quarta-feira, outubro 26, 2005

Ranking das Escolas Secundárias

O famigerado Ranking das 595 escolas secundárias ( públicas e privadas) do país teve direito a destacável no Público do passado Sábado.
Não duvido que os dados nele contidos possam ser importantes. Temos a possibilidade, por exemplo, de perceber quais as diferenças entre as classificações internas e as notas obtidas, pelos mesmos conjuntos de alunos, nos exames nacionais. Sabemos como cada escola é única, como únicos são os alunos que a habitam, as suas famílias, as suas vivências, a região onde moram, os seus docentes, os métodos de ensino utilizados...
Saber que na Pampilhosa da Serra as notas obtidas nos exames nacionais ( 1ª Época) " deste ano ficaram, em média, 5,5 valores abaixo da classificação atribuída pelos professores da escola" preocupa-me, mas não me espanta.Há em Portugal muitos locais onde há imenso trabalho a fazer.
Também podemos conhecer a discrepância de notas às disciplinas consideradas centrais.
Contudo, para além destes aspectos que surgem sempre como subsidiários da "lista principal", em letra pequena com pouca visibilidade, não é clara para mim a leitura que se possa fazer deste Ranking.
O que ficamos a saber ao ler que o Colégio Mira Rio ocupa o primeiro lugar no Ranking nacional ( 12º ano, primeira chamada das provas nacionais), ao passo que a EB 2,3 de Penalva do Castelo fica em último? Sabemos que as notas finais determinam o lugar relativo na lista, mas não conhecemos muito mais. Quais as notas iniciais destes alunos? Qual a realidade em que vivem? Quais as propinas e condições de acesso das suas escolas? Qual a sua zona de residência?
Prestará melhor serviço aos seus alunos e, consequentemente, à comunidade, um professor de Mira Rio ou um da Pampilhosa da Serra, que trabalha com objectivos tão diferentes do primeiro? Vale mais o sucesso escolar das cinco alunas que o Colégio de Mira Rio levou a exame no ano passado ou os jovens que algumas escolas conseguiram manter, apesar da possibilidade de absentismo, abandono ou insucesso continuado? São ambos importantes. Então como medi-los?

E para os pais, não é também impoortante saber que escolas conseguem melhores taxas de recuperação dos alunos com dificuldades educativas, de educação para a diversidade e para a cidadania activa, de integração de alunos de diferentes escalões sociais, proveniências, etnias e credos?
Aprender-se-à melhor junto dos "bons alunos" ? E que conteúdos importa aprender?
É falacioso ler esta lista como um quadro de honra das nossas escolas. Estou em crer que os próprios docentes , parte activa mas não exclusiva nos resultados que os seus alunos obtiveram, concordam que a qualidade de uma escola e do trabalho que nela é feito não se mede pelo resultado final mas por tudo o que se conseguiu construír até lá chegar.