sexta-feira, junho 30, 2006

Homenagem a Freitas do Amaral

Freitas do Amaral demitiu-se da pasta dos Negócios Estrangeiros.Desde as presidenciais que se esperava a sua saida.Do jogo de máscaras que está na origem da sua ida para o governo já não vale a pena falar.Mas retenha-se o esforço, nem sempre bem aplicado,para dotar Portugal de um mínimo de política externa própria.Freitas do Amaral errou mas ao menos não foi uma mera correia de transmissão de outras políticas nas Necessidades.

Praças financeiras

Joga-se por estes dias uma decisão que pode mudar a relação entre praças financeiras na Europa.A partir do êxito da EURONEXT, essa espécie de federação das bolsas dos principais países com sede em Paris, o NEW YORK STOCK ECHANGE(NYSE)propõe a esta uma associação que pode dar a Paris um lugar privilegiado entre Frankfurt e Londres.Por essa é que poucos esperavam...

quarta-feira, junho 28, 2006

Autonomias de sentido único

O presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, afirmou ser favorável à contenção salarial em Portugal.Ainda bem que o nosso Ministro das Finanças ripostou dizendo não precisar de conselhos facultativos.Com efeito a autonomia absoluta de que disfruta o BCE para a definição da sua política monetária não pode ser transformada num direito de opinar sobre as politicas governamentais dos Estados sócios daquele banco emissor.O que se pede ao BCE é que mantenha controlada a inflação,os preços estáveis e os juros baixos.Se conseguirem reflectir sobre o menor crescimento da zona euro tanto melhor.Se os seus administradores tirarem conclusões sobre a pouca dimensão internacional da moeda que fabricam, e sobre a actual tendência para se fazer do ouro uma moeda de refúgio, mais perto estarão do mandato que receberam.A autonomia do BCE não lhe permite entrar na área dos governos e na política de redistribuição de rendimentos.A autonomia dos bancos centrais , necessária à condução da política monetária ,implica que se respeite a autonomia dos governos.E já agora não seria de redefinir o papel dos bancos centrais nos países da zona euro no sentido de os tornar mais úteis financeiramente, e com maior capacidade de redistribuição de dividendos de aplicações rentáveis para os Estados?Todos devem contribuir para a batalha do déficit...

Vou à Alemanha!

Recebi um convite para ir à Alemanha ver o Portugal-Inglaterra.Estou contente como uma criança.Como escreveu Xavier Marías«O futebol permite-nos revisitar a infância».Aí vou eu!

Sic-Mulher

Pouco a pouco fui-me tornando um adepto da Sic-Mulher:boas séries, bons filmes, alguns programas ligeiros mas agradáveis, levavam-me a parar no canal 6 da TV-Cabo durante o zapping nas noites de deserto televisivo.Ao domingo dividia-me entre a bola e a Jessica-Carrie do Sexo e a Cidade.Às vezes ficava a ver a Solange(um rosto para a televisão do futuro)arengar sobre homens e mulheres.Ainda o outro dia revi um grande filme com o Paul Newman ,A Cor do Dinheiro.Pois dizem-me que a TV-Cabo vai suprimir o canal das suas assinaturas.Até receio dizer os outros canais de que gosto!São tão poucos!

terça-feira, junho 27, 2006

Caderno diário

O António Figueira está a fazer do caderno de verão um verdadeiro caderno diário.Quero agradecer desde já as referências que me fez.E desejar a todos as maiores felicidades para o projecto que se anuncia por altura do equinócio.

"Cozinha arqueológica"

"O carácter de uma raça pode ser deduzido simplesmente do seu método de assar a carne. Um lombo de vaca preparado em Portugal, em França, ou Inglaterra, faz compreender talvez melhor as diferenças intelectuais deste três povos do que o estudo das suas literaturas."
-- Eça de Queiroz in "Notas Contemporâneas"

Eu pergunto-me, será que entre um Roast beef acompanhado de Yorkshire pudding com gravy e um belo bife com "ovo a cavalo" regadinho com muito óleo, alho e batatinha frita, conseguimos igualmente compreender o que nos torna futebolisticamente diferentes dos ingleses?

Técnicas de demissão do primeiro-ministro

Começo a observar os acontecimentos em Timor-Leste na óptica da técnica da demissão de um primeiro-ministro que tenha uma maioria parlamentar e que acabe de ganhar o congresso do seu partido.Interessante desde já o papel da PGR no destino do personagem a afastar.Até as manifestações de rua já me parecem mais inocentes...

segunda-feira, junho 26, 2006

"Not your soldier"



Qual Michael Moore, qual carapuça!?

domingo, junho 25, 2006

São quantos de cada lado?

Portugal ganhou o jogo contra a Holanda apesar da cabeça perdida do Costinha, e graças à muita cabeça de Scolari.

Felizmente há luar

Fui ver a peça de Luis de Sttau Monteiro em representação na Barraca, um grupo de teatro que atravessou estes 30 anos fiel a um padrão estético e político que condiz muito harmonicamente com o drama escrito em 1961.O resultado é um espectáculo surpreendentemente intenso e claro na acção.O texto de Sttau Monteiro foi enxugado por Helder Costa-o encenador-, o que se compreende pois ele foi escrito para ser lido dada a nula probabilidade de ser representado no contexto do Portugal salazarista abalado pela campanha de Humberto Delgado .Aliás o general Gomes Freire aparece como um antepassado de Delgado, e isso 4 anos antes do assassinato deste pela Pide.
Com uma boa distribuição de actores, desde Céu Guerra no díficil papel da mulher do general que servira Napoleão, até aos novos André Nunes e Ruben Garcia, sem esquecer o profissionalismo de João Ávila,o espectáculo recomenda-se.Hoje não vejo ninguém a retratar o passado da opressão em Portugal como Sttau Monteiro o fez há mais de 40 anos.Porque será?

sábado, junho 24, 2006

Patrulhar o Alqueva

A notícia do Expresso sobre as desgraças ecológicas e o vazio de fiscalização na extensa barragem do Alqueva, que visito sempre que passo pelas suas margens,leva-me a sugerir que à Marinha Portuguesa seja atribuída a missão de patrulhar aquele imenso lago.

Outra boa proposta

Leio no Diário de Notícias que Alkatiri apela à mediação de Jorge Sampaio.Tenho a certeza que o nosso ex-Presidente se dedicaria de alma, coração e espírito alerta a essa missão em favor da paz política e da independência de Timor.Mais uma vez,parabéns Paulo Gorjão.

sexta-feira, junho 23, 2006

Uma boa proposta

Paulo Gorjão apresenta uma boa ideia para parar o relógio da desgraça em Timor.Independentemente do nome do mediador internacional, e nada tenho contra o de Clinton que mudou a política norte-americana para apoiar a independência daquele país, a ida de uma missão internacional poderia ser um caminho para se encontrar uma solução menos dependente de apoios viciados.

quinta-feira, junho 22, 2006

O pior é possível?

Nem sempre acontece o pior.Mas as declarações de Xanana Gusmâo anunciam o pior:a divisão entre legitimidades num clima de agitação num país com tropas estrangeiras convidadas a permanecer no território por esses poderes que se separam.Muita cautela para a GNR em Timor e para os decisores em Lisboa é o que se recomenda.

Inteligência editorial

Ao ler nesta última semana os cronistas dos nossos impérios mediáticos percebi melhor o critério editorial do DN ao convidar para o seu bem feito suplemento sobre o mundial de futebol muitos dos seus colunistas e jornalistas:assim acantonam toda a opinião sobre o campeonato naquele espaço!Quase todos os outros colunistas acabam por escrever sobre futebol enquanto que eu, à 3f, só me posso ocupar dos magnos assuntos do mundo!Fez bem hoje o Mário Bettencourt Resendes em oficializar a dificuldade de se encontrar outros temas de conversa nesta quadra!

quarta-feira, junho 21, 2006

"Hasta luego!"



Um momento de "fair-play" provocativo.

Le Monde e a publicidade nas camisolas

Nas páginas sobre o Mundial de futebol da edição do Le Monde com data de hoje o jornal indaga-se por quanto tempo ainda não haverá publicidade nas camisolas das selecções nacionais...Quem entre os portugueses já está a pensar no assunto?A FPF ainda acaba por distribuir mais dividendos ao Estado do que o Banco de Portugal...

Tomar partido e sentido de justiça

Portugal venceu os três jogos que disputou.Merece por inteiro ser primeiro do grupo.Embora tivesse tomado partido por Angola reconheço que o México é um justo segundo classificado.Venha a Argentina!

Angola já marcou, Nuno Gomes já entrou

Só falta mais um golo em cada jogo!

Golos para Angola

Gostava mesmo que Angola passasse aos oitavos de final.Até para prestígio das ligas portuguesas...Já nem falo no triunfo do triângulo futebolístico-linguístico Angola-Brasil-Portugal dentro da FIFA..
Este é o meu desejo para os próximos 45 minutos

A oeste nada de novo

Li com atenção a entrevista do publicitário Pedro Bidarra na revista de Economia do jornal Público DIA D.Estava com curiosidade de conhecer o personagem.Desiludiram-me no entanto as «novidades» do conceito de Portugal como um país do Oeste Europeu, pois desde 1987 que essa descoberta consta das Grandes Opções do Plano apresentadas pelo cavaquismo governamental.Dizem que o teórico da fixação ocidental da posição de Portugal terá sido o imaginativo estratega Félix Ribeiro.A ideia parece-me poder ter ainda algum futuro embora não se perceba o seu adormecimento durante vinte anos!Mas criatividade não é necessáriamente originalidade e admito que o cavaquismo na presidência dê uma nova oportunidade a essa política da imagem.
Mais petulante, e contraditória, pareceu-me a proposta de mudar a bandeira nacional para cores azuladas.Entre o azul estrelado europeu e o azul cruzado da bandeira dos Açores só se distinguiria para estes lados a flamejante bandeira sulista da monarquia espanhola...E isso marca!Mas podemos encetar um concurso de ideias para novas bandeiras nacionais por ocasião do centenário da República.Ou não vale a pena ter isso em mente?

terça-feira, junho 20, 2006

Nova filosofia para as finanças locais

Sem conhecer no detalhe os novos projectos de lei sobre finanças locais deu-me a impressão de se estar perante uma verdadeira reforma estrutural pela apresentação feita pelo ministro António Costa.É caso para dar os parabéns à Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, pois pareceu-me detectar as impressões digitais do Eduardo Paz Ferreira e da Marta Rebelo nas soluções apresentadas.

segunda-feira, junho 19, 2006

Original inglês com legendas em castelhano

Num zapping passo pelo canal da TV Cabo AXN :filme em versão original inglesa com legendas em castelhano.Como dizia Goethe dos alemães:temos de saber várias línguas para compreender os outros no nosso território e fazer-nos compreender nos outros países!E já agora o AXN em que versão se exibe na Catalunha?

A Catalunha rica

Nação ou Comunidade Autonómica,mas certamente que não uma região, a Catalunha vive da sua riqueza e encontra nela o respaldo para os seus objectivos.Desta vez o novo Estatuto dá-lhe poderes na área fiscal que podem afectar o Orçamento do Estado espanhol.Quando as contas estiverem feitas ver-se-á que este aspecto, negligenciado pelos analistas, permitirá a Barcelona voltar a falar com Madrid.Quem sabe se de nação se de república. Se para redistribuir mais as receitas próprias pelo todo espanhol se para agravar o chamado egoísmo fiscal das zonas ricas.Ou acham que é só na península balcânica?

James Madison versus VPV

Vi Vasco Pulido Valente no programa Diga Lá Excelência, e confesso que o prefiro por escrito, ou em conversas informais.Também ele não resistiu ao embate da pergunta jornalística sobre se não haverá deputados a mais.Embora tendo estudado em Oxford parece que até lá não chegou a lição do anti-colonialista Madison e o seu The Federalist Paper number ten de 1787 que definiu a filosofia do número de deputados.Cito:
«...however small the republic may be, the representatives must be raised to a certain number, in order to guard against the cabals of a few;and that, however large it may be, they must be limited to a certain number,in order to guard against the confusion of a multitude»
Depois disto nenhum intelectual poderá pensar o parlamento em termos de sentados e em pé sem pecado contra o espírito.

domingo, junho 18, 2006

O factor Angola

Desde ontem que Portugal festeja a virtual passagem aos oitavos de final do mundial.Mas as 2 vitórias só permitem esta alegria precoce porque Angola ajudou empatando com o México.Eis um facto pouco salientado nas últimas horas.

sábado, junho 17, 2006

A Austrália,em suma.

Com o adiamento do envio de uma missão da ONU para Timor e com o desarme negociado dos «rebeldes»,os australianos ficam ali para as curvas.Cuidado com o papel de perseguidores que nos queiram atribuir.

sexta-feira, junho 16, 2006

Esta semana não,Paulo Querido!

Os meus colegas bichos-carpinteiros não dão qualquer importãncia aos índices de audiências.É sina minha associar-me a gente culturalmente indiferente à popularidade.Por isso ninguém reagiu aos indicadores do Paulo Querido no Expresso da semana passada.O máximo que consegui foi uma explicação da casa das máquinas de que não estaremos ligados a um desses contadores internacionais.
Mas nesta semana de feriados molhados dispensamos a visita do perito!O resultado seria pior do que o do Portugal-Angola!

quarta-feira, junho 14, 2006

Cavaco Silva escolhe ministros

Em 48 horas o PR entrou na área governativa criticando o Ministro da Agricultura e elogiando a Ministra da Educação.Nem o Primeiro-Ministro se pode dar a tamanha liberdade de escolha...

segunda-feira, junho 12, 2006

Pensamento próprio contra pensamento único

Gostei de ver e de ler Miguel Cadilhe propor uma nova maneira de negociar com Bruxelas as questões relacionadas com o Pacto de Estabilidade.Há uma tendência ancestral entre nós para sermos bons alunos de maus mestres.

Comentar o mundial

As pessoas que me estão mais próximas acham que estou a exagerar na disponibilidade demonstrada para comentar o mundial de futebol.De facto tenho uma crónica semanal na imprensa, um programa de rádio , e solicitações de televisões para opinar sobre este grande acontecimento que se realiza de 4 em 4 anos.Mas que hei-de fazer?Gosto...

domingo, junho 11, 2006

Entre o Mundial e os Feriados

Para ler devagarinho entre a futebolada do Mundial, os Santos, as "pontes" e os Feriados que se avizinham:

-- "The trouble with Islam, the European Union - and Francis Fukuyama"; Roger Scruton critica a influência do Romantismo Alemão no pensamento historicista de Fukuyama. Parece que a "estória" continua ...

-- "The rationalist who'd die for a pair of shoes"; Outra revisitação, desta feita de Adam Smith por James Buchan no seu novo livro.

-- "Dissecting anti-isms"; Josef Joffe e uma diferente perspectiva sobre o "anti-americanismo".

-- "Spengleriana"; Mais outra revisitação, do pensamento de Oswald Spengler e das suas teorias ciclicas sobre o declinio das Civilizações (particularmente a Ocidental).

Terceiro discurso presidencial, terceira referência ao 25 de Abril

A grande novidade deste 10 de Junho foi o desfile militar na Foz do Porto.Mas mais significativo ainda foi o facto de Cavaco Silva, na sua alocução, ter recordado o papel das Forças Armadas no 25 de Abril e no percurso democrático de Portugal.Terceiro discurso do PR (Posse,25 de Abril,10 de Junho), terceira referência a este papel.O que pretende o Presidente?Anexar um tema de esquerda ou fixar uma fronteira à direita?

sábado, junho 10, 2006

Um campeonato com golos

O campeonato mundial de futebol começou com muitos golos.Bom sinal para os que acham que a melhor defesa é o ataque.

Na Mãe de Deus

Estive estes dias em S.Miguel onde uma mãe foi à escola da Mãe de Deus em Ponta Delgada bater numa professora.Porque será que actos desses não me surpreendem nos dias de hoje?

quarta-feira, junho 07, 2006

Filomena Mónica ao Parlamento!

Desde o fim dos morgadios que os deputados não são muito considerados em Portugal.Quando havia a representação por Ordens não se colocavam questões de meritocracia.Representar corpos dá outra defesa...Camilo e Eça emprestaram algum talento literário, por vezes repetitivo, a desancar o comum dos bachareis que era eleito deputado.Ainda hoje quem sabe alinhavar uns adjectivos novecentistas faz figura de juiz dos costumes políticos em Portugal...
Ultimamente, talvez por ter terminado uma obra de tomos sobre os parlamentares portugueses entre 1834-1910, a minha amiga da Faculdade de Letras de Lisboa Filomena Mónica tem vindo a exagerar no tom depreciativo(que noutras circunstâncias lhe fica a matar...)com que brinda a actividade parlamentar desde que ela existe entre nós.Eu que já vi muito talento perder-se nos passos perdidos tenho a certeza que aquela investigadora social daria uma excelente deputada.Caso venham a existir os círculos uninominais acho que a Filomena Mónica deve à Pátria a disputa de uma cadeira na Assembleia da República.Um dia será moda ser-se deputado excepcional.Pena que eu já não esteja lá.

Justificação de faltas

A Primavera, como é costume, tem sido tempo de mesas redondas, conferências, congressos, palestras e afins. A época abriu com a ida à Dança com Livros, em Montemor-o-Novo, onde estive pela primeira vez e com gosto. Sobre o evento e a mesa em que participámos, Eduardo Prado Coelho escreveu uma síntese no Público, pelo que não me alongarei. De facto, esta iniciativa no Convento da Saudação tem um ambiente ímpar e vale a pena a visita. Para o ano há mais!
Têm-se seguido múltiplos encontros, obrigando a deslocações várias e a uma sensação nómada, que não me desagrada.
Este fim-de-semana, participei numa iniciativa do Sindicato dos Professores do Norte, que decorreu em Tormes. Para além do avejão do Eça, lá esteve a animação dos Andarilhos e a gastronomia exuberante. Valeu a pena debater com o José Alberto Correia, cujo humor e acutilância é de Maias, e com Francisco Assis que demonstrou uma saudável posição crítica em relação a actual ordem mundial, ao seu partido e ao seu governo, certamente indispensáveis ao debater-se a Educação e sobretudo nesta época de incêndios escolares. Fiquei por Amarante, para as Festas do Junho, em honra do polémico São Gonçalo, arrebatadas e onde tudo corre à desgarrada. Amadeo de Souza-Cardoso imortalizou-as, mas mesmo assim é de dar uma espreitada e ver o que são hoje estas celebrações. Amarante por estes dias é Portugal multicultural profundo. Vendedores de tudo e mais alguma coisa abarrotam as ruas. Quase nenhum nasceu em Portugal. Senegaleses, brasileiros, chineses. Os portugueses compram meias a 2 euros a dúzia e dançam ao som da Shakira. Passeiam-se meninos com os fatos comprados para a primeira-comunhão, guardados cuidadosamente no armário. As calças já não tampam os tornozelos e os sapatos estão impecavelmente novos, mas cheios da poeira. O sorriso é de fartura. Tudo se mistura com os turistas nórdicos e com os banhos no Tâmega, entre merendas com vinho tinto e comidas outras, trazidas pelos imigrantes de Leste.
Ainda dei uma saltada a Serralves em Festa, onde a oferta era distinta, mas a alegria rival.
Ontem estive em Lisboa, na ante-estreia do Inconscientes, fazendo um breve enquadramento histórico do ano de 1913 (por acaso o mesmo ano em que Amadeo pintou a procissão) e do nascimento da Psicanálise, colaborando, uma vez mais, com a Atalanta. Não comentei o filme – também não teria muito a dizer- mas lá andei pela decadência do império e pelo efervescência artística da época. É atribuída à elite vienense a frase: “Se tudo está desesperado, é porque não é sério”. Será que a nossa intelectualidade diria o mesmo?
Hoje estarei no Porto, numa tertúlia com o Carlos Magno e o Júlio Machado Vaz. A ementa promete aplacar a guerra. Amanhã sigo para Vila Real, para uma iniciativa do Instituto Português da Juventude, onde discutirei os movimentos juvenis.
Tudo isto para dizer: poucos posts mas muito palavreado. Siga a estrada.

A feira cabisbaixa

Alguém ligado ao mundo da edição explica-me a rarefação da feira do livro em Lisboa:este ano não houve publicidade pela cidade, o preço de aluguer dos pavilhões causa problemas aos editores tanto mais que há verbas públicas para outras actividades menos essenciais à realização da feira, e , finalmente, o parque Eduardo VII não reune as condições ideais para um evento daquela natureza.Seria preferível, disse-me, arranjar outro espaço ao ar livre perto de outras comodidades como outros comércios,restaurantes, casas de espectáculos, etc.O Parque das Nações à beira rio, por exemplo.Será essa a solução?

terça-feira, junho 06, 2006

Timor, por Carlos Gaspar

Ainda não referi aqui a excelente presença televisiva de Carlos Gaspar no programa da Maria João Avillez na SIC_NOT.Apresentou uma visão informada e analítica, não isenta de opções,como é raro entre nós.Para os que o conhecem e com ele privam está longe de ser uma surpresa.Mas admito que tenha sido uma revelação para os demais.

Folgo muito

Folgo muito que a Feira do Livro no Porto esteja a correr bem, cara Maria João Regala.
Eu aliás não me referia ao processo de criação artistica ou ao da produção virtual de livros.Quando vou à feira é mais como consumidor convivial.Foi esse aspecto que me pareceu mais bisonho em Lisboa .E feira é festa!

Eu andava quase morto no deserto, e o Porto aqui tão perto

A adaptação desta letra do Sérgio Godinho serve só para uma nota de rodapé, já que, a contrastar com a descrição deprimente que possa ter feito da Feira do Livro de Aveiro, houve no Porto momentos que realmente gostaria de não ter perdido. Como a conversa entre Saramago o Gonçalo Tavares, que, ao que dizem, estiveram em processo criativo partilhado. A falar da escrita. Lembrando que não há idades quando duas pessoas estão disponíveis para se encontrar.

Será mal geral?

Parece que não é só na Feira do Livro de Lisboa que o entusiasmo e a particiação rareiam. Em Aveiro, pressente-se que as pessoas tenham estado a poupar baterias para o mundial. ( a avaliar pelo Euro, que encheu as praças de ecrãs gigantes, barraquinhas de cerveja, sacos de plástico para sentar o rabo e multidões de entusiastas que podiam bem dar corpo a um reclame ao Prozac).
De lamentar não é o facto de a gente gostar de ver a bola. Até aqui, tudo bem.
Mas é de um grande desconcerto haver um debate sobre a leitura no qual participaram pouco mais do que os elementos da livraria que o organizou...Livreiros de outras bandas, nem vê-los! Bibliotecários,professores, autarcas (com excepção do interlocutor convidado), esses terão tido, talvez, melhor programa.
De lamentar ainda o facto de nem mesmo a organização da feira estar presente numa das noites mais mágicas, a noite dos contos, na voz do extraordinário narrador da tradição oral Carles Garcia Domingo. Não foram precisas luzes para engrandecer o evento, nem cadeiras para manter as pessoas presentes.Mas também, se necessárias fossem, não estava ninguém que as pudesse ceder.
A praça que fica ao lado dos livros chama-se agora Praça Carlsberg. Não tive acesso ao orçamento, mas pelo tamanho do ecrã que a ocupa deve ser bastante superior ao que foi disponibilizado para a feira do livro.
Tal como o Medeiros Ferreira, eu também não acho que devamos depreciar uma iniciativa como o plano de incentivo à leitura proposto pelo governo, nem qualquer outra actividade que proporcione que as pessoas leiam livros.Mas às vezes tenho pena de ter que haver decretos para algo tão óbvio. Se calhar, por ter tido a sorte de poder ler bastante na minha escola. A minha professora amava os livros, e nunca precisou de normas para nos fazer amá-los.

segunda-feira, junho 05, 2006

Calor ou crise?

Bem sei que as temperaturas rondam os 33 graus em Lisboa.Mas hoje ao ter de atravessar a cidade em vários sentidos notei uma grande rarefação de carros mesmo na hora de ponta quando fiz o percurso rua da Escola Politécnica, Marquês, Saldanha,Av da República, Av EUA até à Gago Coutinho.Há mais de uma semana que é assim. Mesmo os lugares de estacionamento para os carros se mostram mais disponíveis.Também das 2 vezes que fui à Feira do Livro havia pouca gente. O que despovoa Lisboa desta vez já que não é a canela?O calor? O preço da gasolina?Esperemos pelas marchas populares...

Sentimental

Confesso não me ter deixado indiferente a forma como os emigrantes receberam a selecção portuguesa na Alemanha.O campeonato do mundo de futebol permite estes exercícios identitários mesmo em terras estranhas.Reconhecer os seus que estão distantes sem excluir os outros que estão próximos.

Feira do Livro

A Feira do Livro anda a perder alegria em Lisboa.Assim não há plano nacional de leitura que nos valha.

domingo, junho 04, 2006

Junho, o mês do mundial de futebol

Li no Financial Times uma crónica de Simon Kuper sobre a Alemanha e o futebol, em que se realça o desconforto de Hitler perante o fenómeno de sedução que aquele desporto suscitava nas juventudes do seu tempo.Como não se sabe, o cabo preferia o andebol, como Mussolini o hoquei em patins.O futebol é que não jogou um grande papel entre as potências do Eixo.Já o mesmo não se pode dizer do lugar do chamado desporto-rei na Grã-Bretanha da era industrial.Deixo estes dados para reflexão dos modernos sociólogos que condenam a alienação que se anuncia em Portugal, pelo menos em parte do mês de Junho, com o Campeonato do Mundo de futebol que se realiza de 4 em 4 anos.

sábado, junho 03, 2006

Ana Sá Lopes não é só Vanessa

Excelente o texto de Ana Sá Lopes hoje no Diário de Notícias sobre a questão das quotas de que ninguém fala e com as quais ninguém se importa.

Forçar a mão

A 26 de abril escrevi aqui que o primeiro teste da independência de Cavaco Silva em relação á sua base partidária de apoio estaria no destino que desse à lei da paridade que o PSD e o CDS contestaram na AR , chegando estes a chicanar sobre o quorum formal da larga maioria que aprovou a dita lei.Pois bem: o PR deixou que lhe forçassem a mão, o que é um péssimo sintoma, tanto mais que creio ser este o veto político mais rápido de um novo Presidente na história constitucional deste regime.

sexta-feira, junho 02, 2006

Cara-metade

Cavaco Silva vetou a lei da paridade.
É evidente que as mulheres não fazem parte do “roteiro para a inclusão” do Presidente da República.

A minha comissão para o plano nacional de leitura

O plano nacional de leitura pode ser uma falsa boa ideia, mas não me parece que mereça desdém.Dois membros convidados para uma clássica comissão de honra distanciaram-se do empenho, bem sei que cada um à sua maneira.Se no caso de Vasco Pulido Valente o fastio vem de ter aprendido a escrever lendo em casa ainda de bibe, os livros novecentistas de Eça,Fialho, Ramalho Ortigão, Pinheiro Chagas, e até o João com o mesmo apelido, já o cepticismo de Saramago deve porvir de saber o que lhe custou descobrir por si António Vieira,Francisco Manuel de Melo,Jorge Amado , e outros,nas bibliotecas públicas.
Eu convidaria para a dita comissão de honra nomes de professores como Lídia Jorge,Gastão Cruz,João de Melo,Isabel Alçada,Ana Maria Magalhães,Hélia Correia,Daniel de Sá,Fiama Hasse Pais Brandão, Eduarda Dionísio,entre outros, que escreveram os seus primeiros livros ensinando aos jovens nas escolas, ou guardando as crianças nelas...

quinta-feira, junho 01, 2006

Sinais dos tempos

"Not since Jesus has a baby been so eagerly anticipated."

-- New York magazine referindo-se ao nascimento do filho de Brad Pitt e Angelina Jolie.

Torpe

O Público de hoje tem uma notícia sobre os Centros Educativos, que acolhem menores que cometeram crimes. Ilustra a inércia e o desleixo do país. Quando, em 2001, entrou em vigor a Lei Tutelar Educativa, foi criada uma comissão para acompanhar o Ministério da Justiça na fiscalização dos Centros Educativos. Essa comissão deveria cumprir funções indispensáveis. Contudo, as nomeações para essa entidade ocorreram apenas em 2003 e hoje continua sem tomar posse. Daqui resulta que os referidos Centros estão sem fiscalização há mais de cinco anos. Entretanto, tem ocorrido reformas substanciais. Sem qualquer intervenção da dita comissão.
As áreas dos menores delinquentes e dos menores em risco continua a ser uma bandalheira em Portugal. Os mais vulneráveis da nossa sociedade são continuamente sujeitos ao abandono por parte do Estado. Recentemente, um técnico de uma Casa de Emergência, contava-me como tem crianças a dormir no chão, nos corredores, e menores que, em vez de ficarem albergados “em emergência”, acabam por aí residir durante anos. Muitos com patologias graves e carências profundas. Os apoios continuam a ser limitados ao indispensável. Isto é, desde que as crianças não morram de fome, tudo está bem. Educação, reintegração, acompanhamento, são luxos. Acessórios.
Quando voltar a aparecer uma Vanessa ou um Daniel a boiar no rio, voltarão a fazer um rol de discursos compungidos. Até lá, assobiam para o lado e comemoram o dia.

O renascimento de uma jornalista

Acabo de assistir a uma excelente entrevista feita pela jornalista da RTPN Ana Fonseca ao primeiro-ministro de Timor Mari Alkatiri.Foi um bom momento informativo digno da maior audiência.
Há mais de 10 anos tive a oportunidade de ser regularmente entrevistado por essa sóbria profissional nos jornais da então RTP2 e confesso ter ficado com saudades da sua competência.Entretanto desapareceu da pantalha e regressou pela via da RTPN,estúdios do Monte da Virgem no Porto, embora ao princípio não me parecesse em forma.Refractária à cultura do star-system vigente entre pivots televisivos, Ana Fonseca volta a demonstrar a sua preparação e seriedade.