terça-feira, junho 06, 2006

Será mal geral?

Parece que não é só na Feira do Livro de Lisboa que o entusiasmo e a particiação rareiam. Em Aveiro, pressente-se que as pessoas tenham estado a poupar baterias para o mundial. ( a avaliar pelo Euro, que encheu as praças de ecrãs gigantes, barraquinhas de cerveja, sacos de plástico para sentar o rabo e multidões de entusiastas que podiam bem dar corpo a um reclame ao Prozac).
De lamentar não é o facto de a gente gostar de ver a bola. Até aqui, tudo bem.
Mas é de um grande desconcerto haver um debate sobre a leitura no qual participaram pouco mais do que os elementos da livraria que o organizou...Livreiros de outras bandas, nem vê-los! Bibliotecários,professores, autarcas (com excepção do interlocutor convidado), esses terão tido, talvez, melhor programa.
De lamentar ainda o facto de nem mesmo a organização da feira estar presente numa das noites mais mágicas, a noite dos contos, na voz do extraordinário narrador da tradição oral Carles Garcia Domingo. Não foram precisas luzes para engrandecer o evento, nem cadeiras para manter as pessoas presentes.Mas também, se necessárias fossem, não estava ninguém que as pudesse ceder.
A praça que fica ao lado dos livros chama-se agora Praça Carlsberg. Não tive acesso ao orçamento, mas pelo tamanho do ecrã que a ocupa deve ser bastante superior ao que foi disponibilizado para a feira do livro.
Tal como o Medeiros Ferreira, eu também não acho que devamos depreciar uma iniciativa como o plano de incentivo à leitura proposto pelo governo, nem qualquer outra actividade que proporcione que as pessoas leiam livros.Mas às vezes tenho pena de ter que haver decretos para algo tão óbvio. Se calhar, por ter tido a sorte de poder ler bastante na minha escola. A minha professora amava os livros, e nunca precisou de normas para nos fazer amá-los.