quarta-feira, maio 31, 2006

E raramente se engana

Segredo de Estado

Cavaco Silva: Houve um autarca que contou como estavam a ultrapassar as dificuldades: com estrangeiros. Há uma autarquia que tem dois mil ucranianos e romenos.
DN:Qual é a autarquia?
CS: Não queria expor isso aqui.

Verdade ou consequência

A confirmar-se isto, depois admirem-se que aconteça isto. Aos pontapés.

Revisão de fronteiras

Ainda Paulo Portas na Sic-Not:
Interessante a sua preocupação com o princípio da auto-determinação que está a ser aplicado para rever o mapa político europeu, e cujo caso mais recente é o do Montenegro, ao qual se seguirá muito provavelmente o do Kosovo.Quando tantos falam de abolição de fronteiras não deixa de ser um forte sinal político que paralelamente se ensaie a alteração de fronteiras em certas áreas da Europa.Mas desde 1991 que o processo está em curso, caro dr Paulo Portas...À atenção dos especialialistas em surpresas.

Dá. Dá.

Sócrates não dá a táctica mas acredita na vitória”. Tranquilos. É apenas sobre a selecção.

Dobradinha

No Público de hoje, Eduardo Prado Coelho intitula a sua crónica de “Feira Cabisbaixa”. Embora na edição on-line não apareça a referência ao autor do título, Alexandre O' Neill (não estou a sugerir que tivesse que aparecer), o texto acabou por me lembrar um poema- As voltas da poesia- desse mesmo livro que vai assim:

Borborigmo a expensas da dobrada
Para uns, é a alma alanceada;
para outros, quilo tão ronceiro
que lhes dá remoneio o dia inteiro,
a conversa visceral fiada
que os versos são, primeiro.

em qualquer dos casos, venham mas é versos,
bem tirados, acabados, tersos,
que a dobrada, essa, se por lá traquina,
é para coisa que se veja, chula ou fina.

terça-feira, maio 30, 2006

OH Clara!

Paulo Portas, que hoje está menos demagógico,conseguiu falar quinze minutos sem se dirigir à jornalista Clara de Sousa com a sua sonora intimidade«Oh Clara!».Mas depois tem sido um festival.«Oh Paulo!»...

Alarmismo social

Só comecei a ver os Prós e Contras depois de ter ido à Feira do Livro.Mas o que ouvi pareceu-me suficiente para criar um ambiente de alarmismo político e social.A época dos incêndios sociais chegou aos estúdios da RTP.

Onde param as 4 onças de ouro?

Espero que o programa Prós e Contras não acabe sem que a Fátima Campos Ferreira pergunte onde param as 4 onças de ouro que D. Afonso Henriques prometeu pagar ao Papa se este reconhecesse a independência do Condado Portucalense.

segunda-feira, maio 29, 2006

Pirataria em Belém?

Para além de muitas outras questões que o “Roteiro para a Inclusão” do Presidente da República levanta, a ideia de combater a exclusão social visitando as povoações e instituições que já têm programas para responder a tais problemas é, no mínimo, discutível.

Como se lê no DN, “Cavaco (…) começa em Alcoutim, para conhecer um projecto de combate ao alcoolismo e os programas municipais de apoio às populações idosas. Visita ainda Mértola, para assistir à apresentação dos programas locais de combate à exclusão social, e Montes Claros, onde pára no centro social.”

Os problemas que o Presidente aponta já estão, nestes casos e nestas paragens, sob foco. Diagnosticados e atendidos. Não digo solucionados mas, pelo menos, são alvo de medidas. Parece que a justificação do Presidente consiste em valorizar as “vias que foram encontradas” que, supostamente, só têm que ser replicadas para que a exclusão dê à sola, qual milagre da multiplicação dos pães. É o modo de baixa tensão. É confortável. Por ora, nada de pôr o dedo na ferida ou levantar o tapete. No roteiro deste Presidente, tudo é muito asséptico. Não há pessimismo nem tons negativos. Não há terra erma e queimada, gente desamparada, pobre, perdida e só. Há excelentes autarcas, voluntários altruístas, programas originais e inovadores, idosos com dignidade, alcoólicos em recuperação. Um grande país, sim senhor.
Portugal precisava de um Presidente que revelasse e destacasse o que realmente vai mal? Pois, é. Mas Cavaco Silva não quer mostrar a miséria, porque não quer atrito com Sócrates. Cavaco troca essa missão pelas boas relações com o governo- do qual faz temporariamente parte. Troca os portugueses mais vulneráveis pela sua sobrevivência política. E ainda consegue dar uma imagem de grande empenho. Pimpão. Depois, quando os tempos forem outros, trocará as boas relações com o governo pelo uso dos problemas do país.
Este roteiro é um mapa do tesouro.

Os fazedores de chuva e de opinião

Sobre as agências de comunicação e o quixotesco Manuel Maria Carrilho, duas observações:
1) Como é óbvio, criar temas de conversa, gerar e gerir opiniões é o trabalho profissional de qualquer agência de comunicação ou empresa de relações públicas que se preze. Mal delas se não o conseguissem fazer. Não percebo então a novidade e o alerta gritante de Manuel Maria Carrilho!?

2) Se elas têm influência na percepção que o grande público tem sobre um dado assunto, empresa ou pessoa ... têm concerteza; retomo o ponto inicial - é para isso que elas são pagas. No entanto, o facto de Carrilho gostar muito de si mesmo, de ter um "amour poupre" que o trascende, não significa que as pessoas o acompanhem nesse exercício. Talvez seja isso que Carrilho até hoje ainda não conseguiu apreender levando-o a culpabilizar inteiramente as "agências", custa-lhe aceitar que os eleitores gostem menos dele ... que ele próprio.

Caro Professor, ainda não percebeu como é que perdeu as eleições? Eu acho que nem com a ajuda profissional de um desses "fazedores de chuva" conquistaria a minha empatia e o meu voto.

Politics with dummies



Calma. É só ficção e são da Marvel.

F for Fake

Juventudes futebolísticas

Durante meses eles são incensados nas colunas desportivas de apreciação individual dos jogadores.GÉNIOS COM VINTE ANOS são apresentados prontos a vender para qualquer equipa de top mundial.Mesmo quando jogam mal,ou derivam para a jogada individualista, ou simplesmente bonitinha mas inconsequente.São semanas a fio.Imagino o desespero dos treinadores sérios que ainda os querem aperfeiçoar táctica ou tecnicamente perante o coro dos mitificadores.E depois perdem perante equipas normais, sem árbitros sensíveis aos «Ai Jesus» dos que caem por sistema perto da grande área.É o preço da avaliação fabricada.

Futebol na Ópera de Budapeste

Fui um destes dias à ópera em Budapeste.No primeiro intervalo um casal de portugueses certifica-se que sou eu.
-Ouço-o todas as semanas a falar de futebol nos« artistas da bola» na Antena 1, não sabia que gostava de ópera, diz-me ele;
-Acho que o futebol e a ópera têm o futuro assegurado enquanto houver transmissões televisivas, lanço-lhe eu.
A mulher, algo preocupada,ainda refere os meus comentários políticos já não sei em que estação, e puxa o marido para os refrescos.
No segundo intervalo ele aproxima-se para corroborar que também me gosta de ouvir sobre política internacional.
-Deixe lá,e aproveito para citar mais uma vez a frase de Oscar Wilde:«Só as pessoas frívolas acham frívolas as coisas frívolas».
Fico à espera , em vão, que ele me diga que a frase não é de Oscar Wilde.Já tenho feito grandes amizades assim.

sexta-feira, maio 26, 2006

Na terra da meritocracia

"Premiar os mais capazes é a única forma conhecida para gerar riqueza e empregos. Estúpido é pensar que os pobres acabam com a redistribuição da pobreza."
-- Sérgio Figueiredo in Jornal de Negócios

quinta-feira, maio 25, 2006

Fora de tempo

Ha uma harmonia temporal nos sentimentos e nas atitudes que sempre me impressionou.Quarenta anos depois Luandino Vieira nao se sente motivado para aceitar um premio que lhe foi atribuido verdadeiramente em 1965.

quarta-feira, maio 24, 2006

Tarde é o que nunca...

Leio que o Prof Azeredo Lopes vai propor à ERCS a análise das questões que o livro de Manuel Maria Carrilho levanta.Fico satisfeito, pois no meu artigo de 16 de Maio no DN, intitulado O Fim Da Idade Da Inocência, sugeria que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social analisasse o funcionamento das chamadas «agências de comunicação» , que me parece ser a questão mais importante para o futuro levantada por MM Carrilho.Se relembro essa minha sugestão é porque também prevejo que um escrutínio geral do livro leve à dispersão da atenção por parte dos ilustres membros da ERCS.

Citizen journalism


O Público traz hoje uma pequena peça sobre o happy slapping, a propósito da agressão cometida por um aluno a um professor, na escola Básica de Palmeira, Braga. O happy slapping é um fenómeno cada vez mais comum que consiste em alguém humilhar ou agredir outra pessoa, enquanto um terceiro filma o sucedido. Depois, o registo passa a circular via telemóvel, correio electrónico ou Internet. Como se lê na peça: “Em Janeiro deste ano, Inglaterra registou uma condenação: quatro jovens - entre os quais uma rapariga que à data dos factos tinha 14 anos - foram sentenciados por homicídio. O juiz concluiu que três deles faziam happy slapping com regularidade e que tinham ficado obcecados com a ideia de atacar pessoas e de filmar a cena para posterior gratificação.”
Porque é que chamam happy slapping a esta coisa? Ok, do lado do agressor pode ser happy, cheerful ou joyful. E, afinal, já se capotou o ónus da prova, já que os slappers fazem o favor de a entregar de bandeja. Mas do lado do agredido, humilhado e ofendido, não é de certeza um festim. Só se também começássemos a chamar ao homicídio com arma branca, “faustoso retalhamento”, à pedofilia “recreação tenra” ou às chacinas ”orgias vigorosas”.

33 anos ao papel

No passado dia 10, Alberto Pimenta fez uma leitura dos seus livros marthiya de abdel hamid e imitação de ovídio, no estúdio da rosa. Este último começando com:
Nós somos um par de instrumentos solitários
Também solidários
O nosso papel é pequeno
Começa e acaba aí
Seguiu-se a abertura de uma instalação de livros da & etc que passou “33 anos ao papel”, pretexto também para que Victor Silva Tavares escrevesse umas estórias .
Fui informada que deus não tinha sido convidado porque “vêm sempre 3, e o espaço disponível é com efeito muito limitado”.
Amanhã, às 22 horas, no mesmo local é a inauguração do Programa Leiturartes, com performances de leitura, música e intervenções dramáticas. Sei igualmente que se não forem, a & etc convidará deus, "inteiro ou numa parte".

O verdadeiro

arrastão.

Uma sociedade sem dramática ficcional

A Sociedade Portuguesa de Escritores resolveu não atribuir o Grande Prémio de Teatro deste ano.Parece que as peças teriam grande qualidade literária mas nenhuma se adaptaria ao dramatismo cénico.E que tal umas sessões de leitura de textos?

terça-feira, maio 23, 2006

E se se começasse por citar as agências?

O Expresso noticiava que mais de 70% das notícias dos orgãos de comunicação social provinham das agora incontornáveis agências de comunicação.Estou certo que essa percentagem se concentra na capital.A leitura de vários jornais locais garante-me que a grande amiga dessas redacções é ainda a agência LUSA, mais barata e transparente, pois muitas vezes é citada como fonte.E se em Lisboa, e no Porto, se citassem também as tais agências de comunicação como fontes, não se daria um passo em frente na compreensão do fenómeno?
PS-Não consultei nenhuma para fazer esta sugestão...

Ainda a sociedade disciplinar

No domingo, remeti para este artigo no The Guardian. Vale a pena dar uma vista de olhos neste projecto de um grupo de cidadãos, que vigiam predatoriamente o seu bairro, e nesta alerta lançado pela realizadora Andrea Arnold.

Exclusão da dádiva

Homossexuais continuam sem poder dar sangue, embora o fim da exclusão tivesse sido anunciado em Março, ao DN.

segunda-feira, maio 22, 2006

Prioridades

É fantástico ver as mesmas pessoas que alardeiam a eventualidade iminente de um ataque terrorista - e com isso justificam as mais inopinadas medidas securitárias - descartarem essa possibilidade, quando o alvo é uma central nuclear.

Marques Mendes não faz esquecer

Marques Mendes desta vez até apresentou umas medidas mais simpáticas para a função pública.Mas enquanto os portugueses se lembrarem da forma como foram governados por Durão Barroso, Manuela Ferreira Leite e Santana Lopes ninguém quererá os seus rebuçados.

domingo, maio 21, 2006

O Euro-festival da ironia





Já há alguns anos que não passava um serão tão animado proporcionado pela transmissão do Euro Festival da Canção. Os ingredientes catalizadores? Junte-se uma dúzia de amigos regados com vinho e acompanhados por tapas e siga-se de fio a pavio a transmissão em directo pela BBC.

As observações do comentador "emeritus" da BBC Terry Wogan, sobre os participantes e os apresentadores são já de si um fartote e uma fórmula garantida para um serão bem divertido. Mas ontem, ao ver as actuações da Estónia com o seu repetido "We are the winners of Eurovision, We are, we are! We are, we are. So, you gotta vote" e dos "ogres" da Filândia (que ironia das ironias, acabaram por ganhar com o belíssimo tema "Hard Rock Hallelujah") ... fiquei completamente atónito.

Dei por mim a pensar que esta "gajada", bem como os milhões de telespectadores que votaram na sua vitória estavam descaradamente a gozar com a "senhora instituição" que é o Festival Europeu da Canção. Afinal eu estava redondamente enganado, nós Europeus é que ainda não nos esquecemos de ser irónicos e démos uma bela lição para "estrangeiro" ver.

Tal como observara Pessoa, é na incapacidade de ironia que encontramos um dos principais traços do provincianismo mental dos povos. Que alívio saber que pelo menos ironia não nos falta!

Sociedade disciplinar

Jonathan Raban, The Guardian
In the last few years, most of us - even instinctive technophobes like me - have become practised in the dark art of surveillance. When I'm going to meet a stranger at dinner, I'll routinely feed her name to Google and LexisNexis to find out who she is and what she's been up to lately. If you know the person's street address, you can spy on her house with Google Earth, and inspect the state of her roof and how she keeps her garden. A slight tilt of camera angle, and you'd be able to see into her sock drawer and monitor the bottles in her liquor cabinet.

Not one more death


Verso, Ed., 2006

Harold Pinter: “I know that President Bush has many extremely competent speech writers but I would like to volunteer for the Job myself. I propose the following short address which he can make on television to the nation. I see him grave, hair carefully combed, serious, wining, sincere, often beguiling, sometimes employing a wry smile, curiously attractive, a man's man.
“God is good. God is great. God is good. My God is good. Bin Laden's God is bad. His is a bad God. Saddam's God was bad, except he didn't have one. He was a barbarian. We are not barbarians. We don't chop people's heads off. We believe in freedom. So does God. I am not a barbarian. I am the democratically elected leader of a freedom-loving democracy. We are a compassionate society. We give compassionate electrocution and compassionate lethal injection. We are a great nation. I am not a dictator. He is. I am not a barbarian. He is. And he is. They all are. I possess moral authority. You see this fist? This is my moral authority. And don’t you forget that”.

Richard Dawkins: Whatever anyone may say about weapons of mass destruction, or about Saddam's savage brutality to his own people, the reason Bush can now get away with his lovely war is that a sufficient number of Americans (…) see it as a revenge for 9/11. This is worse than bizarre. It is pure racism and/or religious prejudice, given that nobody has made even a faintly plausible case that Iraq had anything to do with the atrocity. It was Arabs that hit the World Trade Center, right? So let's kick Arab ass. Those 9/11. terrorists were Muslims, right? Right. And Iraquis are Muslims, right? Right. That does it.”

Haifa Zangana: “We are not celebrating. Death is covering us like fine dust”.

Brian Eno: “There are real problems in this world, problems that will need enormous vision and ingenuity and generosity for their solution. The war in Iraq represents the lack of any of these, and the abject squandering of our potential as a civilization”.

Carros e tipas

De acordo com o Público, a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (CIDM) vai apresentar uma queixa ao Instituto do Consumidor. Elza Pais, a presidente, considera que o anúncio a um automóvel da Opel, em que se vê um homem que procura devolver a mulher com quem recentemente casou, “faz discriminação em função do sexo, é um atentado à dignidade da mulher”, “trata a mulher como um objecto”. Realmente, o anúncio não tem graça e é mal-ajeitado. Se discrimina as mulheres e as trata como objectos? Sim. Mas quantos anúncios é que não o fazem?

sábado, maio 20, 2006

Vendem as vacas e matam os bois

Já que espalham vacas artísticas por Lisboa enquanto insistem em torturar bois na arena, será que entre as organizações de solidariedade social, para as quais reverterá o lucro da venda das vacas pintadas, consta uma associação de defesa dos direitos dos animais?

Mulheres no mundial

Enquanto a Suíça faz campanha para atrair as “viúvas do mundial”, apresentando publicidade onde homens prometem às turistas desprezo pelo futebol e muita atenção para elas, por cá as mulheres dão bandeira.

Cabala

José Luís Judas foi ilibado das acusações relativamente à Câmara de Cascais. Não devia surpreender, pelo menos desde que se sabe que no “Evangelho de Judas” se revela que o discípulo poderá ter sido, afinal, o servo mais fiel de Cristo.

Do Tarrafal ao Prémio Camões

A atribuição do prémio Camões a Luandino Vieira transportou-me ao terrível ano de 1965(dezenas de prisões de estudantes, expulsões de todas as universidades portuguesas, Guerra colonial em Angola, Moçambique e Guiné, manifestações e ameaças contra os candidatos anti-salazarista que defenderam então a auto-determinação para as colónias...)quando a Sociedade Portuguesa de Escritores(SPE)o distinguiu com o grande prémio da novelística, que levou ao encerramento daquela sociedade pelas autoridades da ditadura.Os membros do juri, Augusto Abelaira,Alexandre Pinheiro Torres, Fernanda Botelho, Manuel da Fonseca, que votaram a favor foram perseguidos.Tudo porque Luandino Vieira era um nacionalista angolano membro do MPLA, que estivera preso, desde Luanda ao Tarrafal!Quase ninguém conhecia na altura o livro Luuanda que fora premiado.Ainda me lembro de um jovem do liceu de Ponta Delgada, chamado Jaime Gama, que foi detido pela Pide por ter escrito um artigo favorável a Luandino Vieira...
Foi uma espécie de caso Dreyfuss, que desencadeou paixões a favor e contra a decisão.De certa maneira nascia assim a literatura angolana do ponto de vista político.Hoje ela já tem dois prémios Camões: Pepetela, e aquele por quem o escândalo chegou!

Ritual diário

Sábado, 9 da manhã: Comprar o Expresso, tomar o chá acompanhado de um delicioso e calórico scone, regresso a casa, paragem no ecoponto local ... o "saco de plástico" fica mais vazio e leve em cerca de 400 gramas. Só não fica mais leve na totalidade, porque preciso de algo que me entretenha durante a preguiça do "après-midi" refastelado no sofá.

Dr. Balsemão, os meus 3 Euros continuam a ser seus (até ver).

sexta-feira, maio 19, 2006

Os «Federais» governam a Itália

Romano Prodi acaba de constituir o seu governo de coligação que todos consideram mais à esquerda do que ao centro.Prefiro no entanto salientar que a espinha dorsal governamental é formada por vários ex-comissários europeus, entre os quais Prodi, Amato,e Emma Bonino, e sobretudo integra o antigo membro do directório do Banco Central Europeu, Padoa-Schioppa.Mais tarde se verá o resultado dessa síntese cultural italo-federais europeus.Durão Barroso deve observar com cuidado esses regressos ao plano nacional...

Editar Variações

Fui esta noite ao Frágil, onde já não entrava há anos,a convite da Âncora Editora, para assistir ao lançamento de uma obra sobre António Variações e sobretudo para ouvir a Lena d)Água que imortaliza a voz daquele criador radical.Muita gente que conheço e outra que gostaria de conhecer.À hora que escrevo ainda deve haver muita conversa cruzada na rua da Atalaia...

quinta-feira, maio 18, 2006

Bono, o Editor








Bono, Editor do Britânico "The Independent" por um dia.

[Ver: movimento "Join Red"]

Arsenalista me confesso

Não consigo ver um jogo de futebol sem tomar partido, mesmo que não esteja em campo o SLB ou a Selecção.A partir de certa altura estou a torcer por um dos lados.Ontem depois do Arsenal ter ficado reduzido a 10 elementos vesti a camisola mas o resultado não me agradou!

Uma filha assim

Estive na RTPN num programa sobre Humberto Delgado, e mais uma vez pude apreciar a dedicação que Iva Delgado coloca na permanente recordação do pai como personalidade maior da sociedade portuguesa do século XX.Já fez mais sozinha pela memória do «General sem Medo» do que o Estado todo.Quando a vejo lembro-me sempre do filho de Cristovão Colombo que passou a vida a proclamar que o pai é que tinha descoberto a América, e não Américo Vespúcio como decretaram os reis católicos para desterrarem em morte o temerário de 1492.Saber que alguém lutará pela memória de um nome deve dar muita força.

Um almoço imperfeito

O almoço dos bichos não contou com a presença da Maria João Regala, cativa de Aveiro, mas sempre generosa quando se refere aos outros.Fez muita falta a Maria João. O almoço ficou assim incompleto.Em compensação foi muito agradável tratar o Hidden Persuader pelo nome próprio!

quarta-feira, maio 17, 2006

Um ano em boa companhia

A minha presença neste blog tem sido intermitente e breve, mas sinto-o como um espaço de pertença. Acompanho a participação entusiática da Joana e do Medeiros Ferreira, as intervenções arejadas (às vezes desconcertantes!) do Hidden Persuader e as incursões esporádicas do Resendes.Fazem-me sentir que partilhamos não apenas um lugar, mas uma ideia. E, sobretudo, que é possível e bom juntar pessoas de diferentes quadrantes para conversar em torno dela.
Feliz o dia em que a Joana se lembrou de dar início a tal viagem.
Continuar, pois claro, é o que temos a fazer agora.

A "gaffe" e o "buzz"



Guy Goma um estudante de gestão do Congo dirigiu-se à BBC para uma entrevista de emprego.

O destino trocou-lhe as voltas. A apresentadora do "News 24" confudiu-o com um outro Guy ... Guy Kewney, um especialista em internet e música digital, que assistia impassível na sala ao lado à entrevista que supostamente seria consigo.

O estudante do Congo não se fez de rogado e num inglês de turista lá foi opinando sobre o recente litígio da Apple.

[Via: Biased-BBC]

A Comunidade Germano-Russa do Gás

Uma nova comunidade europeia desponta no horizonte de 2010: a comunidade germano-russa do gás que fará do mar Báltico um elo de ligação directo entre os dois países.É o primeiro grande movimento estratégico da Alemanha depois da reunificação, caso se considere o desmembramento da ex-Jugoslávia apenas um pequeno precedente na alteração do mapa político europeu.

Um ano

entregues aos bichos...

Um ano de bicho-carpinteiro

Esta madrugada os bichos-carpinteiros comemoram um ano de existência com mais de duas mil e duzentas entradas e trezentos mil visitantes.O primeiro post apareceu às 01:28 do dia 17 de Maio de 2005, como atestam os arquivos!Vinha «posted by josé medeiros ferreira» mas na verdade fora editado pela Joana Amaral Dias na altura em Chicago, pois há um ano eu nem sabia abrir um blogue!Assim a grande aposta da JAD quando me convidou para fazer este blogue terá sido sobre a transitoriedade da minha ignorância...
Como escrevi nesse post inicial«A ideia do blogue e o título deste foram iniciativas da Joana Vicente Amaral Dias às quais me associei com o apelativo verso de Rilke.(...)Aqui estou com ela , e com os futuros participantes, para me expressar o mais livremente que conseguir.Serão textos breves e variados nos temas, em contraste com outros exercícios escritos meus»
Creio que até cheguei a sugerir que o blogue se chamasse TELEGRAMAS...Pois se mal sabia processar o texto!
O segundo post intitulado ESTREIA foi da autoria da JAD que, delicada, deu precedência ao meu.Quem não se deixou enganar foi o TAL e QUAL que na sexta-feira seguinte me atribuia o papel de chevalier-servant no blogue, apesar da minha idade...
Agora já consigo sobreviver sem a ajuda quotidiana da Joana, mas ainda não consigo aplicar aqueles prodigiosos linkspara fotografias, videos, imagens,publicações da orla do Pacífico, com que ela regala os leitores dos bichos-carpinteiros.
Às vezes temos o prazer da presença dos demais bichos escolhidos pelos dedos de uma mão.Quando isso acontece é uma festa!
Hoje os cinco «contributors» vão almoçar juntos para responder à célebre questão QUE FAZER?
Continuar, pois claro!

terça-feira, maio 16, 2006

Spot

Carlos Lourenço, no DN de hoje, reflecte sobre a publicidade no espaço público, alertando para algumas questões importantes, como o seu carácter impositivo e outros aspectos que também referi aqui. É pena é que coloque a responsabilidade apenas do lado das “autoridades locais democraticamente constituídas” como se, e como é habitual, o mercado não tivesse, nem tivesse que ter, qualquer responsabilidade social.

A desculpa do costume

Mota Amaral está a preparar um projecto de lei alternativo sobre as alterações ao protocolo do Estado, nomeadamente ao que se refere a afastar a Igreja Católica no protocolo. Lê-se no DN que Mota Amaral argumenta que "O lugar dos membros da Igreja nas cerimónias oficiais não tem a ver com a separação entre o Estado e as igrejas, mas com a História e com o conhecimento da sociedade portuguesa". A mesma justificação que foi dada a propósito do triste preâmbulo da no-limbo-constituição-europeia, e em muitas outras situações. Vale a pena explicar o que é a laicidade ao ex-presidente da AR? Ou que o seu argumento, da história e conhecimento de Portugal, dá azo a legitimar práticas inaceitáveis? Ou mesmo as transformações dessa mesma sociedade?

Ena, ena.

É recíproco.

As justas reinvindicações da CIAPI

Segundo o Público, a Comissão Instaladora da Associação Portuguesa de Infertilidade (CIAPI) a legislação sobre Procriação Medicamente Assistida (PMA) é discriminatória, deixando de fora as mulheres solteiras que pretendam ser mães: "Não bastava às pessoas inférteis a infelicidade da doença, não bastava o desprezo institucional a que vinham sendo votadas, agora perspectiva-se um diploma que definitivamente legitima a segregação oficial das pessoas inférteis".Os homens podem ser dadores de sémen, mas as mulheres não podem ser dadoras de ovócitos, tudo para evitar que as mulheres lésbicas possam engravidar, e agravando o fosso entre as pessoas com mais posses financeiras, que acedem às clínicas privadas, e as com menos recursos.

Segunda intervenção feminina

A segunda intervenção que me cativou foi a da senhora enfermeira do hospital de S. Marcos que chamou a atenção para o número crescente de cesarianas nas maternidades que recebem parturientes de fora.A drª Belandina ainda não conseguiu entrar na discussão.

segunda-feira, maio 15, 2006

Queremos ouvir a Drª Belandina

A primeira parte dos PRÓS e CONTRAS foi dominada pela personalidade da obstetra de Barcelos drª Belandina.Cada intervenção cada salva de palmas.Resultado:não fala há meia hora.Veremos na segunda parte.Há novos recursos humanos a ter em conta.

Não há mais nenhum teatro?

Eu não iria ao funeral de nenhum dos responsáveis pela carnificina que inaugurou a mudança do mapa político europeu na peninsula balcãnica,e tenho uma opinião sobre os responsáveis internacionais pela oscilação das fronteiras.Mas nunca pensei assistir à retaliação que a Comédie Française acaba de praticar proibindo a representação de uma peça de Peter Handke por esse se ter declarado ao lado dos Sérvios no funeral de Milosevic.O pior que podia acontecer à criação artistica em França seria a possibilidade prática de haver censura sem réplica.Nenhum teatro se oferece para representar Handke, ou qualquer outra vítima óbvia de censura política, dentro ou fora de França?O verdadeiro teste sobre a aceitação de novas censuras faz-se agora.Os abaixos-assinados por si só não impedem a via artistica domesticada.

domingo, maio 14, 2006

Um historiador modesto

O britânico Timothy Garton Ash parece não ter partido político e aconselha os seus colegas de métier por este mundo fora a manterem-se virgens de qualquer filiação partidária.O infeliz conselheiro de Blair e de Bush parece-se com aqueles árbitros de futebol que só se declaram adeptos de clubes de bairro para poderem ser nomeados para os jogos entre os grandes.Acredita quem quer claro.

sexta-feira, maio 12, 2006

Uma exposição pindérica

Ao passar hoje pela Assembleia da República visitei uma exposição sobre os 20 anos da entrada de Portugal e da Espanha na União Europeia , para cuja inauguração em Bruxelas havia aliás sido convidado.A ideia da exposição conjunta já tinha muito a ver com a filosofia exógena da nossa integração europeia.Mas o resultado é ainda de pior qualidade do que a filosofia continental:pobre em temas, sem uma explicação específica da situação dos dois Estados,com critérios ad hoc como o da entrada da Espanha no Conselho da Europa sem quaquer referência à adesão anterior de Portugal,a exposição é digna de figurar naquelas agências turísticas que pararam no tempo porém não no edifício da AR, embora já se tenha visto por lá igual mas não pior.

Luxo vs "Low cost"

O extremar do mercado

Os pobres querem comprar clones das marcas de luxo e ter acesso às experiências que outrora só os ricos tinham (viajar, férias, et cetera).

Os ricos, por sua vez, não se importam igualmente de comprar alguns bens de "baixo interesse" (produtos de limpeza para a casa, por ex.) nos locais onde os pobres costumam normalmente encher o seu cabaz de compras.

O fim da idade da inocência?

Fui assistir ao lançamento do livro de Manuel Maria Carrilho«Sob o Signo da Verdade» que coloca de chofre o problema ,muito mal resolvido, das relações entre os Média e as campanhas políticas.Até aqui falava-se vagamente dessas«agências de comunicação» que ganhavam e perdiam eleições ,num sistema alternativo próprio dos duopólios.O ranking das principais agências deve estar muito próximo umas das outras pelo que quem não trabalha com uma pode procurar os serviços da outra.Bem sei que os principais escritórios de advogados também apresentam sociedades competentes para tratarem com qualquer governo dos que alternam.E que possivelmente cada grupo económico tem gestores para dois ou três gostos partidários.Por isso me seduz aquele conceito de M M Carrilho de uma «redacção única» que harmonizaria a opinião pública.Mas será que é composta de jornalistas?Ou temos de procurar os manipuladores de moeda noutro lado?Com este livro acabou a idade da inocência do quarto poder instalado.

quinta-feira, maio 11, 2006

O Dia de uma Europa sem balizas

Os discursos dos nacionais a propósito do dia 9 de Maio fizeram-me recordar Filipe Gonzalez quando este disse que uma das maiores tristezas da construção europeia era ver os políticos a lerem papeis técnicos preparados por serviços burocráticos.Mas há quem goste.
O nosso presidente da Comissão também conseguiu repetir que o Tratado Constitucional precisa de ficar em vinha de alhos pelo menos até 2008.Dias desses não se esquecem facilmente.Espero ansioso pelo próximo.

domingo, maio 07, 2006

Sócrates continua descansado com a direita

O fim de semana político assinalou a rendição da direita política perante o governo de José Sócrates.Os tratados de Maio de 2006, assinados unilateralmente por Marques Mendes , Ribeiro e Castro, e João Almeida fazem prever a rendição até ao Orçamento de Estado para 2008.

O velho de Belém

Por Vasco Pulido Valente, no Público.
O Expresso publicou ontem uma notícia inesperada, inconcebível, quase absurda. (...) O Presidente da República, não só pensa que a situação económica portuguesa está "condenada" até 2010, mas nem sequer tem a certeza de que ela "melhore" depois disso. (...) Convém não esquecer que o dr. Cavaco se candidatou a Belém declarando que não se "resignava" à decadência económica do país, que pretendia restaurar a "confiança" na sua força e no seu futuro e que a eleição dele era a "última oportunidade" (...)
Sabia ou não sabia o dr. Cavaco o que esperava e o que esperava o país? Se não sabia, nada o desculpa. Mas se, de facto, sabia, o objectivo da campanha presidencial foi, desde o princípio, o de premeditadamente iludir os portugueses. Nos dois casos, não há explicação que o salve. (...) "os velhos do Restelo" tentavam evitar erros que ele cometeu e deixou cometer. O "velho de Belém", com a sua enorme autoridade, anuncia passivamente o pior e "bloqueia" irresponsavelmente o país. (...)

Olha o António

Pires de Lima continua a saga dos seus sábios slogans.
Pergunta o jornalista: “Lobo Xavier disse há pouco que o seu discurso foi forte demais”.
Responde o deputado: “Isto é uma das riquezas deste partido. Tem dois Antónios: um suave e outro forte”.

Tchekov na Cornucópia

Raramente perco um espectáculo da Cornucópia.Desta vez atrasei-me a ir ver A Gaivota de Tchekov, muito embora me tivessem chegado fortes ecos da excelência deste.Mas as agendas pessoais quotidianas são mais exigentes do que as nossas preferências culturais.E as lotações esgotadas fizeram o resto.
Foi esta noite, também com a lotação esgotada, que pude apreciar a encenação e a representação de Luis Miguel Cintra ,da brilhante Rita Loureiro, do seguro tecnicista Ricardo Aibéo, das emergentes Rita Durão e Teresa Sobral,dos renovados clássicos Márcia Breia,Luis Lima Barreto, entre outros,assim como os cenários da Cristina Reis.Tive pena de não poder ter aplaudido diferenciadamente os actores, mas o sentido de grupo levou Luis Miguel Cintra a mantê-los em linha durante os longos aplausos do público.
Gostei de ver António Guterres a assistir ao espectáculo.

sábado, maio 06, 2006

Hoje na Torre, amanhã na Praia

Calha mesmo bem, uns dias depois da violência e desproporcionalidade da operação policial no Bairro da Torre que, como se lê no Público de hoje, pode levar à responsabilização do Estado, a PSP venha com uma pedagogia edição de bolso, pretendendo assinalar o aniversário do arrastão que nunca existiu levando à praia mil jovens.
A ideia é que os jovens fugiam porque tinham medo da polícia, e os veraneantes fugiam porque tinham medo dos jovens. E há que inverter esta imagem. Assim, a operação chama-se “Um amigo hoje, um futuro amanhã”. O subcomissário da direcção nacional da PSP, Gonçalo Ramalho, acha o título lamechas. De facto, o copy não foi lá muito feliz, mas que os estrategas de marketing da PSP estão atentos, lá isso…

Contributo

de São José Almeida, no Público, para o debate sobre a segurança social:
O que põe em causa hoje em dia as receitas para a segurança social que não as punha no tempo de Guterres? Não será que um dos problemas do financiamento da segurança social é os descontos incidirem sobre baixos salários? Por sua vez, qual a incidência do aumento do desemprego na falta de financiamento da segurança social? E os imigrantes? Não é um facto que a sua integração legal no sistema faz deles os contribuintes que faltam para a sua sustentabilidade? Há mesmo uma crise demográfica? Porquê esta espécie de fúria malthusiana? Por que razão se deixou de considerar como válido o reequilíbrio populacional fruto da imigração?E média de idade e esperança de vida? É igual em todos os estratos sociais? Em todos os grupos sócio-profissionais? Será que em Portugal os trabalhadores que ganham menos morrem mais tarde que os seus congéneres europeus? Será que em Portugal não se verifica a tendência geral na Europa de que morrem mais cedo os trabalhadores de profissões menos qualificadas, com menores salários e de estratos sociais mais baixos? Por que razão o factor esperança de vida vai ser igual para todos?Já agora, por último, mas talvez um dos aspectos mais importantes. Por que razão é que a taxa de descontos tem de ser fixa? Ela não é igual para todos nos impostos, pois não? Por que razão a única discriminação positiva que o Governo encontrou é a baixa da percentagem em função dos filhos? Por que razão a taxa da segurança social não é variável em função de critérios como o valor do ordenado e a esperança média de vida do sector profissional de cada trabalhador? Por que é que quem ganha mais e pertence a um grupo social com uma média de vida mais elevada não desconta mais do que quem ganha menos e pertence a um grupo sócio-profissional que morre mais cedo?Esta seria uma reforma digna desse nome - ao serviço da maioria.

Charada

Cada vez que abre a boca, Freitas do Amaral gera confusão. Fala sobre as caricaturas e embrulha-se. Tem que ir ao parlamento prestar esclarecimentos e andar pelo Público a combater supostas interpretações erróneas dos seus comunicados. Intervém sobre a história dos deportados do Canadá e tem que escrever na Visão para elucidar o sentido dos seus actos. Opina sobre o Irão, e lá vai de novo à Assembleia da República explicar melhor o que queria dizer. Dá uma entrevista ao Expresso, e a coisa é de tal ordem que vai dar uma conferência de imprensa para decifrar as suas próprias palavras. Nunca ninguém percebe o que REALMENTE queria dizer. Norbert Wiener formulou qualquer coisa do género: “Só sei o que disse, quando ouvir a resposta ao que disser”. Freitas parece um equívoco andante, sempre mal-entendido e a ter que desconfirmar o feedback dos outros. Um jogo sem fim, claro. Só pode estar estafado.
Adenda: Parece que, entretanto, foi cancelada a conferência de imprensa. Os esclarecimentos também eram um equívoco.

Palhaços. Daqui não levam nada.

Mas não se indignem…pode ter sido qualquer coisa deste tipo:

“Um professor anuncia aos alunos que haverá um exame inesperado na semana seguinte. Os alunos dizem-lhe que, a não ser que transgrida os termos do seu próprio aviso, o exame não se realizará. E que se o exame não se realizar até quinta, não poderá ser sexta, porque sendo o único dia que restava, já não seria imprevisto. Mas eliminando sexta, pode eliminar-se quinta pelo mesmo motivo. Pelo mesmo raciocino, segunda, terça e quarta podem ser eliminados. Portanto, não pode haver um exame inesperado.”

Freitas cansado,Sócrates descansado?

Sempre pensei que Freitas do Amaral foi para MNE do governo de Sócrates numa estratégia concebida para se apresentar como candidato presidencial nas passadas eleições. Se se tratasse apenas de aproveitar o ímpeto reformista do ex-presidente do CDS havia pastas mais adequadas para o efeito, como a da Justiça ou até a da Educação.A Pasta dos Estrangeiros dava prestígio sem querelas internas, acentuava o lado continental-europeu refractário à hegemonia norte-americana tido confusamente por mais à esquerda mas capaz de seduzir parte desta.Apenas a «disponibilidade »de Manuel Alegre não teria sido suficiente para impedir o pragmatismo da candidatura de centro+ esquerda governamental.O apoio do PS a Mário Soares anulou esse cálculo demasiado racional e tal não aconteceu. Freitas não tomou partido na contenda presidencial e teve de revêr a sua postura política para o próximo futuro.Confessa-se para já cansado. Freitas só será um problema para Sócrates se se vier a confessar desiludido, ou discordante,com a política governamental.

sexta-feira, maio 05, 2006

Que rico Comunista

"Fidel Castro é o sétimo líder de um país mais rico do mundo, com uma fortuna de 900 milhões de dólares. O primeiro é o saudita Abdullah Bin Abdulaziz. A lista dos «governantes» milionários da «Forbes» acaba de sair.

O presidente de Cuba tem uma fortuna calculada em 900 milhões de dólares, o equivalente, ao câmbio actual, a 709 milhões de euros."

[Fonte: Jornal de Negócios]


Internet e Segurança Jurídica

O Estado de Direito requer transparência e publicidade material das leis que nos regem.O Promulgue-se e Publique-se na língua que faz fé nos tribunais é essencial para a segurança dos cidadãos e seus haveres.Desde a adaptação das directivas e regulamentos comunitários que algo se perdeu na terminologia e na técnica redactorial das leis.Agora pretende-se a «desmaterialização do processo legislativo» e o Diário da República vai acabar na versão impressa em papel.Tudo muito leve e moderno.Mas o cidadão comum fica mais longe ou mais perto dos códigos?

quinta-feira, maio 04, 2006

Nikias Skapinakis

Já escrevi aqui sobre o meu pintor de eleiçao.Hoje tinha encontro marcado com ele na abertura da sua exposição na Fundação Arpad-Vieira da Silva.Rodeado de amigos, admiradores, e compradores, muitos deles acumulando esses vários aspectos, vigoroso nos seus setenta e cinco anos, impecável no vestuário tecido em alta qualidade e combinado em cores esbatidas e difíceis, ele deliciava-se a explicar como a criatividade se treina.Como me tinha dito, e ao Joaquim Pinto de Andrade, na cadeia do Aljube, aonde a Pide nos reuniu na passagem de 1962 para 1963.Na altura não acreditei muito na didáctica para artistas.Hoje sei que a educação pela Arte é possível.E que Nikias é um Mestre.
Aconselho vivamente a ida ao Jardim das Amoreiras para ver os Quartos Imaginários de figuras que viveram muito neles, como Kavafy, Van Gogh, Pessoa,Greco,Frida Khalo,Vieira e Arpad,Picasso,Chagall, Amadeo sousa Cardoso, Matisse,entre outros, pintados por Skapinakis.Eu voltarei.

Onde está o erro?

José Carlos Vasconcelos pergunta hoje na revista VISÃO«Como é possível ser o mais desigual da Europa um País que teve o 25 de Abril e SÓ foi governado por sociais-democratas e socialistas?».
Há na formulação da pergunta um pequeno-grande erro.Aumento a esperança de vida política a quem o detectar à primeira leitura!

quarta-feira, maio 03, 2006

A América hispânica mexe

A América hispânica mexe dentro e fora dos USA\EUA.O hino norte-americano já tem uma letra em castelhano cantada por manifestantes ao norte da fronteira.E como se sabe não há língua oficial constitucional da União.A sul a pressão dos emigrantes mexicanos para entrar é enorme.
Na América Latina sucedem-se os regimes nacionalistas -radicais em países com hidrocarbonetos como o de Hugo Chávez na Venezuela, e agora o de Morales na Bolívia.Fidel Castro e Lula devem observar essas alterações das relações inter-americanas com espanto benigno mas sem saber se poderão continuar aquietados.Washington esfrega os olhos...

O som da esperança

Whatever the outcome, these events mark a watershed in modern America's view of itself. Some are already describing this year's protests as the Latino equivalent of the black civil rights movement of the 1960s. That may be premature. But the debate raging in America is part of a necessary process by which the US is struggling to see itself as it really is - one increasingly multicultural nation in a world of such nations, not a divinely ordained exception to which normal rules do not apply. There is a long way to go before America's Latinos are accepted as they should be. But the sound of America's protesters is the sound of hope.-The Guardian

terça-feira, maio 02, 2006

A life in our times

John Kenneth Galbraith deixou um volume de memórias que me deliciou no início da década de oitenta, intitulado «A life in our times».Um caso em que a vida ainda é superior à obra vasta e diversa.O «new-dealer» rooseveltiano, o professor de Harvard, o oficial das forças norte-americanas na Alemanha que interrogou o ministro de Hitler, Albert Speer(esse mesmo que anunciou os perigos de um regime totalitário com as actuais tecnologias),o conselheiro de Kennedy que economizava as suas opiniões quando via o presidente tamborilar os dedos na secretária em sinal descodificado como de impaciência, o embaixador na União Indiana que criticou a tolerância de Washington para com o salazarismo, escrevia admiravelmente bem.Até aqui só tinha aconselhado a leitura dessas memórias a gente com quem partilho uma afinidade electiva.A minha homenagem ao personagem que acaba de falecer é socializar agora esse prazer.

De bandeja

Na RTP anuncia-se que o filme “Dormindo com o inimigo” (sobre violência doméstica) é patrocinado pela Martini.

segunda-feira, maio 01, 2006

Primeiro de Maio, EUA

O mote

Denver Chicago
OrlandoNew OrleansNYMilwaukee LA

Sr. Fernandes

delegado de propaganda médica, figura na Vox Populi do Público de hoje. "Acha bem que a Igreja tenha admitido o uso do preservativo em caso de risco?"
"Não estou de acordo porque é uma questão do foro psicológico".