valores de integridade, de verdade e de honestidade que as pessoas têm e estão habituadas a que todos tenham: jornalistas, governantes e por aí fora.
Rita Almeida
(Folgo que tenha) focalizado (...) a seguinte frase "(...) como do RESPEITO pelo outro e por nós próprios". Entenda-se nós todos, marinheiros desta Barca que, apesar de toda a "inflação" ética com a nova alcunha de "défice" moral, será precisamente a geração "rasca" a continuar a navegação canhota, por "BOM bordo".
Victor Cantinho

Às segundas ao sol

Não menosprezando a importância da discussão evolucionismo vs. creacionismo, confesso que tenho andado preocupada com questões bem mais circunscritas ( no espaço, porque parece que no tempo só tendem a agravar...).

O aumento súbito do recurso a ajudas sociais por motivo de pobreza em Ovar é assustador e lamentável. Remete-nos para o universo de desepero dos recém despedidos trabalhadores fabris, é um murro no estômago para quem assiste.

Infelizmente, o Javier Bardem de "Às segundas ao sol" mora mesmo aqui ao lado.

terça-feira, maio 24, 2005

Macadas II

Um pequeno esclarecimento:
A polémica evolucionimo vs creacionismo nos EUA não é nova, não é restrita a um pequeno grupo de fanáticos religiosos e muito menos está resolvida. Sempre existitiu, sobretudo fomentada pelos Protestantes fundamentalistas. Entretanto, expandiu-se maioritariamente nas escolas, e foi sistematicamente denunciada pelo National Center for Science Education (California), embora os media só tenham começado a pegar mais seriamente nesta história em 2000/2001, até que, finalmente em 2002, passa a ser assunto de relevância aparecendo com destaque na Time, no Washington Post, no New York Times, na CNN, na Fox. Actualmente, é um debate intenso, onde uma das facções pretende que o creacionismo seja lei (ou pelo menos o Intelligent Design, que já explicarei) e promete perdurar.
A polémica foi também alimentada pelos próprios media, quando, por exemplo, Lou Dobbs declarou na CNN que tinha dúvidas quanto ao evolucionismo.
Neste momento há vários estados onde a discussão (não apenas ao nível das escolas, mas também em contextos culturais (como museus) sociais e nos tribunais) é muitíssimo acesa. Os estados onde o debate tem sido mais relevante são: Kansas, Arkansas, Pensilvânia, Montana, Texas, Geórgia e Virgina Ocidental.
Este revitalizar do creacionsimo começou por ser fortemente contestado mesmo por sectores muito conservadores. Recentemente, o movimento reciclou-se e passou a designar-se Intelligent Design, cuja base é em Seattle. A sua principal tese baseia-se na complexidade da organização dos seres vivos que, de acordo com os defensores do ID, não é explicada pelas teorias evolucionistas. Embora o ID tenha tentado suavizar as suas posições, nomedamente deixando de negar o evolucionismo e passando a sustentar algo semelhante ao "direito à dúvida" ou ao debate, na realidade quando confrontados com o "crenças à parte" ou com a oposição veemente da National Academy of Sciences ou da American Association for the Advancement of Science, voltam a extremar argumentos. Mesmo reciclado, afirma coisas como "Design theory promises to reverse the stifling dominance of the materialist worldview, and to replace it with a science consonant with Christian and theistic convictions.", como se pode ler no seu site. Bill O'Reilly anunciou na Fox News que "there are a lot of very brilliant scholars who believe the reason we have incomplete science on evolution is that there is a higher power involved in this", chamando em seguida Talibãs à American Civil Liberties Union por se opôr ao ensino dos princípios anti-evolucionistas nas escolas públicas
Podem ter mais informação e consultar mais alguma imprensa recente aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Todavia, volto a insistir: perante tamanho absurdo, nada melhor do que a sátira- esta cola um autocolante na Bíblia semelhante aos que os creacionistas inventaram para colocar nos livros de Biologia. Nele se lê:
"Warning this book promotes the dogma of creationism. Because experts disagree about the scientific basis of creationism, it and the rest of the material in this book should not be taken on faith. One should approach this material with an open mind and study it critically."

Lição de Sapiência

Estive a ouvir a lição de sapiência de MIRIAN HALPERN PEREIRA no ISCTE sobre HISTORIA E CIENCIAS SOCIAIS.
Espero que seja tido em conta o seu aviso sobre a necessidade de um estudo sobre o sistema repressivo e propagandístico do ESTADO NOVO, que permita o uso critico dos documentos oficiais do regime salazarista. De facto, o culto actual dos arquivos da ditadura faz correr imensos perigos sobretudo aos mais jovens investigadores.

Guterres no lugar certo

Guterres está talhado para este cargo de Alto Comissário para os Refugiados que disputou com determinação. É uma vitoria para Portugal e aumenta a missão humanista da Igreja Católica no sistema da ONU.
Estou certo que o ex-primeiro ministro dará um brilhante e activo Alto-Comissário e que outros voos internacionais são agora de prever. Desejo-lhe daqui sinceras felicidades.

A "estória" do costume

Orçamento familiar fatiado pelo Estado"Public finances are one of the best starting points for an investigation of society."
- Joseph Schumpeter, Capitalism, Socialism and Democracy, (1943)


As sábias palavras do velho Schumpeter ainda hoje dão um excelente aforismo. A minha pergunta é: O que dirá o estado actual das finanças públicas sobre a nossa sociedade?

Macacadas

Nos E.U.A. há quem tente que a Biologia não ensine o Evolucionismo nas escolas, com o argumento de que é contrário às crenças religiosas cristãs. Sobre esta discussão, que promete continuar, gostei especialmente desta sátira. Para o Swift Report: "If a group of concerned parents gets its way, high school physics students may soon be required to learn about alternative explanations of gravity".
Como é habitual nos E.U.A., sobre esta pseudo-polémica já se produziu uma parafernália de publicidade: canetas, autocolantes, bonés, crachás. Na semana passada, num café, vi um rapaz (não mais de 16 anos), com uma T-shirt que dizia: "Eu não acredito em Darwin".
Destaque também para dois autocolantes:
"This textbook contains material on EVOLUTION. Evolution is a theory, not a fact, regarding the origin of living things. This material should be approached with an open-mind, studied carefully and critically considered".
e
ainda melhor
"This textbook suggests that the earth is spherical. The shape of the earth is a controversial topic, and not all people accept the theory."
Enfim... lá ficam uns a descender dos macacos e outros a reclamarem-se filhos de Deus.

Jaruzelski garante Walesa

Num debate televisivo em Varsóvia o general JARUZELSKI garantiu que o ex-sindicalista LECH WALESA não tinha colaborado com os serviços secretos comunistas. O ex-chefe de Estado polaco referiu compreender muito bem o desgosto de WALESA porque ele também tinha sido acusado de ser traidor à pátria.
Para evitar essas cenas , em Portugal morre tudo na Torre do Tombo onde se consultam os ficheiros da PIDE para atestar quem foi anti-fascista! Não acham patético?

Sem Comentários.

Em 1928 era assim:
Mas não tenhamos ilusões: as reduções de serviços e despesas importam restrições na vida privada, sofrimentos, portanto. Teremos de sofrer em vencimentos diminuídos, em aumento de impostos, em carestia de vida... é a ascensão dolorosa de um calvário. Repito: é a ascensão dolorosa de um calvário. No cimo podem morrer os homens, mas redimem-se as pátrias.(Salazar)

Prós e Contras Chicago vs Lx III: Vivace

Prós III
A Música, claro. O Jazz e os Blues por todo o lado, bandas e solistas nas ruas, nos bares e cafés, nas universidades. A cidade da arquitectura e da esquadria fica, assim, mais travessa e improvisada. Hot Music. É esse mesmo o ritmo de Chicago, a pulsação instintiva e desobediente. O contraste de que fala Berberova… numa batuca.


Contras III
Noites mal dormidas…”By large, jazz has always been like the kind of man you wouldn’t want your daughter to associate with". (Duke Ellington)
E…
Um fraquinho pelo Catacumbas...

segunda-feira, maio 23, 2005

Sem pipocas

Mail do João M. Almeida:
2º Ciclo de Cinema d' ATTAC Verde:
Decorre nas próximas 6 quartas-feiras pelas 21:00 no Museu da República e Resistência.
Quarta-feira, dia 25 de Maio
Water Mamas - Water, a Catalyst for Peace - Non Drinkable WaterFilmes de Marina Galimberti comentados por Suzana Neto.
Uma série de três documentários sobre a acção das mulheres na Ucrânia, Roménia e no Siri Lanka, para garantir o acesso à água por todos. "A água é um bem comum, não é um negócio, mas um meio de vida".
Próximas sessões:
1 de Junho - Life Running out of Control
8 de Junho - Root
15 de Junho - Desordenamento do Território
22 de Junho - Petróleo: Game Over
29 de Junho - E=m.c2

Good Dog

Ataque aqui todos os radicais que apanhar.

Podes ficar com a casa, com o carro, mas

Não fiques com ele... Depois do ex-carro do novo Papa ter sido vendido no e-bay, agora é a vez da casa. Que o leilão continue.

Lisboa- Cidade Dividida

Cheguei no início da madrugada a Lisboa vindo do Porto depois de ter vibrado, no Bessa, com o Benfica campeão. Ao aproximar-me da Avenida da Liberdade verifiquei que Lisboa estava dividida entre um sector ocidental e um sector oriental sem pontos de passagem acessíveis. Em Berlim ao menos havia o célebre CHECK-POINT CHARLIE...
A PSP podia aproveitar esses eventos festivos para se exercitar a sério!

Um campeonato diferente

Estive ontem no estádio do Bessa confiante no empate a zero. Ficou 1-1 e o meu SLB sagrou-se campeão. Um campeonato e um jogo feitos à medida de Trapattoni que sempre disse que um ponto a mais serviria para vencer. Um economista da velha escola.
Nunca uma concepção táctica encaixou tão bem nos fracos recursos que o Benfica mostrou possuir. Esta vitória é a vitória do medo de existir, como diria o José Gil.
A equipa não tem ligação entre os diversos sectores, os jogadores tidos por decisivos falham demasiados passes, não há entre -ajuda na zona de remate.
Raramente a equipa do SLB foi brilhante mas teve o mérito de ser a mais regular. E se o titulo fosse a voto popular ganharia o SLB por maioria absoluta!
Mas esta equipa terá de melhorar substancialmente caso queira ter uma carreira digna na Liga Europeia. Trapattoni sabe disso, ele que se desinteressou da Taça UEFA por perceber a falta de dimensão internacional dos chamados reforços de Inverno.

Fora do jogo

Os investigadores que defendem que o vermelho dos equipamentos ganha campeonatos devem estar tão inchados e felizes como a multidão que ainda anda lá fora a festejar.
Contudo,hoje a noite aveirense não teve apenas uma festa...
Quem decidiu parar um pouco na Praça Marquês de Pombal veio encontrar o Ondjaki, numa intimista conversa, a deixar a Feira do Livro (pouco habitada) suspensa na sua liberdade de ave. (Diz o Mia que são " pássaros todos os que no chão desconhecem morada.")
Primeiro lugar ex-aequo para a cultura,ou, se quiserem...Olé Ondjaki,Olé!



A Feira do Livro de Lisboa também abre portas esta semana. A não perder.

Se quiser perder tempo

Alimentados pela esmagadora publicidade, os comentários à bodega de filme que é o Star Wars Episode III, foram mais do que muitos. As listagens para o ver, para o criticar, para o odiar e para perceber o seu sucesso não ficaram atrás. Gostei especialmente dos comentários de Anthony Lane na New Yorker desta semana. Para quem não tiver paciência para linkar, aqui ficam uns destaques: ”Sith. What kind of a Word is that? Sith. It sounds to me like the noise that emerges when you block one nostril and blow through the other, but to George Lucas it is a name that trumpets evil.”; “What can you say about a civilization where people zip from one solar system to the next as if they were changing socks but where a woman fails to register for an ultrasound, and thus realize that she is carrying twins until she is about to give to birth?”; “What Lucas has devised, over six movies, is a terrible puritan dream (…) Judging from the whoops and crownings that greeted the opening credits, this is the only dream we are good for. We get the films that we deserve”; “the wining entry is clear, shared between Anakin and Padmé for their exchange of endearments at home: - ‘You’re so beautiful’ – ‘That’s only because I’m so in love’ – ‘ No, that’s because I’m so in love with you’”. E, finalmente: “I keep thinking of the rueful Obi-Wan Kenobi (…) I can’t watch anymore, he says. Wise words, Obi-Wan, and I shall carry them in my heart.”

A minha encarnação no século XV

Esta semana fica mesmo marcada pelo confronto mass media- religião. Tivemos o desastre da Newsweek, as fotos de Saddam no NY Post e Sun e há poucas horas, um outro incidente ocorreu. Em Nova Deli explodiram bombas em cinemas, resultando em pelo menos um morto e vários feridos. Trata-se de um atentado justificado com a oposição ao filme em cartaz, o Jo Bole So Nihal, que se pode traduzir por “Abençoado aquele que diz que Deus é eterno”. Parece que o filme é uma comédia fraca, mas esta frase pertence ao grito de guerra e religioso dos Sikhs, tidos como responsáveis (os separatistas) pelo assassinato de Indira Gandhi (em resposta à invasão de um Templo ***) e pela morte do seu filho, Rajiv, sete anos mais tarde, em 1991. O sikhismo, com vinte a trinta milhões de crentes tem, contudo, princípios bastante pacifistas e generosos, plasmados nas palavras do seu fundador, o Guru Nanak: existe apenas um Deus (mesmo que se atribuam nomes diferentes); deve-se levantar cedo para meditar; trabalhar árdua e honestamente; partilhar com os outros; todos os seres humanos são iguais; as 5 maiores armas estipuladas são a bondade, a caridade, o contentamento, a humildade e o optimismo. Como acreditam na reincarnação, aqui fica uma brincadeira (hoje em dia perigosa): também eu já fui sikh. Hoje joana amaral dias, no século XV Guru Ama Das Ji (tem foto !).
* ver correcção do educadíssimo L.Lavoura nos comentários.

domingo, maio 22, 2005

Grande Golo...

do Moreirense : )

Prognósticos antes do jogo

Com uma derrota esmagadora nas eleições regionais na Renânia do Norte-Vestefália, 0 chanceler alemão convocou eleições antecipadas para o Outono. Embora a decisão (não os resultados) seja algo surpreendente, escusávamos de ler os errados prognósticos no Público e no DN de hoje. No Público lê-se: "Na ordem do dia não parece estar a demissão do actual governo de Schroeder, nem sequer a formação de uma “grande coligação” com a CDU. Provavelmente o chanceler optará por uma conveniente viragem à esquerda, sem fazer perigar as reformas da Agenda 2010, e talvez proceda a uma remodelação Governamental”. O DN é um pouco mais comedido, mas afirma: “Schroeder será, assim, obrigado a mudar o rumo do seu partido, talvez mais à esquerda, mas sem comprometer as suas reformas”.
Enfim, resta agora saber como este processo se vai desenrolar, já que a constituição alemã não prevê a dissolução do parlamento apenas por vontade do chanceler ou do presidente. Para quem fala alemão, ficam reacções, comentários e vídeos interessantes aqui. Outra imprensa aqui e aqui.

O Enviado Especial

do Bicho Carpinteiro para a final da Superliga é Medeiros Ferreira, mas os comentários só devem chegar à redacção amanhã...

Domésticas

A visita de Laura Bush ao Médio Oriente começou mal. A primeira dama foi vaiada à porta de uma Mesquita em Jerusalém, e alguns dos protestantes estiveram demasiado perto da senhora, chegando a tocar-lhe, apesar dos esforços dos seguranças. Consta que a manifestação (de que faziam parte jornalistas locais) foi despoletada com a exigência da libertação de Pollard, mas as palavras de ordem eram "How dare you come in here?" e "Why do you hassle our Muslims?" Ainda bem que ela afirma seguir a série Desperate Housewifes…

Prevenção em Saúde Mental

A temática para que a Joana alerta dá pano para mangas. Constitui uma preocupação diária para quem, como eu, trabalha diariamente , em contexto clínico, com crianças ditas em risco.
Infelizmente, em Portugal, não existe verdadeira prevenção em saúde mental. As medidas que se tomam são frequentemente pontuais e inconsequentes. As Comissões de Protecção de Crianças e Jovens funcionam maioritariamente à base de apports/ cooptações, não havendo estruturas profissionais estáveis que possam funcionar a tempo inteiro, numa lógica de equipa técnica, partilhando fundamentos teóricos, normas éticas e modelos de actuação de uma forma consistente. Faltam técnicos de saúde mental que avaliem as situações e contribuam para uma reflexão séria, já que os factores que conduzem, por exemplo, a medidas de institucionalização de crianças não podem certamente passar apenas por uma constatação de que existem problemas no seio familiar. Raramente são feitas perícias de personalidade aos implicados, e as intervenções sistémicas ( com a família e referentes) são escassas e não reflectem uma lógica de intervenção global.
Desperdício de recursos- Em muitos casos, uma intervenção deste género representa menos gastos do que, por exemplo, a institucionalização de todos os filhos de um casal ( no outro dia eram sete) sem que depois se faça qualquer trabalho continuado com a família, pelo menos para tornar possível, em alguns casos, a tão almejada reorganização do agregado familiar para que as crianças ali possam ser novamente recebidas.

Prevenção, uma utopia?- Volto a referir que a Segurança Social subsidia o acompahamento psicoteapeutico de crianças com Necessidades Educativas Especiais que estejam relacionadas com défices intelectuais comprovados, deficiêcias permenentes ou severas alterações no comportamento e/ou no rendimeto escolar. Pode parecer muito interessante,mas na realdade há perversidades icontornáveis neste processo. Só a título de exemplo: no distrito a que pertenço, o processo burocrático para a obtenção deste subsídio tem que ser renivado no princípio de cada ano lectivo. Por essa data,o professor ou director de turma da criança tem que descrever as perturbações que ela manifesta. Primeira questão: como fazê-lo, quando muitas vezes conhece a criança há dias e não possui noções quer de saúde mental quer sinalzação de crianças com psicopatolgia relevante?

(to be continued...)

Palma de Ouro para L'Enfant

A surpreender os que esperavam que Lars Von Trier ou Moore arrebatassem a Palma, os irmãos Dardenne voltam a atacar , com o seu "universo Rosetta" hiper realista e desconcertante.
A avaliar pelos anteriores trabalhos, deve ter sido uma vitória mais do que justa.
Espero ansiosamente pela chagada do filme às nossas salas, se bem que tudo indica que nunca virá a Aveiro ( onde acabou de fehar a única sala com distribuição do Paulo Branco, para mal dos poucos-mas bons- que, à falta de mais oferta, dali fizeram local de culto).
Atalanta, "volta que estás aperdoada!".

O CDS e o PP

Já se sabia que o caminho de Ribeiro e Castro não ia ser fácil, depois do modo unipessoal de Portas, do desnorte na ideologia do partido, tendo que comandar o partido à distância e com um grupo parlamentar apoiante de Telmo Correia. Hoje o Público noticia que as “Directas abrem novo confronto entre RC e TC”. Previsivelmente, (mais não fosse, as heranças pesam muito), TC discorda “do princípio e do timing” (leia-se autárquicas), enquanto RC acha que a proposta “serve os interesses” do partido”. Vamos ver como fica, sendo certo que é agora que se vai começar a entender se a liderança de Ribeiro e Castro revela fraqueza ou mais política.
Adenda: A opinião de Paulo Gorjão.

Sociedade?

Nas secções “Sociedade” da maioria dos jornais (e em rubricas equivalentes nas televisões), é comum serem apresentadas reportagens sobre Saúde e temas afins. As mais frequentes (e pelos piores motivos- não apenas revelam o pobre país, como também são notícia porque vendem) são sobre crianças e adolescentes (educação, divórcio, sexualidade, abuso, maus tratos, negligência), sobre toxicodependência, idosos, delinquentes, pessoas com VIH/SIDA, homossexuais, prostituição. O mais habitual é este jornalismo ser de muito má qualidade. Vulgarmente as peças são confusas, revelam pouca investigação, limitam-se à consulta de duas ou três pessoas (“os especialistas”). Desconheço se a secção Sociedade é lida por muitas pessoas. Espero que não… Também não sei se para estas missões vão buscar o refugo dos jornalistas, mas às vezes parece. Não terei tempo nem paciência para comentar todas as alarvidades que vão sendo publicadas sobre os assuntos referidos, mas a peça do Público de hoje merece algumas considerações.
A dita reportagem, que faz a capa do jornal, pretende traçar um retrato das Crianças em Risco e dos meios de protecção, em Portugal. Não é a minha área, mas o título chamou-me logo a atenção: “Especialistas temem que maus-tratos a crianças provoquem novas mortes”. Quem diria?!!!
A estrutura do texto é confusa, os “especialistas” consultados manifestamente insuficientes, a investigação sobre a matéria deixa áreas vitais de fora (como a comparação com a legislação, intervenção, medidas e apoios de outros países- que pena que não o tenha feito), não se socorre da opinião de nenhum pedo-psiquiatra ou psicólogo clínico (embora se leiam repetidamente ao longo da peça comentários sobre a importância destes conhecimentos) e tem erros graves.
Por exemplo, quanto aos maus- tratos, os ditos especialistas, identificam os seguintes factores de risco: “Uma maternidade na adolescência, o facto de uma criança não viver com o pai ou com a mãe ou ter vivido um período da sua vida com outras pessoas, o alcoolismo” (Carla Fonseca, procuradora da República no TFM de Lisboa); “conflitos familiares em torno da guarda das crianças” ( Clara Albino, presidente do IRS); “ O perigo para uma criança existe sempre que um pai está ausente, se demite de a amar” (fonte não identificada).
Ignorância e mau jornalismo. Os principais factores de risco podem ser categorizados como relativamente à criança, à família, à comunidade e à sociedade. Aumenta o risco quando a criança é portadora de deficiência, por exemplo. Os principais factores de risco associados à família são o abuso de substâncias (drogas e álcool), pais (ou cuidadores) que também foram vítimas de abuso na infância e violência doméstica. Os principais factores relacionados com a comunidade e sociedade são a pobreza, redes sociais de apoio dispersas ou inexistentes, violência e desemprego
Outro exemplo: as jornalistas concluem que os vários técnicos e profissionais que escutaram estão de acordo quanto à importância do bem-estar psíquico e emocional da criança na tomada da decisão, bem como relativamente ao perfil psicológico dos pais ( “Magistrados dizem que os afectos são o mais importante para decidir a guarda de uma criança”), mas em nenhum momento procuram perceber como, quando ou por quem é conduzida a Avaliação Psicológica, e mesmo perante declarações contraditórias. Para Dulce Rocha, presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco “Em muitos casos era importante fazer uma avaliação psicológica dos pais e da relação que estes têm com os filhos. Deveria acontecer sempre que uma criança viveu um período longo da sua vida com uma terceira pessoa”. Clara Sottomayor, especialista em Direito da Família, afirma que os juízes podem solicitar assessoria técnica, nomear psicólogos para a prova testemunhal e mandar fazer exames pedopsiquiátricos, mas que por vezes não o fazem, por “economia de tempo e meios”. Para Antero Luís, do Conselho Superior de Magistratura “Se fizessem isso tudo estavam desgraçados”. Não se percebe, como também é habitual, o que Dulce Rocha quer dizer com o motivo apontado para a avaliação. O motivo deveria ser sempre que existe uma suspeita de maus-tratos, um ou mais factores de risco, ou violenta disputa da guarda parental. Pelo menos. Em muitos países, a avaliação psicológica é conduzida a pais e crianças, em caso de simples divórcio.
Ainda outro exemplo. Como não conhecem nem se reconhecem (pelos vistos) factores de risco, também não se pode falar de prevenção (que em geral é anedota em Portugal). Portanto, quando na reportagem falam das medidas de prevenção, pouco mais indicam do que a opinião de Fátima Líbano Serrano, da Associação Portuguesa do Direito dos Menores e da Família: “Se as crianças estiverem enquadradas em creches e jardins infantis, a probabilidade de entrarem numa situação de risco é muito menor”. Não se entende. Prevenção de maus tratos a crianças passa por programas para as crianças em risco (pelo menos) para fomentar a sua resiliência (serem capazes de identificar riscos, estabelecer laços seguros, aumentar a adaptabilidade, desenvolverem competências escolares e extra-escolares, fortalecer relações inter-pares e a capacidade de pedir ajuda); programas de apoio às famílias em risco (desenvolvimento de estilos parentais adequados, activação de apoios na família alargada); programas de apoio para combate de riscos sociais e comunitários (acesso aos cuidados sociais e de saúde, emprego, habitação, boa rede escolar, acompanhamento por técnicos/mentores).
Volto a dizer, que são apenas exemplos…muito fica por comentar sobre esta reportagem que faz a primeira página de um dos jornais de referência. Por fim, de assinalar, que a peça evidencia bem a falta de meios da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (ainda há pouco tempo Dulce Rocha sugeria que este problema se poderia resolver com voluntariado !!!), e os muitos conflitos existentes entre a estrutura central e as locais. Para o juiz Madeira Pinto, do Tribunal de Família e Menores do Porto “A Comissão Nacional não funciona, tem sido um organismo inoperante”. Para além disso, fica em destaque a urgência de mudar a constituição neste aspecto, já que consta que os filhos não podem ser separados dos pais, salvo quando estes não cumpram os seus deveres fundamentais, e a gravosa falta de formação dos magistrados nesta área. Não me esqueço que, em Fevereiro, o governo de Santana decidiu retirar da tutela da Segurança Social (entregando a fundações) as Unidades de Acolhimento e Emergência, desresponsabilizando-se pelos menores em situações de alto risco. Ainda por cima esse “governo” não apenas dava as crianças, como as casas e todas as despesas. Na altura os responsáveis, (inclusivamente Negrão) lavaram as mãozinhas. Depois admiram-se com o aumento dos maus tratos e as “novas mortes”. Fica o link para a crónica no Expresso, da Inês Pedrosa que, de um outro modo, denuncia as hipocrisias.

sábado, maio 21, 2005

Lendo...

Sobre blogs (PDF) sobre o Corão e a Newsweek no WSJ, sobre a França e o referendo à constituição europeia no Le Monde.

Notícias não confirmadas

Há muito que digo esperar um trabalho universitário em Ciência Politica sobre notícias semanais do EXPRESSO que jamais se confirmaram e sua possível influencia no mundo da política.
Nestas duas últimas semanas tem crescido a ideia de um dramático diferendo entre o novel Ministro das Finanças e o esquadrão de políticos que foi para o Governo. Ao Ministro só restaria ameaçar com a demissão do cargo para tentar vergar os refractários aos sacrifícios sacrossantos. Hoje é esta a notícia de primeira página. Prevejo que Campos e Cunha fará pelo menos 2 orçamentos. O RECTIFICATIVO deste ano e o OE para o próximo ano. Só depois disso voltarei a ler notícias sobre mudanças nas Finanças. Dedução contra especulação.

Um déspota de cuecas, outro sem elas.

Parece que homens de boxers e Iraque já são uma dupla de sucesso. O vídeo tem circulado quase tanto como as fotografias de Saddam. Interessante ver a quem pertencem os dois jornais (Sun, que costuma preferir moças com ou sem lingerie, e NY Post) que publicaram estas fotografias, e ler o relatório preliminar que o Washington Post apresenta. Mas substancial é mesmo a reacção de Bush, que declarou:
"I don't think a photo inspires murderers. These people are motivated by a vision of the world that is backward and barbaric ... I think the insurgency is inspired by their desire to stop the march of freedom."
Portanto, a Newsweek tem que pedir desculpas pela publicação do seu relatório sobre os abusos em Guantanamo, largamente confirmados pela imprensa mainstream e não mainstream desde 2002, sob pena de estar a incitar à "violência insurgente" Contudo, The Sun e The New York Post podem exibir fotografias de Saddam em cuecas, porque isso não inspira revolta alguma. Sim, senhor presidente !

Luís Filipe Borges

Acabo de ver o programa do LUIS FILIPE BORGES no canal 2. Já gostava de o ler no jornal A CAPITAL e no blogue CAUSA NOSSA. Agora espalha o seu talento na pantalha.Um humor feroz apresentado com cordialidade.Um caso de criação multimédia a seguir com entusiasmo e regularidade.

Estou cheia de pena...

Há cerca de um ano Durão Barroso cancelou uma visita oficial ao México para poder ir à Alemanha, à final da Liga dos Campeões. Lembram-se? Nessa altura também houve uns deputados a mendigar bilhetes ao Pinto da Costa. Quanto a Durão, apenas prosseguiu o principio da não separação bola-Estado. Mas agora, a cantiga é outra. De acordo com o Expresso, o Presidente da Comissão Europeia estava para ir assistir à final da taça europeia, mas à última da hora, declinou o convite da UEFA, já que o preço do convite (250 €) excedia o valor estipulado para as “prendas” (cujo valor máximo é de 150). Parece que o senhor ainda tentou ir comprar um bilhete, mas estavam esgotados. A verdade é que depois do escândalo do iate do grego, não há nada como accionar o modo low-profile. Um bom aluno, é o que é. A isto é que se chama uma educação no estrangeiro.

Poema em forma de delta, de Jorge Sousa Braga



Há rios
que são navegáveis
e navegam. É desses que eu gosto.

Ai Portugal, Portugal...

Os resultados do PISA ( Programe for International Student Assessement) atribuem à Finlândia o primeiro lugar mundial no que se refere à qualidade de ensino e ao sucesso escolar nas áreas de matemática, leitura e ciências. Barbara Wong descreve, no Público de 27 de Abril ( guardei o artigo pelo impacto do contraste com o ensino que conheço), este sistema em que o ensino é "gratuito, o corpo docente estável e os alunos motivados são o segredo do sucesso. (...) Durante os nove anos de escolaridade obrigatória, as famílias não fazem qualquer gasto.O estado oferece escola, transportes e uma refeição quente diária.(...) Os dias de aulas são curtos e terminam cedo. Depois do almoço, os estudantes dedicam-se a outras actividades"...
E por aí adiante. Turmas específicas com docentes preparados para os alunos com dificuldades educativas especiais, planos de apoio aos alunos com dificuldades para evitar reprovações desnecessárias, um quase desconhecimento do conceito de abandono escolar.
Escusado será fazer comparações com o que por aqui se passa.
Está tudo dito.
Consta que está a ser ponderado o aumento de horas lectivas para os primeiros anos de escolaridade ( corrijam-me se estiver enganada). Custa-me perceber com que propósito...
Numa recente estadia na Dinamarca, tive a oportunidade de conhecer uma pré escola de uma pequena vila.Todas as manhãs, as crianças reuniam e escolhiam as actividades que lhes interessavam, para fazer durante o dia. Brincavam livremente pelos espaços, com um sentido de autonomia surpreendente (aos meus olhos, claro). Às duas e meia da tarde, o espaço enchia-se de pais que as vinham buscar para passarem com elas o resto do dia. A forma como participavam na comunidade escolar era indescritível. Arranjavam o baloiço estragado, ajudavam os miúdos a acabar de lanchar, brincavam com os seus e os dos outros, trocavam impressões com as educadoras, peparavam os filhos para o frio e para o regresso a casa.
Numa escola que dá colo por ser pensada para eles, os putos sentem-se seguros e, em simultâneo, livres. Já começa a ser tempo de pensar que estas duas palavras podem caber na mesma frase.
Mas como canta o Palma

"Ai, Portugal Portugal...
enquanto ficares à espera
ninguém te pode ajudar... "

sexta-feira, maio 20, 2005

Ciência Política II

Parece que a Investigação em Células Estaminais também está a ser alvo de polémica em Portugal. Folgo em sabê-lo, já que esta investigação, tanto deve ser apoiada e desenvolvida, como deve ser regulada por um organismo competente e ter como objectivos a prevenção, o diagnóstico e a terapêutica de doenças humanas, devendo ser utilizados os embriões inviáveis ou excedentários dos processos de procriação medicamente asssitida. Quem se interessa por estas matérias pode encontrar mais informação aqui, aqui, aqui e aqui.

Freedom Blog Awards

Votem aqui.

Lucas

A melhor reportagem ( vídeo ) sobre a Guerra das Estrelas.

É boca

Segundo Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, os estudos mostram Portugal na cauda dos 25 países da União Europeia quanto à saúde oral.
Este é um problema antigo e grave que só pode ser resolvido se:
A medicina dentária for integrada no Serviço Nacional de Saúde;
Os médicos dentistas forem definidos como técnicos superiores de saúde;
Aumentarem as comparticipações em tratamentos e próteses dentárias;
Forem definidos como públicos prioritários: mulheres grávidas, crianças, adolescentes, idosos, deficientes, portadores de doenças infecciosas, cardíacos, hemofílicos, pessoas submetidas a tratamentos médicos que as colocam em risco acrescido em termos de patologia dentária não tratada, toxicodependentes e reclusos;
Os rácios de médicos dentistas por número de utentes forem razoáveis (exemplo: um médico dentista, nos hospitais centrais, por 5.000 utentes abrangidos).
Quer o PSD quer o PS têm-se oposto as estas medidas essenciais, falhando em reconhecer estes aspectos como uma importante questão de saúde pública. Ficam os estudos, como é hábito.

Ciência Política

Como era previsível, o enorme avanço na investigação sobre células estaminais na Coreia do Sul já suscitou uma reacção por parte dos E.U.A.

Um déspota de cuecas

Depois da história da Newsweek, mais um contributo dos media para a convenção de Genebra. Algumas das reacções aqui e actualização sobre os abusos em Guantanamo aqui.
Actualização: reacção dos advogados de Saddam.

Cordialidades III

O Bicho Carpinteiro passa também a contar com a participação do Hidden Persuader que, como ele próprio se definiu, será membro honorário deste blog. Isto é, passa a tratar do aspecto da bicharada, dos settings, template e afins...vaidades da irrequietude. Além disso, é livre de escrever e contribuir para o nosso Manifesto Anti-Caruncho, se assim o entender.
Aproveito para agradecer o acolhimento do Terras do Nunca. Bloguemos, então.
Adenda: Cumprimentos também ao Anjos e Demónios.

Semanário O Jornal- 30 anos


Estive esta noite no jantar dos 30 anos do aparecimento do semanário O JORNAL. No tempo e no modo, a cooperativa de jornalistas em 1975 prestou um grande serviço à liberdade de imprensa e inovou na organização empresarial da comunicação social em Portugal. Gostei de ver muitos dos fundadores daquele órgão de que fui colaborador no início dos anos 80. Foi pena a ausência do Joaquim Letria que tantos títulos de imprensa criou.
Na altura era a LIBERDADE DE INFORMAÇAO que perigava em Portugal. Agora periga o DIREITO A INFORMAÇAO.E onde estão os jornalistas da cooperativa? IDOS e DISPERSOS como disse ANTERO DE QUENTAL dos seus amigos. Mas havia no jantar muitos e bons jornalistas que passaram pelas publicações O JORNAL e que hoje ocupam lugares de relevo no mundo da comunicação social. Vamos confiar.

Original

A medida de comparação da moda é mesmo o Hilter. O Senador Santorum (vídeo aqui) visivelmente um fashion victim, decidiu comparar os democratas ao "dono de um dos cinco bigodes mais perigosos do mundo". O mais original é mesmo a sua justificativa: aqueles que se opõem à opção nuclear são como o Hilter.

O real inimigo

Enquanto David Brooks, no NYT, tenta reconciliar democratas e republicanos com a Newsweek, concluindo que não nos podemos esquecer quem é "o real inimigo", as denuncias dos abusos em Guantamo, prosseguem.

Debate sim, esta constituição não.

Eu e o Medeiros Ferreira não estamos de acordo quanto ao sentido de voto, mas voltarei a este assunto com detalhe em breve.

Boas notícias

Congratulamos o The Wall Street Journal por estar a ter a atitude oposta à do NewYork Times ou à do Público quanto ao acesso on-line.

Pelo contraditório no debate europeu

O que aprecio em FABIUS e em PACHECO PEREIRA nas posições pelo Não é terem contribuído para dar direito de cidade ao debate contraditório sobre a construção europeia. A Uniao Europeia necessita de ser repensada e não deve ficar cativa da tendência propagandística promovida pelos financiamentos informativos da Comissão e do Parlamento Europeu que tantos estragos tem feito na compreensão do que verdadeiramente está em jogo. Que vença o SIM mas que se perceba os defeitos deste TRATADO.

quinta-feira, maio 19, 2005

Pacheco Pereira depois de Fabius

Depois de FABIUS ter defendido em França o Não ao TRATADO CONSTITUCIONAL, agora PACHECO PEREIRA, do PSD, anima em Portugal um movimento pro-não. Já em SANTARÉM em Janeiro, num debate com ele, se percebia esse tropismo. Caso o referendo em França siga esse caminho possivelmente em Portugal nem se chegará ao voto propriamente dito. Mas ao menos que haja debate.
Embora seja favorável ao SIM no referendo vejo com bons olhos esses movimentos contra a dogmática europeia de alguns pais fundadores.
Um dia teremos de mudar de paradigma na U E.

Prós e Contras Chicago vs Lx II: Allegro con Spirito


Prós II
O Lago Michigan, imenso e maciço…mas

Contras II
O Tejo…líquido e mutante. Nas palavras de Sophia de Mello Breyner “Aqui e além em Lisboa - quando vamos com pressa ou distraídos pelas ruas ao virar da esquina de súbito avistamos irisado o Tejo: então se tornam leves o nosso corpo e a alma alada."

Legalize it

Mais um abuso de poder (devidamente legalizado) em nome da luta contra o terrorismo. Essencialmente o FBI não mais precisa da autorização de um juíz para poder apreender documentos financeiros e empresariais.

As mulheres de Sócrates

As mulheres e o PS continuam em pé de guerra. Depois do afastamento de deputadas como a Sónia Fertuzinhos, depois da escolha de um governo masculino (e de justificações “pior emenda do que o soneto”), depois da péssima gestão do dossier do referendo do aborto, o descontentamento continua. Hoje o Público (linkador-pagador) traz uma notícia intitulada: “José Sócrates quer que o departamento das mulheres do PS seja dócil”. O texto é que já é mais azedo, e sobre a disputa da liderança entre Sónia Fertuzinhos e Maria Manuel Augusto (acusada de representar o aparelho do partido), aparecem declarações como: “a cabeça altamente misógina de Sócrates”, “há mulheres a quem tem sido transmitida a ideia de que podem ser prejudicadas” (Maria Antónia Palla, apoiante de Fertuzinhos); “tudo foi conduzido para que as mulheres pensassem que só há uma candidatura” (M.M.Augusto). Parece que Sócrates não apenas vai impor a sua vontade como já conseguiu dividir para reinar.

quarta-feira, maio 18, 2005

O problema...

é isto.

Catarse, solipsismo ou apenas condição?

Postais secretos.

Alternativa (singela) à bola

'Tá tudo a ver a bola, é o que é... Também gostava...
Fica um excelente artigo sobre o Uzbequistão. Se houver festa, leiam amanhã. Se não houver festa, leiam amanhã na mesma.

Newsweek III

Como já tinha mencionado anteriormente, mais valia a Casa Branca deixar o-supostamente-devido-pedido-de-desculpas da Newsweek cair, sob pena de prolongar o incidente. Hoje aí está a imprensa a resgatar factos e a insistir em no desrespeito pelo Alcorão, pelos E.U.A..

Cordialidades II

Por lapso, distracção, ignorância ou outra coisa qualquer, podem escapar mais agradecimentos (devidos). Para já ficam os cumprimentos pela hospitalidade do Janela para o Rio, do Adufe, do Portugal dos Pequenitos, do Mau Tempo no Canil e do Sinédrio.

O dia do Sporting

Hoje é o dia do SPORTING C P contra o destino nacional na Europa do futebol. Quando a livre circulação de jogadores chegou à UEFA todos os peritos prognosticaram a subalternização dos clubes portugueses nas competições europeias. Dez anos depois temos o F C PORTO com duas taças e hoje o SPORTING C P na final de outra. Gosto desses desafios à ciência do destino.
Por isso hoje vou torcer pelo clube de Alvalade. Eu que sou sócio do SLB !

Despachos na Privada

Sem ser necessária nenhuma revisão constitucional a privada lançou-se na produção de minutas de despachos ministeriais a submeter à assinatura oficial. São as sinergias Senhor! Era o GOVERNO DE PORTUGAL com que a direita gostava de encher a boca...

Eleições, para que vos quero...

Manuel Queiró (Público de hoje, linkador-pagador) afirma: "O principal problema político de Portugal continua o mesmo, é estrutural e não se resolve com eleições". Então com quê, senhor engenheiro? À batatada? Sem eleições? Através de homenzinhos verdes? O senhor não explica... e ainda diz que "não vale a pena revisitar o passado". Nem mesmo em Brideshead?

All American

Em Cannes a Guerra das Estrelas continua. Lars von Trier quer competir com Michael Moore...só mostra como a propaganda anti-américa mais eficaz é mesmo produto nacional.

Lendo...

As considerações do Miguel Coutinho no DN. Só lhe falta acrescentar que a saída da corrida de Guterres proporcionou essa possibilidade. Aliás, sendo Sócrates e Guterres tão próximos, porque é que o PM, desde o primeiro momento e repetidamente durante a campanha para as legislativas, afirmou que Guterres era o seu candidato? Não sabia que Guterres tinha outros projectos/ambições? O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados foi uma surpresa total e absoluta, tão pouco tempo depois da vitória do PS? Pode ter sido, mas na realidade, com a desistência de Guterres, o terreno fica muito mais propício para Soares do que se tivesse sido “primeira escolha”.

180 graus oeste

Brilhante equação!
Infelizmente, nem sempre a formação reactiva leva a água a bons moinhos. Há sempre alguns que ficam a seco.
Um pequeno exemplo é a constante criação de cláusulas que reduzem a abrangência do tão badalado Subsídio de Educação Especial, medida que subsidia o acompanhamento psicoterapêutico de crianças e jovens escolarizadas em centros de saúde mental que ficam fora do contexto escolar.Se há uns anos já não era fácil ultrapassar todos os obstáculos burocráticos e os ruídos na comunicação entre técnicos e funcionários de secretaria, actualmente é quase impossível comprovar que uma criança não precisa de ser débil para ter dificuldades de aprendizagem, nem doente crónica para estar em sofrimento.
Enfim, partir uma perna é mais visível ( e talvez por isso mais culpabilizante?).
Afinal, se calhar, neste país, a solução é simples...Trata-se de redireccionar a culpa, a ver se o guito vai parar aos sítios certos...

Don’t clap, just throw money

Depois das suas desastrosas declarações sobre a falta de aptidões das mulheres para a ciência, Lawrence Summers, presidente da Universidade de Harvard, decidiu canalizar 50 milhões (avisando que é apenas o começo) para recrutar e promover as mulheres na academia. Culpa + medo de perder o cargo = Guita. Que tal esta equação, Sr. Summers?

terça-feira, maio 17, 2005

Estreante

Concordo em pleno com o Medeiros Ferreira- a blogosfera é um lugar a habitar em boa companhia. Estreante nestas andanças, vou ainda descobrir de que forma participar.
O Gonçalo Tavares diz que "tudo o que ainda pode matar ou amar não está obsoleto."Estamos todos em forma, portanto.

Cortesias

A chegada aqui dos bichos foi bem vinda pelo Blasfémias, pelo Barnabé, pelo Insurgente e pelo Bloguítica. Não sei se falhou algum, mas para estes ficam desde já os nossos agradecimentos. Bloguemos, então.

Prós e Contras Chicago vs Lx I: Andante


Prós I
Andar na rua. Os passeios são muito largos, lisos e planos. Não têm presentes de canídeos donos de animais, buracos, obras constantes. Caminha-se, portanto. Um dos meus trajectos habituais é na N. Michigan. Em Lisboa era na Rua da Escola Politécnica. Constantemente tinha que por um pé no passeio (para deixar outro avançar), levar com os tubos de escape dos autocarros que passam a meio centímetro, levar encontrões, desviar-me de obstáculos. Aqui caminha-se.

Contras I
Apanho o comboio todos os dias para a universidade. Todos os dias, para lá e para cá ouço a mesma voz prudente de dez em dez minutos: a sua segurança é importante para nós (…) reporte qualquer pessoa ou acontecimento estranho (…) cuidado com objectos e pertences abandonados (…) não deixe nada no comboio (…) continuamos a zelar pela sua segurança.

Uzbequistão e EUA

No passado dia 5 de Abril na crónica do DN, e a propósito da revolução no Quirguistão, tive oportunidade de me referir à complexa situação nessa zona. Na altura, fiz questão não apenas de diferenciar os acontecimentos relativamente à queda de Akaek das revoluções na Geórgia e na Ucrânia (já que havia quem quisesse insistir na tese da democracia dominó) como coloquei a questão do Uzbequistão: “Os ditadores vizinhos afirmam que o que aconteceu no Quirguistão foi consequência da tolerância à oposição. Entendem, pois, endurecer essa mesma “vigilância”. A ver vamos como é que os EUA vão conciliar a tirania com as suas relações privilegiadas com o Cazaquistão e o Uzbequistão”.
De facto, não apenas o Uzbequistão é governado por um ditador sem escrúpulos, o senhor Islam Karimov (denunciado há anos e sistematicamente por organizações de defesa dos direitos humanos) como tem tido relações privilegiadas com os E.U.A., na chamada luta contra o terrorismo. O Uzbequistão tem também sido um dos países para onde os americanos têm enviado suspeitos para out sourcing torture.
Neste fim-de-semana começaram manifestações contra o seu poder, reprimidas de modo sanguinário e atroz, tendo sido mortas centenas de pessoas. Hoje o The Guardian noticia que uma das líderes da oposição aponta para 745 mortos. Kadyrov, uma das principais figuras do Estado disse, sentando-se ao lado de Karimov, que “apenas” morreram 169 pessoas, o que tem sido desmentido pela Associated Press e outros jornalistas. A reacção dos E.U.A, pela voz de C. Rice foi “o país tem um regime político demasiado fechado”. Lê-se no Guardian: “Nevertheless, the US appears to be reluctant to be too overtly critical of a state it regards as a key regional ally in its "war on terrorism". Uzbekistan has given it access to a strategically important air base”. Comentários semelhantes encontram-se na BBC news em muitos media mainstream.
Espero que a U.E. tome posição. Clara.
A única vantagem desta chacina é por a nu a tremenda hipocrisia da administração Bush e os seus discursos de democracia expansionista.
Para quem se interessa por estas temáticas aconselho vivamente a consulta do registan.net. Excelentes artigos e constante actualização.

O Mágico Número Sete

Ninguém saberá quantificar ao certo o nosso deficit orçamental. Já aconteceu o memo com a França no ANCIEN REGIME. Quando começaram as contas de Necker, começou A REVOLUÇAO.
Deste modo o recente número 7 é um verdadeiro número mágico. Tanto pode pecar por excesso como não. Qual será o próximo número? E porque se tolera tanto os erros dos orçamentistas?

Ainda a Newsweek

Estou curiosa sobre o desenrolar da história, já que o governo americano está a fazer uma grande pressão para que a Newsweek desminta o relatório sobre o Alcorão nas sanitas. Não seria mais prudente (não que concorde, claro!) deixar cair o episódio? Se mais tarde voltar a aparecer uma reportagem semelhante (ou pior, como aliás é provável), a Casa Branca não terá como se livrar, e o feito sobre o mundo mulçumano será bem mais explosivo.

As reacções à decisão do NYT que subscrevemos

Eis a resposta de Markos Moulitsas Zúniga do conhecido blog Daily Kos: "I think this is the best way they can become irrelevant. If my readers can't read it, why would I link to it? The key to blogging is that readers can look at the source material and make up their own minds (...) I don't think it's worth $50. There's way too much content out there for me to pay for any of it."
E os comentários do blogger Andrew Sullivan "The NYT Withdraws From the Blogosphere." "by sectioning off their op-ed columnists and best writers, they are cutting them off from the life-blood of today's political debate: the free blogosphere. Inevitably, fewer people will link to them; fewer will read them; their influence will wane faster than it has already. The blog is already becoming a rival to the dated op-ed column format as a means of communicating opinion journalism. My bet is that the NYT's retrogressive move will only fasten the decline of op-ed columnists' influence."

Olha outro...

O New York Times vai passar a cobrar, a partir de Setembro, pela consulta on line para aceder à opinião de colunistas.

Desculpas de mau...informador

A Revista Newsweek publicou uma reportagem onde afirmava saber de fontes governamentais que era prática em Guantanamo os oficiais mandarem para as sanitas o Alcorão, como forma de fazer pressão sobre os detidos. Essa mesma reportagem originou protestos em vários países (Afeganistão, Paquistão, Indonésia), tendo sido feridas mais de 100 pessoas e morrido 16. A revista foi condenada em outros tantos países, como o Egipto, a Malásia e a Arábia Saudita, e surgiram mesmo ameaças de uma guerra santa. A Newsweek agora diz que a sua investigação estava errada e que a fonte afinal não está segura do que disse.
Contudo, vários prisioneiros (do Reino Unido, do Kuwait) recentemente libertados têm feito as mesmas declarações, dizendo que actos como esses serviam para obter informações dos prisioneiros.
Do mesmo modo, podia-se ler a 9 de Março no Miami Herald:
“Yet recently declassified court documents allege that, as far back as 2002, some of Guantanamo's staff cursed Allah, threw Korans into toilets, mocked prisoners during prayers and deliberately took away prisoners' pants knowing that Muslims can't pray unless covered. Imagine a U.S. prisoner of war who is a devout Christian having his Bible tossed into the toilet or his rosary taken away. The U.S. government would rightly denounce such offenses as human-rights violations”, como em muitos outros orgãos de comunicação social mainstream.
Insiste-se agora que a Newsweek apresente um pedido desculpas formal, de modo a sossegar os ânimos agitados e que insistem em retaliações. E que tal assegurar uma investigação séria, profunda e independente?

Estreia

Em breve outros colaboradores começarão a participar neste blog. Naturalmente, cada um terá o seu estilo e as suas preferências temáticas. Desde já gostava de dizer que actualmente vivo em Chicago, o que nem sempre permite acompanhar todos os detalhes da vida social e política portuguesa. Claro que há sempre os jornais on-line, a TSF, os blogues, mas a atmosfera é difícil de captar, falham as conversas de café, os comentários dos taxistas e do senhor da banca dos jornais. Impossível ver os mesmos espectáculos ou filmes. Por outro lado, é provável que, com alguma frequência, possa escrever sobre o que se vai passando por aqui. Para já fica uma referência da Nina Berberova, C’est moi qui souligne:
« J’ai évoqué Chicago dans ma nouvelle, Le Mal noir. Pour moi, c’est resté une ville aux allures fantastiques, où se mêlent le luxe et la pauvreté, l’élégance et la boue, le parfum subtil des fleurs dans les parcs au bord du lac et les puanteurs suffocantes. On a beaucoup décrit cette ville, mais il faut l’avoir vue, comme Palerme ou Naples, dans son mélange monstrueux de beauté et de crasse, non lorsqu’une couche de neige efface ses contrastes ou qu’une pluie fine les voile, mais par une chaleur humide et insupportable de terrarium qui écrase durant deux ou trois semaines la ville tout entière. »

À Chegada

A ideia do blog e o titulo deste foram iniciativas da Joana Vicente Dias às quais me associei com o apelativo verso do Rilke .
Conheci a Joana Amaral Dias num estúdio de TV e, depois na sua meteórica passagem pela Assembleia da República, onde revelou, desde logo, uma enérgica insubmissão perante os seus pares, e todos os poderes instalados e a instalar. Agradou-me o tom, o som, o carácter.
Aqui estou com ela, e com os futuros participantes neste blog para me expressar o mais livremente que conseguir. Serão textos breves e variados nos temas, em contraste com outros exercícios escritos meus.
Sou um leitor assíduo de blogues há cerca de dois anos e já dediquei um ou outro artigo no DN ao fenómeno que me valeram variadas respostas e convites simpáticos para entrar na blogosfera. Sozinho não me aventuraria. Com as companhias esperadas sinto-me com BICHO CARPINTEIRO!