sexta-feira, março 31, 2006

Laços pessoais?

Cavaco Silva fez ontem o seu primeiro acto público ao empossar os novos Representantes da República nas Regiões Autónomas, dois altos magistrados sem especial relevo na vida política.Teve sorte em ter encontrado disponíveis tais figuras respeitadas.Admiro sobretudo o sentido de sacrifício de Monteiro Dinis, nomeado pela primeira vez por Jorge Sampaio que agora ouviu Cavaco Silva exigir «lealdade a quem os designou».
Mais institucional já me pareceu o comportamento dos jornalistas.Desta vez não houve aquelas libertinas correrias de microfones e câmaras em riste em volta do PR.Então ninguém pretendeu saber o que pensava urgentemente o Presidente da magna questão das ligações internacionais da PJ ?Francamente...

Não tem fuba no cubico?

A propósito da visita de Sócrates a Luanda (que obviamente se prepara com esmero) no próximo dia 4 de Abril, a revista Visão publica uma reportagem, que faz capa, com o título “A Nova Angola”. Essencialmente, traça-se um futuro bastante optimista, sublinhando-se o período de paz e o acentuado crescimento económico.
O número de retornados de Angola terá sido cerca terá sido cerca de 300 mil. Agora, e em três anos, o número de residentes portugueses duplicou, estando a caminho dos 50 mil. Há um crescente interesse das empresas portuguesas por Angola, que se cifra numa enorme esperança verde. De dólares. Mas pode ser que termine em verde de inveja...a história das relações económicas entre Portugal e Angola nunca foi propriamente profícua, especialmente depois de 64 e dos famosos “atrasados”…
Mas voltando à reportagem. Descreve Luanda como uma cidade em franco progresso: “Até a caótica Luanda está a mudar: mais limpa, mais iluminada e com uma dinâmica forte que dispara o comércio formal, em lojas bem decoradas e cadeias sul-africanas de fast-food, e a construção das torres multinacionais”.
Esta é a cor do texto. Só aqui e ali, quase fora de tom, se indica o 160º lugar que Angola ocupa no Índice de Desenvolvimento Humano; os dois terços da população que vivem na miséria ou se incluem comentários como este, de um empresário: “Este é um país tão extraordinário, que a filha do Presidente tem 25% de um banco e ninguém questiona de onde vem o dinheiro”.
Em Novembro do ano passado, Angola celebrou os seus 30 anos de independência. Uma independência celebrada depois da escravatura, ocupação e repressão. Uma independência indelevelmente marcada pela guerra fratricida, que terminou apenas há quatro anos. Angola cresce? Ainda bem, porque muito necessitará de crescer. A Luanda e a Angola que vi em Setembro de 2005 -todas as fotos são de então- de facto, tinha muita fome e desespero. Os meninos que cheiram gasolina, as meninas da rua, os sinais humanos das minas por todo o lado, os esgotos a céu aberto, o lixo que se acumula, os bairros da lata horizontais e verticais, os funerais da SIDA. E um apartheid social. Restaurantes praticamente só com “pulas” e meia dúzia de africanos muito ricos, esplanadas na praia vigiadas por seguranças, que impedem os “mangolés” de se aproximarem, complexos turísticos onde já se sabe quem serve e quem é servido, quem é o dono e quem é o empregado.
Também vi muita dignidade, vontade e uma certa garra. Resta saber se será suficiente para contrapor à aceitação resignada de muitos quanto à entrada das grandes companhias estrangeiras como a única via possível.
A presença em força das multinacionais em muitos países africanos tem-se constituído como uma verdadeira invasão, acompanhada pela privatização de vários sectores do Estado e por um processo de usurpação dos seus recursos.
Efectivamente, o petróleo continua a representar a quase totalidade das receitas do orçamento de Estado angolano. Para além doutras questões, esta opção falha em diminuir a dívida externa e tem conduzido à negligência da produção nacional. A ideia de que, depois do petróleo, haverá a exploração dos outros muitos recursos, é apenas mais do mesmo, um modelo de desenvolvimento onde concorrerá, como agora, forte investimento estrangeiro (a China bem tem tratado da sua parte). E depois? Que fará Angola com isso? Como dizia Carlos Pacheco num artigo do Expresso, “de nada servem os fabulosos recursos em petróleo cujas rendas favorecem tão-só, e largamente, os barões da corrupção que controlam as estruturas do aparelho de Estado. Falta-lhe massa crítica, o país não possui indústrias de ponta, nem artefactos de guerra próprios, nem sequer produtos estratégicos, ou capacidade científica e tecnológica.”
A visita de Sócrates terá, certamente, a tónica no investimento das empresas portuguesas em Angola e, provavelmente, será propagandeada como mais um dos “sinais de optimismo e confiança” para a economia portuguesa. Resta saber se Angola, entre as múltiplas visitas de chefes de estado que vai recebendo, saberá fazer reverter as suas riquezas em benefício próprio.

O dia da Polícia Judiciária

O dia que passou foi o dia da PJ.Falou-se dela o suficiente para paralisar o governo na intenção de retirar a essa polícia de investigação criminal os contactos internacionais com a Interpol e a Europol.Hoje só ouvi dizer bem da PJ na rádio e na televisão.Mas no mercado paralelo das reputações há anos que as mais desencontradas opiniões circulam sobre formas de actuação e sobre lobbies internos.Uma coisa é certa: o governo não conhecia a força desta corporação.

quinta-feira, março 30, 2006

Anita vai ao mercado



A Body Shop foi comprada pela L'Oreal. Até aqui nada de novo ... a não ser no "discurso dissonante" da fundadora da primeira:

"The language of business is not the language of the soul or the language of humanity. It's a language of indifference; it's a language of separation, of secrecy, of hierarchy."
-- Dame Anita Roddick, founder, The Body Shop

"When we've got the biggest cosmetics company in the world saying 'Teach us about family farmers, teach us about women's co-operatives', then we are very happy."
-- Anita Roddick (há cerca de 2 semanas atrás)

Venham viver para a Amadora

Já aqui escrevi sobre os efeitos políticos de um Estado que em muitas partes do território português só aparece na época dos impostos e no mais espaçado período eleitoral.A retirada de serviços públicos e a sua concentração nos grandes meios populacionais tem a lógica de tornar Portugal num país de Cidades-Estado, mas sem Estado nacional digno desse nome , e certamente sem as suas funções.Se chegarmos a tal, a capital desses aglomerados será possívelmente a Amadora, ou o Seixal.Seria uma fantástica consequência do Pacto de Estabilidade!

quarta-feira, março 29, 2006

The war tapes

É Fox e chega


Na Fox:
"Could 9/11 have been avoided if Moussaoui was tortured?"

Forgive me, Lord, for I have had revolutionary impulses

Agnès Poirier, The Guardian:
Declinology is the new dandyism. They have brought in a new attitude, which until now had spared the French: self-hatred. The declinologists don't speak about "la crise" - that is much too lame. What they are talking about, and secretly dreaming of, is a national cataclysm. It would serve the French right. The declinologists are the kind of people who, after such national tragedy, would surely erect a new cathedral in Paris, just as others built the Sacré-Coeur after the Commune, in order to expunge France's sins. No doubt they would organise compulsory pilgrimages for their fellow countrymen, who would have to repeat 100 times: "Forgive me, Lord, for I have had revolutionary impulses."
Indeed, what the declinologists are advocating is an anti-France, a France cleansed from its revolutionary heritage, from the spirit of the Enlightenment. Yesterday they were confronted with France as it is: two million on the streets and the country convulsed by a strike against labour deregulation.

Um passeio por S.Miguel

Como deixei aqui assinalado, fui passar um fim de semana semi-prolongado aos Açores para participar no popular I Congresso de Futebol promovido pelo CD Santa Clara na cidade de Ponta Delgada, e num encontro de blogues promovido pelo activo Ilhas no belíssimo Hotel das Furnas.Estou habituado a transitar entre ambientes, temas e pessoas bem diferentes há muito tempo, e gosto imenso dessas passagens entre universos sem comunicação entre si.
Como o meu primeiro compromisso era com o Santa Clara, só pude ir às Furnas na manhã de Sábado assistir ao encontro de blogues e ficar para almoçar o célebre cozido à portuguesa saído dos vapores calorosos das caldeiras, em Lisboa conhecidas por Fumarolas...
A dinâmica de grupo foi rápida , e nem chegou ao fim a apresentação dos participantes, tão imediata foi a entrada numa matéria ainda sem curso mas já com temas clássicos.Os «continentais» Ivan Nunes, Paulo Querido,Pedro Lomba, Pedro Mexia entrosaram bem com os bloguistas locais , e a discussão, talvez demasiado espontânea, provou ser útil repetir esse tipo de eventos.
Por isso proponho que o Pedro Mendonza Arruda, o Alexandre Pascoal, o Carlos Riley organizem para o ano um novo encontro de blogues das duas margens do Atlântico.Uma nova geração de intelecuais açorianos irradia através dos blogues.

terça-feira, março 28, 2006

Candid Camera


Tudo idílico. Não fosse o facto de existirem 80 câmaras para vigiar 2400 pessoas.
Mas o mayor é sensato: "This is Dillingham, Alaska, folks. I don't think we have to worry about Osama bin Laden."

A Psiquiatria de cordel

O Blasfémias chama atenção para um texto de Jaime Milheiro. E em boa hora o faz. Não tinha reparado e fui ler. O CAA tem razão nas questões que aponta e nas hipóteses que levanta. E para além dos aspectos deontológicos, há algo profundamente tortuoso neste texto. Serve, com ficção ou sem ela, para mostrar que os políticos são, basicamente, todos uns inseguros cheios de “memórias de infância, contas não dirimidas”, que apenas procuram um “poder compensador”. Não sei de que poder fala Jaime Milheiro, até porque poderes há muitos e Jaime Milheiro até tem o seu quinhão. Mas estas análises de algibeira, que em muito contribuem para o mainstream “os políticos são todos iguais”, cheiram a mofo, a disciplinarização e, sobretudo, a diminuição e desqualificação do Outro.
A Psiquiatria e a Psicologia têm uma looooonga e triste história nestas andanças.
E nem é preciso andar aos urros a pedir exames mentais dos deputados. Parafraseando o próprio Jaime Milheiro, loucos são os outros.

Tábua rasa

José Vitor Malheiros no Público
No dia da tomada de posse de Cavaco Silva, o site da Presidência da República, www.presidenciarepublica.pt, desapareceu para ser substituído por um outro, com outro endereço, www.presidencia.pt.Enquanto o site anterior girava em torno de Jorge Sampaio, o novo, como é natural, centrava-se no novo Presidente. A mudança de conteúdo não teria nada de especial, não fosse o caso de o novo site ter relegado para lugar desconhecido aquilo que era o espólio do site da Presidência da República quando ocupada por Jorge Sampaio. A informação poderá estar cuidadosamente guardada, mas onde e como se poderá aceder a ela não é do domínio público.O que aconteceu foi que aquele que devia ser o site oficial da Presidência da República Portuguesa, um site institucional, com alguma preocupação de perenidade, se transformou no site do Presidente Cavaco Silva (há um link que atira para os currículos dos anteriores presidentes, mas é tudo).Se passássemos da Internet para o mundo físico, isto corresponderia a encaixotar todos os papéis encontrados no Palácio de Belém que dissessem de alguma forma respeito ao ocupante anterior e a enviá-los para armazenamento em local inacessível, para começar a nova presidência numa bela tábua rasa de informação, sem história e sem passado.

Ó Elvas

O anunciado encerramento de maternidades traz pesados prejuízos às populações. Tudo baseado em tecnicismo, sem qualquer atenção às dimensões sociais e, sobretudo, sem a apresentação de alternativas credíveis. Ontem, Marques Mendes insurgiu-se contra esta medida, enfatizando o facto de bebés portugueses poderem nascer em Espanha. Enfim, no meio de tantos problemas que esta opção de Sócrates acarreta, desde o aumento dos riscos associados ao parto, à fragilização do bem-estar das parturientes e suas famílias, passando desertificação do interior, esta tónica é, no mínimo, escusada. Mas claro que Manuel Alegre, sempre tão cioso da palavra Pátria, tinha que dar razão a MM.

A Direita intercalar

Os dirigentes da direita andam completamente aos bonés.Depois de eleger Cavaco Silva ficaram sem vida própria e virados para a antropofagia interna.Nem nas primeiras nem nas segundas linhas se detecta um rosto para o futuro.E não me parece que a cara com que Paulo Portas aparece perante a arrelampada Clara de Sousa aguente o tempo necessário para a maquilhagem da ressureição.Até Luis Delgado acha que só resta à direita dizer ESFOLA quando Sócrates disser MATA...

domingo, março 26, 2006

Los Angeles

A enorme manifestação em LA, contra uma lei de imigração injusta . As palavras de ordem eram várias. No somos criminales, Republicans hate Latinos. Mas o melhor era: “Estoy orgullosa de ser imigrante”.

Chegar, ver e …

a poesia da retrete pela Economist desta semana, como remate para um texto de três páginas:On a toilet-wall in an American airbase in western Iraq, an American soldier has scrawled his own summary analysis: “We came, we saw, we wasted a year of our lives. At least we got the fuckers to vote”.

MIC-ado

Ana zangada com Manel. Helena zangada com Ana. Inês zangada com Manel.
Assim vai o MIC, Movimento de Intervenção e Cidadania, e os seus principais protagonistas, Manuel Alegre, Ana Sara Brito, Inês Pedrosa e Helena Roseta. Até podia ter piada, não fosse o facto de um milhão de descontentamentos vários, como o mentor tanto gosta de sublinhar, ter acreditado.

sexta-feira, março 24, 2006

Desmentido

O Público de ontem afirmava, com alguma ambiguidade, que eu teria asseverado que a liderança de Louçã estava em causa. Não é verdade que o tenha dito. Apoio a sua liderança.
A jornalista pediu-me para comentar uma notícia do Semanário que, como lhe disse, nem conheço. Nessa notícia, declarava-se que a coordenação do Bloco estaria a ser contestada. Expliquei à jornalista que essa questão nem se coloca. Quando insistiu e me perguntou se a notícia seria, então, prematura, implicando que, caso contrário, Louçã seria líder para sempre, realmente afirmei que, a longo prazo, e como é salutar, a coordenação seria objecto de discussão.
O que apareceu no jornal foi o contrastar das minhas palavras "não pode eternizar-se", com as de outros dirigentes, como Miguel Portas ou Helena Carmo, que asseguravam que Louçã é um dos activistas mais capacitados e que se deve recandidatar na próxima convenção.
Esta construção que o jornal fez das minhas declarações é completamente abusiva. Desminto completamente esta parte da notícia do Público e lamento que se tentem lançar questiúnculas desta forma.
Na sequência desta notícia, ontem vários jornais telefonaram-me a pedir esclarecimentos. Esperei que saíssem na imprensa de hoje. Mas como não há “caso”, já não interessa. Fica aqui a minha posição.

quinta-feira, março 23, 2006

Ir aos Açores fazer coisas de que gosto

Este fim de semana vou aos Açores fazer várias coisas de que gosto.Vou participar no Congresso do Desporto promovido pelo Clube Desportivo Santa Clara em Ponta Delgada onde falarei sobre POLÍTICA E FUTEBOL; e irei a um encontro de blogues que se realiza no belo Hotel das Furnas, um símbolo arquitectónico e turístico do empreendorismo insular muito antes deste ser uma estratégia nacional.Tentarei dar notícias.

José Saramago na ópera

Esta noite encontrei no S.Carlos josé Saramago na terceira apresentação d IL DISSOLUTO ASSOLTO,cujo libretto da sua autoria altera o mito de Don Tenório, o Don Giovanni de Mozart e de Lorenzo da Ponte.E desta vez as palavras e a história numa ópera são mais harmoniosas do que a música.Com a excepção dos excertos da saturada ária de Leporello que parece fadada a ser cantada ,no futuro, pela Zerlina de José Saramago.
Apreciei a naturalidade com que este se passeou, e conversou, no átrio do teatro como se estivesse a ver um espectáculo de outra autoria.

quarta-feira, março 22, 2006

Maccarthismo na Alemanha

O Le Monde de 21 deste mês traz uma notícia sobre um militante de extrema-esquerda,Michael Csaszkoczy, impedido de dar aulas na RFA no Laender de Bade-Wurtenberg por um tribunal regional administrativo, cujo presidente sentenciou que «Um professor de Alemão e de História tem o dever de considerar positivamente o Estado e a Constituição».Ora Michael, filho de um refugiado húngaro de 1956,é militante de um movimento que tanto se opõe aos neo-nazies como está contra o capitalismo.Mas na sua singela opinião não tem meios práticos para por um fim a essa sociedade.Considera-se assim um teórico, agora sem emprego aos 35 anos.Cerca de 11.ooo alemães estão impedidos de serem funcionários públicos por convicções políticas radicais num universo de mais de três milhões de suspeitos, segundo uma lei do tempo da guerra fria.Sábado haverá uma manifestação na Alemanha a favor do Csaszkoczy.Boa -noite e Boa-sorte.

segunda-feira, março 20, 2006

O erro compensa

Durão Barroso sentiu-se habilitado a confessar que foi com base em informações erradas que tinha decidido avançar destemido para o Iraque na companhia de G Bush.Na base desse erro teve o apoio de Blair para Presidente da Comissão Europeia.E agora com a confissão passa a ter acesso às boas graças franco-alemãs no exercício da presidência.Saber errar na hora certa pode ajudar muito numa carreira política.Confessar o erro,visível a olho nu, ainda mais virtude acrescenta.Aonde irá este homem parar?

domingo, março 19, 2006

Concorrência ao Presidente da República

O PSD lá se converteu à eleição directa do seu leader.Os dois partidos fornecedores de primeiros -ministros enveredam assim pela via do reforço individual das suas direcções.O que poderia subsistir de homenagem à colegialidade de decisão esfuma-se nesse novo culto mediático da personalidade.O regime, com a ajuda da comunicação social e do seu culto da imagem, tende a consagrar a dupla eleição directa do primeiro-ministro e a cesarista eleição do chefe da oposição para-governamental.Se a isso juntarmos a eleição por voto directo e universal do PR temos uma república de chefes.

Educação pela arte

Aproveitem o domingo para ir visitar a exposiçao sobre a concepção da sede da Fundação Gulbenkian na dita.Ou de como se constroi uma absoluta novidade.

sábado, março 18, 2006

Um congresso para nada

Dá a impressão que ninguém no PSD tem alguma coisa a dizer ao país.O congresso neste primeiro dia foi soterrado pela assembleia geral do Sporting, e Soares Franco revelou-se um orador mais ouvido do que Marques Mendes.O Pedro Santana Lopes é que ainda se pode desforrar dos dois...

quinta-feira, março 16, 2006

Até Sábado

Até Sábado, dia para que estão convocadas manifestações nacionais em França de apoio ao movimento estudantil contra a lei do primeiro emprego,aprovada a 10 deste mês,será difícil prever o destino deste novo movimento juvenil.Para já anota-se a clivagem entre as faculdades em geral e «Les Grandes Écoles», ao contrário do Maio mítico.Também não há líderes referenciais, embora se o movimento continuar eles, e elas, acabarão por se decantar.As discussões são libérrimas e o contraditório flui com espontaneidade.Entre os jovens com os vinte anos de Paul Nizan que participam nas manifestações, cantando «Et si c'etait ça la vie?Si on nous l'avait pas dit?»,uma maioria de mulheres.Sim essas que ocuparão o proscénio daqui a uns anos.

Outros lugares a conhecer

http://www.cesura.blogspot.com

É bom ver mais amigos na blogosfera, sobretudo quando sentimos, na troca de ideias descomprometida e genuína, que é a pensar que a gente se entende.
Sem mimetismos, subserviências ou discursos politicamente correctos.
Pela forma como começaram, o blog promete!

Na mesma linha, o admirável http://www.umamericanoemlisboa.blogspot.com, desenhado a solo sem nunca ser monólogo pela profusão de associações que nos permite, é a performance do Arlequim, que explora o múltiplo sem perder o centro, deixando entrever, por debaixo das roupagens coloridas, o corpo com a vida tatuada.



quarta-feira, março 15, 2006

Prisão perpétua

Sou contra a prisão perpétua seja em que tribunal for, nacional ou internacional,ad-hoc ou instituido por Tratado.Lembro-me de ter argumentado assim num colóquio organizado pelas Mulheres Juristas em debate com a Doutora Paula Escarameia.Quando alguém morre na prisão quem o encarcera sofre uma derrota moral e política.A opinião pública coloca-se insensívelmente ao lado do antigo criminoso quando este desfalece, ou padece, pela idade ou pela pena.O que haja de exemplar na sentença esgota-se no dramatismo da aproximação da morte.
Slobodan Milosevic estava preso preventivamente, ainda sem sentença pronunciada.Mas quando se morre na cadeia trata-se de prisão perpétua.Deve ter sido por isso que a Procuradora Carla Del Ponte afirmou que iria pedir para o ex-chefe de Estado da Sérvia essa pena insustentável e lamentável.A comunidade internacional deve impedir em tempo útil os « os mais graves dos crimes graves contra a humanidade».Se o não consegue deve punir sem se desforrar.

Badajoz:Maternidade e IVG para Portuguesas?

Acabo de ouvir a notícia que a maternidade de Elvas será encerrada, e que a alternativa mais próxima é a de Badajoz.Esperemos que as autoridades espanholas estejam ao corrente e prontas a colaborar.Não sei o que lhes daremos em troca.Ou há partos grátis se for em Espanha?Já existirá algum protocolo entre os dois Estados que permita essa permuta?
Já me tinham falado de Badajoz para outras valências inexistentes em Portugal.Mas creio que era a pagar pelas próprias.E agora quem paga?

terça-feira, março 14, 2006

Paulo Ribeiro

18 de Novembro, Jorge Silva Melo no Público:

" A Câmara de Aveiro, usando dos seus direitos, prescindiu dos serviços do Paulo Ribeiro(...). O Ministério da Cultura, que arranjou o programa e o dinheiro,nada tem a dizer, não é com ele, lava disso as mãos pelintras? (...)Eu não quero continuar a financiar paredes e não programas, obras e não acções, salas de visita e não teatros.(...) Esta história do (Teatro) Aveirense acontece porque ninguém se precaviu para impedir o salão de festas da burguesiazita local em noite de um ou dois beijinhos ( conforme o partido no poder). O país está mal porque se preparou mal."


22 de Novembro de 2005, Patrícia Coelho Moreira no Público

"A saída de Paulo Ribeiro " foi uma perda, sem dúvida", sublinha o vereador socialista ( Pedro Silva), garantindo que a substituição do coreógrafo é causa de uma "perplexidade nacional".(...) Capão Filipe limitou-se a afirmar que o novo modelo preconizado para o TA "será explicado oportunamente."

( pacientemente, esperamos)


14 de Março, na Livraria O Navio de Espelhos, Aveiro:

Cláudia Galhós, Maria de Assis e Paulo Ribeiro apresentam Corpo de Cordas- 10 anos de Companhia Paulo Ribeiro , recém publicado pela Assírio e Alvim . Participando desta partilha simultaneamente íntima e descontraída, praticamente toda a equipa do Teatro Aveirense com a qual o Paulo Ribeiro trabalhou durante apenas um mês. E algumas pessoas da cidade. Curiosos, amigos, pessoas das artes. Pessoas.
Talvez partilhem comigo o entusiasmo que sinto ao ver o Paulo Ribeiro aqui, connosco, a continuar a dar(-se) a esta cidade que tão mal o recebeu. A disponibilidade, a generosidade e a poesia com que nos chega fazem-me lembrar o meu querido amigo Mia, quando diz que pássaros são os que no chão desconhecem morada...


Paulo Ribeiro, roubado do diário de bordo d'o navio de espelhos:

" Acho que faço o que faço porque a realidade humana me entristece mas também me fascina. O quotidiano maravilha-me quando consegue ter uma dimensão poética, quando consegue ir um bocadinho mais longe. Assusta-me a ideia de perder a disponibilidade para me deslumbrar."

Paradoxos na protecção à Infância e Juventude

Muito me agrada a perspectiva de alargamento da rede social por parte do Governo, anunciada no Público de Domingo, com honras de primeira página. As metas a atingir são ambiciosas: 50% de aumento de vagas em creches, 17,5% em lares residenciais, 30 % de aumenmto dos serviços de apoio domiciliário a pessoas com deficiência, 10% de aumento de vagas nos centros de dia, 10% também nas vagas em lares de idosos e 10% de acréscimo no apoiuo domiciliário a idosos. Destas medidas, grande parte se reportaria a instituições públicas, o que me levou a pensar que haveria ainda algum bom senso no meio desta confusão em que vivemos.
Contudo, no Expresso de Sábaado as gordas são mais preocupantes. O governo ( o mesmo, curiosamente, que propõe as medidas supracitadas) ordenou uma avaliação dos Centros Educativos, nos quais se encontram institucionalizados "menores envolvidos em casos de delinquência", sendo opinião do Secretário adjunto do Ministro da Justiça que o número de centros existentes (12) "pode bem ser reduzido para seis". , já que " é preferível termos menos centros mas mais eficazes, do ponto de vista da formação escolar e profissionel, e da reinserção social...".
Ora, a questão seria que os actuais centros estão "sobredimensionados", havendo demasiados funcionários para o número de jovens existente.
Este paradoxo é-me difícil de compreender. Há algum tempo tive a oportunidade de ver um documentário extraordinário no Odisseia, a propósito de um projecto de trabalho de psicoterapia e reinserção de presidiários que haviam cometido delitos sexuais graves, no Canadá. O programa de tratamento consistia em trabalhar com um grupo de apenas dez presidiários que seriam recolocados, vivendo em regime fechado numa comunidade terapêutica, onde eram acompanhados por técnicos de elevada comnpetência ao longo de um período mínimo de um ano.
Os resultados eram admiráveis, apesar de não haver milagres que transformem pessoas com esta história de vida em meninos do coro.
Não me lembro de ver os entrevistados queixarem-se de excesso de meios, nem de considerarem o programa um luxo. Parece-me claro, ao ouvi-los, tal como me parece na minha prática diária, que é assim que se está a fazer trabalho válido. Ali, no vínculo com os utentes. Na relação terapêutica. Nas inúmeras reuniões de equipa. No balanço que se fazia ao longo de toda a peça. Na aprendizagem diária.
A psicopatologia severa, a delinquência, o desamparo, a falta de vínculos não se tratam ao magote, em centros "devidamente dimensionados". À escala humana? A que escala, senhor secretário de estado?
Redimensionar os centros educativos é mais do que fazer render o pessoal, "trabalhar em rede" (conceito ambíguo para quem anda por estas lides)e embelezar os espaços.
É talvez criar medidas para que um dia seja possível: haver uma mais rigorosa selecção dos técnicos e educadores; equipar os centros com profissionais experientes e capazes, que trabalhem em equipa e ali se questionem e enriqueçam; permitir-lhes uma supervisão de qualidade, por técnicos externos, que os ajudem a elaborar as dificuldades e a fazer uma leitura mais desintoxicada das relações; pensar se resulta ter educadores a trabalhar por turnos, sem estabilidade nem nas suas rotinas nem nas das crianças; avaliar, a partir do quotidiano e da reflexão técnica, as medidas disciplinares que constam do regulamento destes e de outros equipamentos sociais...etc.etc.
E, acima de tudo, possibilitar que cada uma das crianças e jovens que vive nestes lugares estranhos (lembro-me do José Fanha me dizer que um dia foi fazer poesia com os jovens a um destes centros e quis lá pernoitar, mas, chegada a hora, não se sentiu capaz de ficar ali, num lugar assim...) sinta que há espaço para a (re)construção de uma identidade, de uma rede de relações, de um caminho que valha a pena percorrer.
A esperança não provém da funcionalidade das instalações tanto como da segurança que nasce no investimento que cada um de nós, enquanto técnico, é capaz de fazer. Nestas crianças e jovens, e em si mesmo. Na sua formação, no seu sentido ético, no perpetuar da sua disponibilidade.
Muitas vezes é triste ler notícias como esta, que infelizmente confirmam o lugar que estas crianças e jovens com percursos delinquenciais parecem ocupar na nossa sociedade. O "longe da vista, longe do coração". O "para quem é, bacalhau basta". E todos os outros atavismos que insistimos em manter, em despeito do nosso crescimento.

Para além do dia da mulher

Prevejo que as mulheres dentro em breve entrarão em força na actividade política, por razões que já desenvolvi em artigos no DN, e,há pouco tempo, num colóquio no S.Luis organizado pelo Nuno Silva e pelo Daniel Oliveira.No Dia da Mulher referi esse aspecto aqui no blogue.Agora leio que o guru da moda Njell Nordstrom prevê que daqui a 25 anos as mulheres ocuparão em maioria os postos de poder.Nada que me espante caso o sistema se mantenha.
Entretanto a Joana Vicente Amaral Dias escreveu um excelente artigo sobre as quotas no DN da última segunda-feira que me dá a ocasião de dizer que nesta fase intermédia também sou por elas.Daqui a 25 anos se verá!

Comprai -vos uns aos outros

Mais uma OPA anima o negócio financeiro.O BCP-Millenium quer comprar o BPI.Eu era cliente do BPSM quando este foi anexado pelo Jardim Gonçalves.Há dias fecharam a agência do banco aqui na Politécnica sem avisar ninguém.Por mim podem comprar o BPI que aqui não tem balcão.
E agora mais a sério: a comunidade dos serviços de inteligência seguirá estes movimentos financeiros de modo a brifar os responsáveis ou compras de bancos, e OPAS onerosas, não têm prioridade no mercado das informações? E como será que a autoridade da concorrência percebe rapidamente o que se está a passar?Telefona aos jornalistas das páginas de economia? Ou é ao contrário?

segunda-feira, março 13, 2006

O salto de Naide Gomes

A atleta Naide Gomes ganhou mais uma medalha em provas internacionais de salto em comprimento, estabelecendo na passada novo record nacional na modalidade.Estas provas requerem mais condições tecnicas, e treino, do que outras modalidades mais simbólicas como a maratona.É uma espécie de revolução tecnológica aplicada ao atletismo nacional.Por mérito pessoal, e de uma escola de atletismo formada pelo prof Moniz Pereira.

domingo, março 12, 2006

CCS e VPV

CCS e VPV eram duas assinaturas muito queridas da blogosfera que apareceram com o ano 2006.A Constança Cunha e Sá apareceu primeiro na Minha Rica Casinha, depois criou O Espectro que estreou sozinha e com êxito.Com este assegurado,seduziu o maior clássico da crónica política do nosso regime, Vasco Pulido Valente, a entrar nesse novo mundo desconhecido mas tentador.Formaram, mais uma vez, uma dupla temível de grande qualidade.Tenho um fraco por essas cumplicidades privadas e públicas que nos ajudam a atravessar a vida com distinção sem caír no vulgar culto da imortalidade.Por isso entendo tão bem o seu texto de despedida desta experiência fugaz e intensa na blogosfera.Podiam ter chamado outros em socorro de um blogue em expansão que não lhes faltariam, mas alguma coisa se perderia do projecto arquitectado entre ambos.
Não sei o que os terá feito queimar a seara que cultivavam neste clima vicioso dos blogues.Voltem sempre.Os dois, ou cada um por si.Depois do luto, claro está.

sábado, março 11, 2006

Não fui eu!

Estive ontem no programa Expresso da Meia-Noite da Sic-Notícias , cujo clima de debate vivo e informal é devido aos seus responsáveis, Ricardo Costa e Nicolau Santos.Respiro bem nesse clima.Ontem perguntaram-me sobre o discurso de posse de Cavaco Silva.Eu salientei , entre outros tópicos, a referência feita pelo novo PR ao 25 de Abril na génese do regime democrático em Portugal.Pois tanto bastou para o Nuno Morais Sarmento partir numa diatribe contra a importância dessa referência.Garanto que não fui eu quem fez o discurso de Cavaco Silva!Entendam-se...

sexta-feira, março 10, 2006

Libertar-se do medo

Olho sempre com algum desdém,e inquietação, os estouvados que consideram que a plena cidadania está garantida e por isso dormem virados para qualquer lado.E retiro a conclusão que em caso de necessidade não se pode contar muito com eles.Vem isto a propósito do filme que fui ver ontem.Após ter adiado , mais uma vez, entrar na sala onde se exibia o Truman,fui literalmente arrastado para o Boa Noite, e Boa Sorte, do George Clooney. E ainda bem.Só lembrar-me do que a América precisou para se libertar do maccartismo me arrepia.A cidadania é uma flor bem delicada.

Quem cumprimenta os ex-presidentes?

Está a fazer um grande furor , e a gerar incompreensão, o facto de Mário Soares ter abandonado a AR sem cumprimentar o novo Presidente.
Alguém que já alguma vez tenha estado nessas cerimónias conhece a confusão que se instala na formação do enorme cortejo para os cumprimentos no salão nobre, onde os índios ainda estão de joelhos na praia nos painéis inamovíveis.Deste modo o protocolo deve providenciar uma cerimónia digna, em que ninguém se atropele, mas onde os ex-chefes de Estado tenham precedência.Ou só lá chegaremos quando Cavaco Silva for também EX ?

quinta-feira, março 09, 2006

Isto promete

Cavaco Silva referiu o 25 de Abril, o regime democrático, embora subordinado à MORAL o que deve ter agradado à Igreja, a Justiça, a competitividade económica,a União Europeia,a CPLP, os laços transatlânticos,as autarquias, etc.Não sei porquê tenho a impressão que ficou muito por dizer.Como acontece frequentemente com Cavaco Silva.Mas a «estabilidade dinâmica» ficou-me no ouvido.

Sócrates está avisado

O PR acaba de balizar a estabilidade política como um meio.Além disso irá«acompanhar com exigência a acção governativa».Entenderam?

Discursos de Estado

Hoje é dia de discursos com sentido de Estado.Jaime Gama já fez o seu.Agora fala Cavaco Silva.Fora o desvio pela alteração do clima na Terra ainda não nos surpreendeu.Mas continuo a ouvir.

Os dias da rádio

Estive na Catedral da Luz a comentar para a TSF,como treinador de bancada, o jogo entre o Benfica e o Liverpool.Foi emocionante pelo que lá se passou , e pelas inúmeras mensagens que recebi com feed-back do que estava a dizer!Gosto destas brincadeiras.
Outra experiência radiofónica, de natureza bem diferente, foi a entrevista que me fez a Paula Moura Pinheiro sobre questões europeias para a Rádio Paris- Lisboa, agora Rádio Europa,90.4 frequência modulada.Amanhã às 10e10,com repetição pelas 20h15.Quem tiver os ouvidos colados à radio que ouça!

quarta-feira, março 08, 2006

A vitória do futebol inteligente

Como aqui escrevi a 21 de Fevereiro, quando do jogo da primeira eliminatória entre o SLB e o Liverpool,os dois treinadores conceberam por partes a tactica das suas equipas.Ganhou Koeman com um golo treinado de bola parada , e dois devidos ao talento dos jogadores em campo.Mas bem vistas as coisas houve dois golos facultativos... Que grande vitória do Benfica!Venha agora o Arsenal!Para se perceber melhor a classificação do Chelsea...

Clipping do dia

"O Arnold Schwarzenegger foi da Áustria para os EUA aos 19 anos, e de mau actor chegou a governador. Tentem lá fazer isto na França!"
- Kjell Nordström in Jornal de Negócios, 8 de Março 2006

Perguntas tolas

Tão devagar!...
Joaquim Fidalgo, no Público
"Senhor Presidente Cavaco Silva, como é que vai conseguir conciliar as responsabilidades deste alto cargo com as suas obrigações familiares?"Pergunta tola, dir-se-á. (....) Nem por isso. Foi exactamente esta pergunta que fizeram, no mês passado, à recém-eleita Presidenta do Chile, Michelle Bachelet. Uma mulher, claro. Só a uma mulher nos lembramos de fazer uma pergunta assim(....) Além disso, e dado que Michelle Bachelet é divorciada, alguém perguntou-lhe mesmo se não iria ser mais difícil suportar as agruras do cargo "sem os carinhos" de um parceiro lá em casa. Mas a senhora também respondeu à letra: "Adorava que, se neste meu lugar estivesse agora um homem, lhe fizessem exactamente esse tipo de perguntas. Desafio a que o façam no futuro..." E mais disse aos jornalistas: "Quando eu nomear algum ministro, não se esqueçam de o questionar sobre como vai equilibrar as coisas entre o trabalho político e a vida familiar, como vai ser quanto à casa, quanto aos filhos, etc..."Mas não, nunca fazemos essas perguntas aos homens. Nem eles as fazem a eles próprios. Se é pela pátria, seja pela pátria - e a mulher trata do resto lá em casa!
Portugal continua a ser dos países da Europa onde há menos presidentas, onde há menos ministras, onde há menos catedráticas, onde há menos directoras, onde há menos comentadoras...
(....)Esta semana, entretanto, o inefável Portas estreia-se na televisão, emparceirando com os outros dois campeões do comentadorismo nacional - Marcelo e Vitorino. Nem de propósito, repare-se como todos seguem o mesmo modelo: ao lado, uma mulher bonita, com bom ar e bom nome, emprestando ao quadro uma certa aura de credibilidade jornalística e criando uma ilusão de diálogo; no centro da acção, um homem a debitar verdades definitivas, qual oráculo ritual dos tempos modernos. (....).A mulher faz, ou faz de conta que faz, as perguntas; o homem, obviamente, dá as respostas. Assim é que é...

Agenda feminina II-Do Ruanda à Suécia

O Ruanda e a Suécia são os países com mais mulheres no parlamento, quase metade dos respectivos.Não viverá muito tempo quem não venha a assistir à ultrapassagem dos homens pelas mulheres na actividade política.Primeiro nos parlamentos, depois nos partidos, em seguida nos governos.Está escrito: as mulheres vão entrar em força nos cargos políticos.Com leis ou sem leis.Entre nós com leis será mais rápido, não sei se será melhor.
Dou assim o meu contributo ao dia 8 de Março antes de dar razão à JAD.

Agenda feminina I

Victoria Beckham surge hoje a dar 10 conselhos às mulheres «para ser a mais fashion».Entre estes destaco«Fundamental é não esquecer os pequenos acessórios:as malas, os sapatos, uns bons óculos de sol».Se me pedissem a opinião em qualquer dia acrescentaria,uma blusa.

Último dia

É o último dia de Sampaio. Numa entrevista ao DN, desculpabiliza Souto Moura. Não havia necessidade…
Para comemorar o Dia Internacional da Mulher visita uma maternidade.
Não sei qual será o critério para esta escolha. Mas assinalar a paridade- ou a sua necessidade- não é, com certeza. E almoça com Cavaco Silva.
Tudo direitinho, pois claro.

Agenda masculina

Entre a saída de Sampaio e a bola, o Dia da Mulher fica soterrado. Podia ser apenas uma metáfora. Mas não. É mesmo.

A entrevista de Jorge Sampaio ao DN

tem aspectos surpreendentes. Não disse “não” a Durão porque era difícil. Aceitou Santana sem confiança e porque não podia interferir nas escolhas nos partidos. Contudo, dissolveu porque avaliou que a maioria na AR já não era sólida.
Sampaio diz que exerceu o cargo sem nenhum esforço particular. Ok. Tudo esclarecido.

Portugal no seu melhor

"Graças à RTP, conheci na segunda-feira o Presidente da ERC. O director do Diário de Notícias representou na excelência as dúvidas da classe. E graças à sua perspicácia, ficámos a saber que o Dr. Azeredo Lopes não concorda com a lei que regula a Entidade a que preside... Ou seja: a lei diz que a ERC pode entrar pelas redacções dos jornais dentro, mas ele limitou essa entrada às casas de banho (disse-o ironicamente, é bom de ver). A lei diz que a ERC deve observar o rigor da informação, mas o Presidente cingiu tal norma ao direito de resposta. A lei ameaça a liberdade de informação, mas o Dr. Azeredo Lopes desvaloriza-a e assegura que, com ele, a Constituição será respeitada acima das prerrogativas da nova Entidade.A ERC, a lei que a criou e o Dr. Azeredo Lopes constituem um bom exemplo do "Portugal no seu melhor". A lei existe para não ser aplicada. A Entidade tem autoridade, mas quem manda nela tem uma interpretação peculiar das suas competências. E, bem vistas as coisas, o Presidente até é um "tipo porreiro": promete à moderadora do programa que só lhe mandará por carta as "boas festas" e garante a António José Teixeira que não usará o poder de entrar na redacção dos jornais.
No jornalismo, quem não sabe fazer, ensina; quem não sabe nem ensina, dá pareceres. E quem não se quer comprometer, aceita presidir a uma entidade reguladora. Portugal sempre foi assim. Porque haveria de mudar agora? "

Bichos carpinteiros por aí

A propósito deste post, a denúncia de uma técnica de uma Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco- CPCJ- devidamente identificada:
Sou técnica de Serviço Social e trabalho numa das muitas CPCJ, espalhadas pelo país. Há dois anos atrás, foi-me distribuído um processo de uma menor, que se encontrava grávida do companheiro da mãe, e as suas análises indicavam seropositividade.No entender da CPCJ, nem o bebé nem a mãe deveriam ter retornado à família de origem. E fui pedindo, de norte a sul do país, uma instituição que acolhesse mães adolescentes juntamente com os seus filhos. Apesar de haver um número razoável destas instituições no país, nenhuma deu resposta favorável ao meu pedido, alegando que no seu regulamento interno não é permitido acolher utentes portadores de doenças infecto-contagiosas.Quando o bebé nasceu, a maternidade fez de tudo para enviar a mãe e o bebé, o mais rápido possível, para casa, inclusivamente passando por cima da decisão daCPCJ, formulando um acordo com a avó do bebé.A maternidade enviou a criança para casa, pois só tem um quarto disponível para seropositivos. O Processo foi remetido a tribunal e ainda aqueles menores estão em perigo em casa do companheiro da mãe.Isto é uma pequena amostra, porque se tentar integrar pré delinquentes, adolescentes com consumos de estupefacientes, ou jovens normalíssimos a partir dos 14 anos (sobretudo rapazes), que apenas se incompatibilizam com as famílias, isso é que é mesmo impossível.

terça-feira, março 07, 2006

Cortesia política ou cooperação estratégica?

O aumento das taxas moderadores nas urgências hospitalares dois dias antes da tomada de posse de Cavaco Silva é um gesto de grande cortesia política por parte de Correia de Campos.Ou será de cooperação estratégica?

"But I'm not the only one"

"We are training our children to be workaholics (...) Colleges have created mechanisms to crowd out the kids who are dreamers, to crowd out the kids who step off the conventional path and want to do something unique. But what does it mean to have a nation of kids who don't know how to dream?"
- Marilee Jones, the dean of Admissions at the Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Mais preocupado

Fiquei mais preocupado desde que vi ontem no programa Prós e Contras o presidente da nova entidade reguladora da comunicação social , o Prof Azeredo Lopes.Ou muito me engano ou o Prof Freitas do Amaral vai conseguir levar a sua avante sobre o fim da licenciosidade.Valeram-nos o António José Teixeira e o Teixeira da Mota.Mas estes não fazem parte da dita entidade...

Hipocrisia? Não, obrigado.

Para o vice-presidente da bancada do PSD, os projectos de lei do Bloco de Esquerda e do PS, no sentido de estabelecer quotas para as mulheres nas eleições à AR, são um “atestado de menoridade” e uma “indignidade” para as mulheres. Ai que preocupado com as mulheres que está Montalvão Machado. Acha as quotas uma ofensa e, é claro, corre afogueadamente, qual herói cavalheiresco, a apanhar o lencinho branco das damas indefesas e tísicas.
É bonito, sim senhor. Gostava de o ver com a mesma veemência a combater as gritantes desigualdades laborais que persistem, não obstante o facto do aumento da escolaridade ser muito mais rápido nas mulheres. Em Portugal, as mulheres ganham menos 25,5% e são mais atingidas pelo desemprego. Se a função laboral for a mesma, a diferença salarial é menor, mas existe. Além de que persiste também a dificuldade de acesso a determinadas profissões.
O senhor deputado Montalvão Machado bem que podia empregar a sua defesa dos direitos das mulheres a denunciar que a situação só tem vindo a piorar- nos últimos quatro anos aumentou o emprego precário entre nós- ou a propor medidas como as que têm sido desenvolvidas, quer para a esfera laboral, quer na actividade política, em países como Espanha, Reino Unido e França.
Mas não. Montalvão Machado pensa que a honra das donzelas é atacada com as quotas. Isso, sim, considera preocupante.
Já o facto de as mulheres portuguesas, em média, gastarem semanalmente 26 horas em trabalho doméstico, e os homens apenas sete, não parece inquietar este grande feminista. A diferença nos restantes países da Europa existe, também. Mas é quase três vezes menos.
Montalvão Machado também podia dedicar um pouco da sua magnanimidade a defender a participação das mulheres na ciência, já que 58% dos licenciados são mulheres, mas apenas 14% ocupam lugares de topo na carreira científica.
Enfim, causas, nesta domínio, não lhe faltariam. Mas o deputado acha que o tempo se encarregará de resolver a exploração, a discriminação e a injustiça. Até lá deve pretender ficar de braços cruzados, a pasmar com o tic-tac da vergonha, levantando a mão apenas para votar contra as quotas. Boa. Isso é que é dignificante para os homens. E um atestado de maioridade para o seu partido.

O pior ainda está para vir…

Disse Sócrates ao Expresso. Pois é...
Mas desde que foram criadas as taxas moderadoras, não se verificou a diminuição do recurso às urgências. Este aumento que o ministro Correia de Campos agora propõe, que pode não parecer significativo mas que será muito pesado para muitos, não terá efeitos sobre o recurso abusivo às urgências. Por isso não se compreende a introdução desta medida sem a qualificação dos cuidados de saúde primários. A não ser, claro, que esta seja uma das muitas coisas que este governo quer fazer para encontrar um novo modelo de financiamento para o SNS, que seria pago em parte pelo utente. A tal boca que o ministro mandou- e depois retirou- há umas semanas atrás.
Nota:
Acho engraçado ver Fernando Negrão a insurgir-se contra este aumento. Deve ter-se esquecido do que o governo que integrou fez com essas mesmas taxas em 2003. Topete, caros utentes. Topete.

segunda-feira, março 06, 2006

Aprender com a Finlândia

Enquanto José Sócrates visita a Finlândia,a página de Economia do Diário de Notícias traz uma entrevista com Esko Aho, ex-primeiro ministro daquele país, em que este relembra algumas medidas tomadas como o investimento sustentado em ID, e, noutro plano os acordos com os sindicatos finlandeses para encarar alguma contenção salarial.Sobre a questão do desemprego Aho afirma«Tivemos a capacidade de preservar uma rede de segurança social sólida que permitíu atravessar sem sobressaltos esse problema.É , aliás,um desafio que muitos países europeus enfrentam:a criação de condições do ponto de vista social para que se possa operar uma mudança de um modelo económico velho para um novo»
Tecnologia social, pois.E depois tecnologia e economia.Com paciência e ciência.

Identidade e descentralização

José Medeiros Ferreira já assinalou num post anterior a entrevista que Cavaco Silva deu ao jornal espanhol ABC. Paulo Gorjão justifica esta opção com base numa suposta intenção de Cavaco Silva reiniciar a sua projecção na Europa. Pode ser que sim. Mas não deixa de ser interessante reparar e sublinhar que é a um jornal espanhol que o Presidente eleito dá a sua primeira entrevista.
No Público de hoje, Manuel Carvalho assina o editorial em torno dessa entrevista. Reparando que a descentralização é um dos temas quer do Presidente que sai, quer do que entra, abordados por prismas opostos, acrescenta:
“Cavaco manifesta as suas opções afirmando que "a centralização prova que Portugal é um país com uma forte unidade, que não tem problemas linguísticos, étnicos ou religiosos". Ou seja, para Cavaco, a centralização é, ou parece ser, uma consequência, uma "prova" da identidade nacional.(…) Ao contrário do que sugere o próximo Presidente, não é a centralização que cimenta a unidade nacional: pelo contrário, os seus efeitos estão a colocar zonas do interior cada vez mais longe de Lisboa e mais perto de Vigo ou Huelva. Depois, os defensores da descentralização radical ou da regionalização não são por definição menos patriotas nem menos defensores da unidade nacional do que os que defendem ideias contrárias. Levar a discussão por estes caminhos é como acusar os que criticam a política iraquiana de Bush de serem antiamericanos. Implica uma visão redutora, injusta e errada do que está em causa. Porque o que está em causa é a escolha de uma terapia política capaz de reformar o Estado obeso e ineficaz que consome recursos que o país não tem; de libertar os cidadãos e as empresas dos bloqueios da burocracia e do livre arbítrio dos tiranetes da administração central; ou de encontrar modelos de política pública mais eficazes para a coesão nacional, evitando que a população e a riqueza se concentrem em proporções terceiro-mundistas em torno da capital. É por aqui que o debate faz sentido, sem o perigo da emocionalidade que Cavaco agora faz ressurgir. “

Óscar

Começar a descer as escadas

No sábado, Expresso noticiava que “dois irmãos seropositivos de Castelo Branco, um com poucos meses e outro com menos de quatro anos, viram recusada a entrada em vários lares de acolhimento, depois de ter sido dada ordem do tribunal para que fossem internados numa instituição da rede da Segurança Social.” Segundo o jornal, as muitas instituições a que os técnicos de Segurança Social se dirigiram não tinham vagas.
A justificação que foi dada nunca se baseou na seropositividade das crianças, mas sim na “ausência de condições para acolher dois irmãos de idades tão diferentes». Entretanto, os irmãos ficaram numa instituição distrital da Segurança Social, onde permanecerão até ser conseguido o internamento num centro mais adequado.
É mais uma lamentável história. Estas crianças, tão pequenas e que, por todos os motivos, deveriam ser acompanhadas cuidadosamente, já começaram a andar aos trambolhões. A alegação de que têm idades muito diferentes, não colhe. Esta justificação, que pretende esconder, seguramente, a recusa pelo facto de serem seropositivas, em nada amortiza a falha grave que se está a verificar. Antes pelo contrário. A acreditar que o motivo é esse, a indisponibilidade é incompreensível. É óbvio que não devem ser separadas, como o tribunal determinou e é inadmissível que se evoque a diferença de idades.
Seja como for, parece-me óbvio que são recusadas porque são seropositivas. Como acontece muitas vezes.
No final da notícia, o Expresso esclarece que as recusas habitualmente surgem quando se trata de jovens mais velhos, com problemas de comportamento, que os centros e os lares de acolhimento não querem aceitar com receio de que um novo elemento com essas características possa perturbar o equilíbrio interno das instituições. O resultado é este tipo de crianças acabarem todas em lares como a Oficina de S. José, no Porto, que têm vagas e, como disse o padre Lino Maia, «não fecham as portas a ninguém».
Pois é…resta saber o que o Estado vai fazer – ou não vai fazer- com estes dois irmãos até eles serem mais velhos. Se o percurso continuar inquinado, como já começou por ser, pode ser que depois apresentem os tais problemas de comportamento. E lá vão parar às oficinas de S. José.

The Simpsons

Aqui

Citações

Acho muito bem que citem Ann Coulter.

E contribuo com esta pérola:
"We should invade their countries, kill their leaders and convert them to Christianity."
Mas há mais. Muito mais...

Nuclear Madness

Bob Herbert, NY Times
President Bush, who used specious claims about a nuclear threat to launch his disastrous war in Iraq, agreed to a deal — in blatant violation of international accords and several decades of bipartisan U.S. policy — that would enable India to double or triple its annual production of nuclear weapons.
The president turned his back on the Nuclear Nonproliferation Treaty (dismissed, like reality-based thinking, as passé) and moved the world a step closer to an accelerated nuclear arms race in Asia and elsewhere. In the president's empire-based, otherworldly way of thinking, this was a good thing.

Cavaco Silva começa a falar

ABC foi o jornal escolhido por Cavaco Silva para pronunciar algumas novidades sobre o seu pensamento.Ficamos a saber que nunca gostou do nome de baptismo da Constituição Europeia.Até o percebo, mas não se peca só por actos.A reserva mental com que manteve o silêncio sobre esta matéria até ser eleito Presidente da República dá a dimensão do que pode esconder um «político do asseio ético» como o caracteriza a revista Pública.Querem apostar que ninguém conhece o pensamento político de Cavaco Silva?Ficamos à espera de mais revelações.Por palavras, ou por acções.Em termos europeus é só um começo.

sexta-feira, março 03, 2006

Terrorismo doméstico

Abrindo o DN , que a Joana Vicente Amaral Dias entreabre no post anterior para que todos o façam rapidamente,lê-se na página 19 que o terrorismo terá ultrapassado, na escala das prioridades,outros crimes como os económicos,ou os de corrupção.O Ministro Alberto Costa já veio desmentir qualquer desfalecimento na política criminal.Mesmo assim, tendo em conta que a PJ é uma polícia de investigação criminal e não um serviço de informações, não se percebe bem o que se esconde na prioridade dada ao terrorismo.Houve actos de que não se tivesse tido conhecimento?O Líbano espreita-nos?Espera-se um esclarecimento cabal

Branco mais branco…


O combate à criminalidade económica - crimes de corrupção, tráfico de influências, fraudes fiscais- deixa de ser uma prioridade para a direcção nacional da Polícia Judiciária.
Não é possível…

quinta-feira, março 02, 2006

A idade do saber

Geralmente, quando há crimes, há idades. O assassino, do sexo masculino, 43 anos de idade. A vítima, do sexo feminino, 68 anos.
Não é um qualquer que agride, mata ou rouba. Muito menos é um qualquer desconhecido que é violado, atacado ou morto. Com o crime, sai-se do anonimato e da invisibilidade. O mesmo se passou com a Gisberta, assassinada no Porto. E também com quem perpetrou o crime. Ter menos de 18 anos dá, evidentemente, um bónus mediático a estes crimes. A idade, nesta sórdida história, é assunto.
Agora conhecemos a vida da Gisberta. A vida que até agora poucos queriam perceber, acantonada que estava por essa soma maior do que as partes, pela acumulação de sucessivas exclusões. Oriunda de uma família pobre de S. Paulo, imigrante ilegal, transexual. Toxicodependência, SIDA e prostituição.
Quer a Visão quer a Sábado dedicam-lhe umas quantas notas biográficas, que se misturam com a cronologia do crime. Como se para cada uma destas histórias de Gisberta, os agressores tivessem dedicado uma forma de tortura, um dia de ódio. Dia 18 é espancada à paulada e à pedrada. Dia 19 é violada com um pau. Dia 20, já moribunda, é de novo agredida. Dia 21 atirada para um poço.
Lendo estas revistas, parece que Gisberta morreu como viveu. Empurrada de um lado para o outro, pela pobreza, por um corpo que não queria, por um modo de vida onde a sorte é rainha. Por um corpo que lhe falhou outra vez, doente, magro, exigindo heroína, envelhecido. No final, a idade e o aspecto afastavam a clientela. 45 anos.
A rua é de quem a ocupa. É o fim da linha, o fundo do poço. Para lá se mudou Gisberta, exposta como nunca à crueldade dos que passam. Aí ficou Gisberta.
Gisberta, homem-mulher, brasileira-portuguesa, transgressora e doce, como não se cansam de sublinhar nas reportagens. Agora tem direito a fotografia, a palavra, a ser um caso.
A Visão, na última parte do texto, chama os especialistas para dissecar as causas. E, embalados, os jornalistas vão dizendo: “Henrique Borges, 50 anos, antigo professor de Filosofia”; “ A socióloga Maria do Carmo Gomes, 31 anos”; “a psicóloga Constança de Bettencourt, 31 anos”; “Rui Pedro Borges, 45 anos, psicólogo de terapia familiar e comunitária”. Para “tratar” o caso Gisberta os profissionais também passaram a ter data de nascimento. Deve ser por decoro. Há mortes pelas quais todos nos sentimos culpados.

Mardi Gras

As despedidas de Jorge Sampaio

Primeiro foi Jorge Sampaio a dar o sinal que se estava a despedir.Agora são os jornalistas e comentadores a despedirem-se do actual PR , que entra hoje na sua última semana de exercício do cargo.Foi um presidente digno durante os seus dois mandatos, bem diferentes um do outro.Faltou-lhe, aqui e ali, um golpe de asa, um murro na mesa, uma solução engenhosa para situações pantanosas?É verdade.Mas foi por um golpe de asa em 1989 que ele se tornou presidenciável, independentemente do ranger de dentes no seu partido.E sabia-se que com ele em Belém nenhum golpe de estado, mesmo constitucional, seria legalizado.Os portugueses despedem-se agora dele, e de algumas certezas.
Eu não me despeço de Jorge Sampaio.Há mais de 40 anos que sei que, quando menos se espera, podemos contar com ele.E quantas vezes dele tenho discordado...

quarta-feira, março 01, 2006

Uma OPA virtual?

A OPA da Sonae sobre a PT está a revelar uma nova geraçao de especialistas.Tenho aprendido imenso sobre prazos e preços,redes de cobre e redes de cabo,capitalistas nacionais e financeiros internacionalizados.Já tenho duas certezas:as redes vão separar-se e a gestão estratégica da PT vai mudar.Se mesmo assim houver OPA a dança vai ser grande entre os grupos económicos.Uma grande dívida espreita todos.Eu vendo ...mais para a frente!

Nation building or state implosion?

O que está a acontecer no Iraque é uma tragédia para todos.Espero que seja Bush a iniciar a retirada, no que seria seguido por Blair,para não deixar para uma futura administração o encargo de remediar um erro colossal.Ajudar a construir novos consensos políticos, negociar com quem queira refazer um Estado laico e representativo que vai fazer muita falta na região, eis o que deve ser feito de imediato.Difícil?Pudera.Mas a ferro e fogo também não se chega lá.